OPINIÃO

Marcha à ré

Passou quase despercebida no meio dos embates da campanha eleitoral a notícia de que o Tribunal de Contas da União homologou a licitação dos primeiros dois de seis lotes que compõem o novo programa de concessões de estradas federais e estaduais no Paraná.

A lamentar apenas que elas já não serão as rodovias mais modernas do Brasil, como se anunciou durante a polêmica fase de discussão e aprovação da proposta que mobilizou as lideranças empresariais e políticas do Estado ao longo de meses de acalorados debates.

Originalmente, o projeto previa que, ao final de todas as obras de ampliação de capacidade, as estradas pedagiadas seriam todas da Classe 1-A, como se denomina a estrutura viária que permite realizar o percurso, do começo ao fim, a 100 km por hora, sem necessidade de redução da velocidade em nenhum ponto da pista.

Mas não será mais assim.

Acatando pedido da Agência Nacional de Transportes Terrestres motivado pelo objetivo de conter o valor da tarifa, o TCU liberou os primeiros leilões retirando essa exigência para as pistas já existentes, que poderão operar na Classe M-1, onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h.

Segundo a ANTT, a manutenção da categoria superior implicaria em um aumento do preço entre 5,6% e 6,9%, o que iria contra a posição da sociedade paranaense de obter uma redução substancial do pedágio.

Dentro do mesmo entendimento de reduzir os custos para os usuários, foram igualmente excluídas do edital as sugestões do TCU para corrigir diversos pontos críticos e de trechos com grandes variações de velocidade em curta distância que prejudicam a segurança e a fluidez do tráfego.

Enfim, o processo foi atropelado por uma decisão política que, em troca de um ganho pecuniário que provavelmente será inferior ao benefício logístico perdido, frustra as expectativas de quem esperava rodovias de padrão “primeiro mundo” capazes de oferecer o transporte rodoviário rápido e eficiente que o Paraná necessita para atender o seu crescimento socioeconômico.

Vem à lembrança, nessas horas, o grande engodo que foi o pedágio de preço baixinho do governo Dilma. A maioria das operadoras, depois de acumular prejuízos milionários com uma arrecadação insuficiente até para cobrir os serviços básicos de conservação das vias, obrigou-se a renegociar os termos dos contratos com o governo federal.

Algumas desistiram do negócio e devolveram as concessões.

É no que dá pensar pequeno. Não se faz omelete sem quebrar os ovos.

E muitas vezes o barato sai caro.

De qualquer forma, isso tudo talvez não venha a ter mais nenhuma importância se o novo governo petista resolver zerar o assunto e propor um novo modelo de concessão, como já se tem ouvido por aí.

Convém, portanto, não sofrer por antecipação.

Cada dia com a sua agonia.

 

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