Modelo Paraná é o plano de Ratinho Jr para o país

Nem sempre um projeto político nasce de uma ambição explícita. Às vezes, ele emerge silenciosamente, empurrado por números incontestáveis e legitimado por ações bem-sucedidas.
É nesse ponto da curva que se encontra o artigo assinado pelo governador Ratinho Junior, publicado no site Brazil Journal.
Não se trata apenas de uma defesa de ideias ou de uma exposição conceitual sobre o papel do Estado. O artigo é, na prática, um relatório conciso, mas abrangente, dos primeiros sete anos de governo no Paraná — e, ao mesmo tempo, um manifesto de pré-candidato. Um documento que organiza, em linha reta, visão de mundo, método de gestão e resultados entregues.
Nas últimas semanas, o governador deixou para trás a postura evasiva que sempre marcou suas respostas sobre o futuro político. As declarações se tornaram mais objetivas: se o PSD o convocar, ele estará no jogo.
O movimento coincide com um fato novo no radar nacional — pesquisas recentes indicam que ele, assim como outros três nomes do campo da direita, vence o presidente Lula em um eventual segundo turno. Uma perspectiva que, até pouco tempo atrás, simplesmente não aparecia.
Esse dado ganha ainda mais relevância quando combinado a um elemento raríssimo na política brasileira: Ratinho Junior encerra seu segundo mandato no Paraná com mais de 85% de aprovação. Um recorde de popularidade que beira a unanimidade, reflexo direto de uma gestão que entregou realizações consistentes, promoveu reformas estruturais, atraiu investimentos e reorganizou o Estado.
O que posiciona o líder paranaense hoje no cenário nacional não é um projeto eleitoral em andamento, mas o saldo concreto de uma administração que alcançou grande notoriedade e admiração porque funciona. É exatamente isso que ele registra em seu artigo, que segue abaixo reproduzido na íntegra.
Uma agenda para o Brasil
A tese de que “governar é escolher prioridades”, defendida por John Kennedy na década de 60, continua válida – e serve para ilustrar o perfil dos governos.
Alguns apostam num Estado inchado, ineficiente e pesado como forma de induzir o crescimento. Abraçam o populismo irresponsável como trampolim momentâneo, ignoram metas fiscais e abusam da imprudência contábil. Penso justamente o contrário: menos máquina pública, mais eficiência, menor interferência do governo na vida de quem produz, e crescimento contínuo com estabilidade e segurança jurídica.
É essa a fórmula que temos aplicado à risca durante nossos sete primeiros anos no Governo do Paraná. As escolhas muitas vezes são difíceis, mas o saldo final não deixa dúvida: só há um caminho. Cabe ao governante eleito decidir se trabalha para a população ou para o corporativismo de sindicatos. Escolhi a primeira opção.
Neste caminho de diminuir o tamanho do Estado adotamos como uma das nossas primeiras ações a venda da Sercomtel, uma antiga empresa pública que pertencia ao Estado e ao município de Londrina. A Sercomtel era um símbolo de ineficiência: operava no vermelho e no final do mês sempre pedia socorro ao Governo. Ora, qual a lógica de um Estado manter uma companhia de telefonia? Recebemos R$ 130 milhões numa ação muito bem sucedida.
Propus ao nosso time destravar a máquina para atrair investimentos. E desde então estivemos na B3 para conceder seis lotes rodoviários, no maior programa de modernização logística da América Latina. E aqui um ineditismo: para garantir o apetite do setor privado e fortalecer a concorrência, alinhei com a gestão federal, ainda em 2022, a união de estradas estaduais e federais. A iniciativa deu certo e somente nos seis lotes atraímos mais de R$ 60 bilhões em investimentos.
Também concedemos oito áreas que estavam inutilizadas no Porto de Paranaguá (movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, pátio de veículos, terminal de açúcar e celulose, entre outros) e o canal de acesso. Privatizamos a Copel, a Copel Telecom, e investimos em três PPPs da Sanepar para acelerar a universalização do saneamento.
