OPINIÃO

O caixa que fala: quando a gestão constrói capital político

Em um país onde a regra costuma ser o aperto, o Paraná começa 2026 na contramão da escassez. Enquanto boa parte dos governos estaduais luta para fechar as contas, o Paraná ostenta algo raro na federação brasileira: dinheiro em caixa — e não pouco.

Segundo levantamento da Secretaria da Fazenda, o Estado possui hoje R$ 10,5 bilhões de caixa livre, sem vinculações, disponíveis para novos investimentos. É o maior volume do país. Supera São Paulo, cuja economia é várias vezes maior e que aparece em segundo lugar com R$ 5,9 bilhões. Na sequência vêm Paraíba, com R$ 4 bilhões, e Santa Catarina, com R$ 3,9 bilhões.

Não se trata apenas de guardar dinheiro. Trata-se de poder escolher onde investir.

O reflexo é imediato. Janeiro de 2026 registrou o maior volume de investimentos para o mês em toda a história do Estado: R$ 776 milhões empenhados — 181% acima do recorde anterior, de 2025, e 24 vezes superior ao volume de 2019, quando o Paraná investiu R$ 32 milhões no mesmo período.

O desempenho anual também impressiona. O Estado encerrou 2025 com R$ 7,18 bilhões em investimentos empenhados, o maior valor já registrado. Supera 2024 (R$ 6,41 bilhões) e mais que dobra os R$ 3,2 bilhões de 2018.

Mas o dado mais eloquente talvez esteja na chamada dívida consolidada líquida: negativa em R$ 3,5 bilhões.

Isso significa que o Paraná poderia quitar integralmente todas as suas dívidas — inclusive as herdadas — e ainda restariam recursos em caixa. Apenas Espírito Santo e Mato Grosso apresentam dívida menor, mas com disponibilidade de caixa inferior à paranaense.

É também por essa razão que o Estado não aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal. Simplesmente não precisava.

Com Receita Corrente Líquida superior a R$ 71 bilhões e nota máxima Capag A+, o Paraná atingiu um patamar que poucos alcançam: equilíbrio fiscal com capacidade de investimento e redução de carga tributária — como demonstrado pela queda de 45% no IPVA para 2026.

Esse resultado não nasceu por acaso. Houve enxugamento da máquina, corte de despesas não essenciais, redução de viagens e revisão de gastos administrativos. Ajustes silenciosos, pouco espetaculares, mas decisivos.

O dinheiro economizado virou asfalto, luz, moradia e rodovia.

O programa Asfalto Novo, Vida Nova promete pavimentar todas as áreas urbanas das 399 cidades. O Ilumina Paraná avança para 100% de iluminação em LED. São quase 800 quilômetros de rodovias de concreto em execução, além de um dos maiores programas habitacionais do país, com mais de 130 mil famílias atendidas.

Ao mesmo tempo, o Estado criou um Fundo Estratégico voltado à gestão fiscal, sustentabilidade, enfrentamento de desastres e investimentos de longo prazo — uma espécie de colchão institucional para atravessar crises futuras sem comprometer o desenvolvimento.

Em um ano decisivo para o país, esses números não são apenas estatística contábil. São discurso político objetivo.

Num cenário nacional onde seis estados e o Distrito Federal começam o exercício sem caixa suficiente para quitar compromissos — casos de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Rio Grande do Sul, Tocantins, Acre e o próprio DF — o Paraná apresenta um modelo oposto: equilíbrio, investimento e previsibilidade.

Governar com dinheiro em caixa não é virtude trivial. É consequência de método.

E aqui reside um ativo político que vai além das fronteiras estaduais.

Dentro do PSD, três governadores aparecem como pré-candidatos à Presidência da República: Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. No debate interno que se aproxima, a solvência fiscal do Paraná não é apenas um indicador técnico — é argumento de credibilidade.

No caso do mandatário paranaense, os atributos eleitorais não são abstratos. Ele soma carisma, juventude, dinamismo e uma capacidade reconhecida de diálogo. Transitando entre diferentes correntes políticas e compondo consensos com sabedoria, ele conduziu o Estado a um ambiente de pacificação institucional raro na federação.

Não por acaso, mantém índices de aprovação superiores a 85% entre seus concidadãos — a maior popularidade do país.

Mas, em política nacional, simpatia não basta.

Números sustentáveis falam mais alto. Resultado consistente pesa mais que retórica. E ter transformado o Paraná na quarta economia do Brasil enquanto construiu o maior caixa livre da federação não é acaso — é método, é gestão e é entrega.

Candidatura presidencial não se improvisa. Exige estofo, densidade e lastro administrativo. Quem chega à vitrine nacional com superávit, investimento recorde e dívida negativa não apresenta promessa: apresenta prova.

Fatos são fatos. E contra eles não há argumentos.

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