Bloco de Notas


1
Depois de se vender no Egito como o enviado divino que salvará a humanidade da catástrofe climática que assombra o horizonte, Lula se apresentou em Portugal como o pacificador dos brasileiros. Em rápida passagem por Lisboa, ao referir-se às tensões políticas geradas pela disputa presidencial, ele conclamou o Brasil a “voltar à paz, a ser novamente um país alegre.” Para transformar o bonito discurso em prática e dar uma prova concreta de sua disposição de buscar a harmonia nacional, Lula poderia mandar o MST desocupar imediatamente as duas fazendas invadidas na Bahia logo após as eleições e proibir a organização criminosa financiada pelo PT de realizar novas ações do gênero. O exemplo tem que vir de cima.
2
Impensável em nações do mundo civilizado e desenvolvido, onde qualquer luxo no serviço público pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e antiético, a despesa do Tribunal Superior Eleitoral, órgão máximo da Justiça Eleitoral do Brasil, com regalias e mordomias vai somar neste ano dezenas de milhões de reais. Só os gastos com serviços de copeira, garçom e auxiliares para atender às sessões plenárias, reuniões e eventos institucionais chegarão perto de 5 milhões. Outros três milhões estão sendo torrados na contratação da empresa que fornece 36 motoristas terceirizados para os magistrados. Na Suécia, a propósito, nenhum juiz da Suprema Corte tem carro oficial com motorista. Mas trata-se, é claro, de um país paupérrimo.
3
Pela primeira vez na história da premiação promovida anualmente pela revista britânica Restaurant, o Paraná tem representante no seleto grupo dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Duplamente laureado, o curitibano Manu estreou no ranking ocupando a 46ª posição e sua fundadora e proprietária Manu Buffara foi eleita a melhor chef mulher dentre todos os concorrentes agraciados, tendo como destaques do seu trabalho o apreço pela sustentabilidade e o contato direto com os produtores das matérias-primas utilizadas na elaboração dos pratos. O primeiro lugar no continente latino-americano ficou com o peruano Central, localizado em Lima, que detém o 2º posto no 50Best Mundial. Dos dez brasileiros que integram a lista, a primeira colocação é do paulistano A Casa do Porco, que figura no Top 10 do mundo.
4
Ainda sobre a viagem de Lula à conferência do clima, a carona no avião do amigo (o ex-presidente sempre tem algum por perto para brindá-lo com mimos e gentilezas) por si só não é ilegal. O problema é o vínculo da imagem de um presidente da República eleito a um empresário enrolado com a Justiça. O dono da aeronave, José Seripieri Filho, o “Júnior da Qualicorp”, foi preso em um desmembramento da operação Lava Jato e depois acusado por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois. Através de acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, além de pagar cerca de 200 milhões de reais a título de ressarcimento, ele confessou outros crimes. Mas esperar que Lula e o PT admitam que o uso do jatinho foi um desvio de conduta é nutrir esperança demais no ser humano. Afinal de contas, caráter é um predicado muito relativo para quem escalou para a equipe de transição de governo 19 nomes que foram delatados, investigados, acusados e até condenados por todo tipo de falcatruas com dinheiro público.
5
Naquele que foi o maior leilão de arte da história, a casa Christie’s de Nova York vendeu praticamente toda a coleção de 150 obras-primas, produzidas ao longo dos últimos 500 anos, que compunham o acervo do bilionário Paul Allen, o lendário cofundador da Microsoft morto em 2018. Reunindo quadros de Vincent Van Gogh, Paul Cézanne, Lucien Freud, Diego Rivera, David Hockney e até um Sandro Botticelli, o acervo obteve a cifra recorde de US$ 1,5 bilhão. Cinco pinturas, inclusive, entraram para o exclusivo clube de peças comercializadas por mais de 100 milhões de dólares. A mais cara delas, “Les Poseus, Ensemble (petit version)”, de 1888, de Georges Seurat, foi arrematada por US$ 149,24 milhões, cerca de 770 milhões de reais. O valor arrecadado, como desejado por Allen, será inteiramente revertido para atividades filantrópicas.
6
Já começam a ser vistas em residências e nas vitrines das lojas as primeiras árvores de Natal. Talvez pouca gente saiba, mas existe uma espécie de “data oficial” para a montagem do maior símbolo da festa máxima do Cristianismo. Segundo antigos costumes, o dia certo para colocar o ornamento em pé e decorá-lo é no primeiro domingo do Advento – tempo litúrgico que dura quatro semanas e marca a preparação para o nascimento de Jesus. Em 2022, é no próximo domingo, 27 de novembro. Um dos muitos significados da árvore de Natal, tradição que se acredita ter mais de 500 anos de idade, é expressar o agradecimento pela vinda do Salvador.
7
Provavelmente já arrependidos de terem declarado voto em Lula, os economistas Armínio Fraga, Edmar Bacha e Pedro Malan divulgaram uma carta aberta para rebater as desastradas declarações do petista que desprezaram a importância da responsabilidade fiscal e assustaram investidores nacionais e estrangeiros. Não chega a causar surpresa que a decepção deles (que já se soma à de muitos outros notórios apoiadores de Lula) tenha vindo tão rápida, apenas duas semanas após a eleição. O que espanta é descobrir que três das cabeças mais respeitados do país no mercado financeiro, expoentes do pensamento liberal, apontados como alguns dos principais responsáveis pela estabilidade da economia brasileira, tenham caído na conversa fiada da esquerda e dado um cheque em branco para o candidato do PT sem conhecer previamente o seu plano econômico e sem amarrar pontos de entendimento mútuo. Santa ingenuidade.
8
Indicado em outubro pelo ministro Paulo Guedes como candidato do Brasil para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o economista Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central no governo Michel Temer, era favorito para conquistar o cargo. Mas aí ocorre a eleição de Lula e o ex-ministro Guido Mantega (de triste memória no comando da economia na gestão de Dilma Rousseff) vem a público, de maneira presunçosa e deselegante, para pressionar o BID a adiar a escolha e permitir que o PT pudesse propor um nome mais afinado com as ideias do partido. O banco ignorou o apelo, manteve o processo em andamento e Ilan, eleito de forma consagradora com 80% dos votos, torna-se o primeiro brasileiro a presidir a importante instituição financeira. Para o Mantega resta dizer tão somente: “Perdeu, mané.”