Porque vemos o setor produtivo como um aliado, atuamos para derrubar todas as amarras burocráticas de licenciamentos intermináveis, e tornamos a Junta Comercial do Paraná a mais célere do Brasil. Em outra frente, o Paraná trabalha com Fundos de Investimento Agrícolas, sistemas que conectam cadeias produtivas e com uma política eficaz de benefícios fiscais que trouxe ao Estado mais de R$ 300 bilhões em investimentos da Volkswagen, Renault, Ambev, LG, Klabin, Tirol, Nissim, Electrolux, entre outros.
Outro vetor importante em que apostamos foi o corte de impostos. Fomos o primeiro estado a reduzir a alíquota do IPVA (em 45%), que se tornou a menor do Brasil quando anunciada. Os emplacamentos aumentaram 42%. Além disso, o Paraná passou a ter a menor carga tributária para empresas do Simples Nacional, e a maior isenção de produtos da cesta básica.
Essas medidas não provocaram grandes mudanças nas contas públicas porque priorizamos o corte de gastos. O Estado alcançou no ano passado seu maior patamar de investimentos públicos da história: R$ 7,1 bilhões, e tem a maior dívida negativa do Brasil. Ou seja, o Paraná tem condições de pagar toda a dívida e ainda sobrariam R$ 8 bilhões.
O Estado também conquistou o selo da Secretaria de Tesouro Nacional Capag A+, fechou o ano passado com mais de R$ 70 bilhões de Receita Corrente Líquida e tem o melhor indicador previdenciário do Brasil por quatro anos consecutivos. Essas métricas mostram que é possível aplicar uma gestão eficiente e que, no fim do dia, a máquina sai menos onerosa para o cidadão.
O PIB do Paraná vai dobrar de tamanho em termos nominais entre 2018 e 2026. Quando assumimos era de R$ 440 bilhões. Neste ano devemos bater R$ 800 bilhões.
Também passamos a ser a quarta economia do Brasil, com o maior crescimento do País no primeiro semestre de 2025 (6,1%), além dos saltos significativos no comércio internacional, com recorde de exportações e na produtividade da indústria e do agronegócio, que crescem acima da média nacional.
O Brasil tem uma população ansiosa por um novo período na nossa história, disposta a testar uma nova geração que trabalha para implementar uma gestão moderna, sem falácias. Precisamos virar a página do atraso, da ineficiência e da briga política alimentada por dois extremos que se retroalimentam.
O Paraná está pronto para ajudar o Brasil a ter desenvolvimento sustentável sem interferência estatal, até porque o mesmo John Kennedy ensinou que o “conformismo é o carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento”.
Precisamos libertar o País desse modelo fracassado e apostar num Estado menor e mais parceiro de quem gera emprego e renda.
O texto dispensa adjetivos externos. Ele próprio constrói a narrativa: menos Estado, mais eficiência; menos ideologia, mais resultado; menos retórica, mais entrega. Não é um discurso moldado para agradar bolhas nem uma peça de campanha disfarçada. É o registro de um método.
Talvez seja exatamente por isso que Ratinho Junior surge hoje como um nome competitivo na disputa pelo Palácio do Planalto. Não por ocupar palanques pelo país, mas por sair de um Estado que cresce, investe, equilibra contas, atrai capital e melhora indicadores ao mesmo tempo, agregando ainda outras qualidades indispensáveis para um presidenciável: reputação ilibada, carisma pessoal, ponderação, paciência, capacidade de articulação com diferentes forças políticas e habilidade para construir consensos.
Se este texto marca o início explícito de uma caminhada presidencial, ele nasce de um lugar incomum na política brasileira: o da gestão que antecede a ambição.
E, num país exausto de promessas, isso pode fazer toda a diferença.












Brilhante trabalho realizado no Paraná pelo seu atual Governador Ratinho Junior, o qual tem a felicidade de ter um vice-Governador também super competente, Darci Piana!