Bloco de Notas

- Guto Silva começa a atravessar a ponte
Há cenas que dizem mais do que discursos. Em Guaratuba, ao lado das obras da ponte — metáfora pronta, dessas que a política adora — Guto Silva não fez rodeios. Questionado sobre a sucessão estadual, foi direto: é pré-candidato à continuidade do projeto liderado pelo governador Ratinho Junior.
A resposta veio embalada em um discurso de estabilidade. Guto falou em grupo unido, em transformação do Estado ao longo dos últimos oito anos, em um Paraná politicamente pacificado, fiscalmente organizado e atrativo para investimentos. Nada de ruptura. A narrativa é de preservação do que funciona.
Ao lembrar sua trajetória — Planejamento, Casa Civil e agora Secretaria das Cidades —, ele se apresenta como alguém que conhece o Estado por dentro, da engrenagem fiscal à execução de políticas públicas. É o perfil do gestor que tenta se credenciar como sucessor natural.
O ponto mais revelador veio no fechamento: ele deixa a Secretaria das Cidades em abril para iniciar oficialmente essa caminhada. A ponte, ali, deixa de ser apenas obra pública e vira símbolo de transição.
- Olho Vivo: tecnologia, segurança e vitrine de gestão
Até que se inicie a campanha, Guto Silva segue na lida e entregando ações de impacto. A liberação de R$ 400 milhões a fundo perdido para a expansão do programa Olho Vivo está diretamente ligada à Secretaria das Cidades e à estratégia de fortalecimento da segurança pública em parceria com os municípios.
Antes do final de março, mais 1.500 câmeras inteligentes devem entrar em operação. No plano completo, o Paraná chegará a 26.500 câmeras integradas entre municípios, Secretaria de Segurança Pública e forças policiais. É um projeto de escala inédita, que posiciona o Estado como o mais avançado do país em videomonitoramento com inteligência artificial.
Os resultados práticos já apareceram. No litoral, o sistema ajudou a desarticular quadrilhas especializadas em roubo de veículos, identificar estelionatários, fechar pontos de tráfico e esclarecer crimes complexos. Em um dos episódios mais graves, o cruzamento de imagens e dados auxiliou na elucidação de um roubo na BR-116 que terminou com seis mortes.
O diferencial não está apenas na câmera, mas na integração de dados em tempo real entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais. Segurança pública deixa de ser promessa e vira resultado — e isso, inevitavelmente, também constrói capital político.
- Cinema nacional, aplausos oficiais e o financiamento
O filme “O Agente Secreto” ganhou dois prêmio no Globo de Ouro – melhor ator para Wagner Moura e melhor filme internacional para o diretor Kleber Mendonca Filho. E ambos, é claro, saíram derramando elogios entusiasmados para o governo Lula. Tudo dentro do roteiro já conhecido.
O dado que costuma ficar em segundo plano é o financiamento: R$ 7,5 milhões via Lei Rouanet. Recurso legal, transparente, mas altamente elucidativo. Quando o Estado banca parte significativa da produção cultural, o discurso crítico tende a ser seletivo.
O cinema nacional vive esse paradoxo há anos: proclama independência artística enquanto depende estruturalmente de dinheiro público. A militância estética convive com conforto financeiro. O aplauso, nesse contexto, não é apenas cultural — é institucional.
- “Abra o bico”, Maduro
A prisão de Nicolas Maduro reacendeu uma expectativa antiga: a de que o chavismo finalmente exponha seus bastidores. Há quem aposte em uma espécie de delação premiada continental, capaz de revelar o financiamento sistemático de partidos e lideranças da esquerda latino-americana.
O regime venezuelano, desde Hugo Chávez, sempre foi um dos pilares financeiros e políticos do Foro de São Paulo, irrigando campanhas, projetos e articulações ideológicas pelo continente. Esse dinheiro, como se sabe, nunca foi apenas petróleo e ideologia: há suspeitas recorrentes de vínculos com redes ilícitas e narcotráfico.
Se Maduro resolver falar, o estrago não será pequeno. Muitos líderes, partidos e movimentos que gravitaram em torno do chavismo certamente não estão dormindo tranquilos. O silêncio, por ora, é tenso — e profundamente revelador.
- A fortuna do ditador e a tragédia venezuelana
Ao mesmo tempo em que quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de comida, trabalho e dignidade, Nicolás Maduro acumulava uma fortuna estimada em US$ 3,8 bilhões. Aviões privados, joias, mansões e contas no exterior formam um inventário incompatível com a miséria generalizada.
A Venezuela, outrora uma das economias mais ricas da América Latina, foi devastada por um regime que destruiu instituições, dilapidou a indústria petrolífera e empurrou sua população para a fome. O povo empobreceu; a elite do poder prosperou.
É o retrato clássico do populismo autoritário: retórica social para fora, saque institucional por dentro.
- Delcy Rodríguez e o pragmatismo do poder
A queda de Maduro não levou a uma refundação democrática. Levou a um rearranjo pragmático. A vice-presidente Delcy Rodriguez, agora no comando de fato, construiu pontes silenciosas com Washington muito antes da transição.
Doações ao Partido Republicano, contatos estratégicos e alinhamento ao discurso de estabilidade renderam confiança — inclusive de Donald Trump. O objetivo americano nunca foi moralizar a Venezuela, mas garantir petróleo, previsibilidade e influência regional.
Delcy entendeu rapidamente o jogo. Ajustou o discurso, reposicionou alianças e se adaptou ao novo equilíbrio de forças. Ideologia, aqui, é apenas instrumento.
- Paraguai: o crescimento que não faz barulho
Enquanto parte da América Latina insiste em hostilizar o capital produtivo, o Paraguai seguiu pelo caminho oposto. Energia elétrica abundante e barata, impostos reduzidos, legislação trabalhista mais flexível, burocracia mínima e segurança jurídica.
O resultado é concreto: mais de 200 indústrias brasileiras cruzaram a fronteira nos últimos anos. Não apenas grandes grupos, mas também médias empresas industriais, em busca de previsibilidade e custo menor para produzir.
O Paraguai cresce sem slogans, sem messianismo e sem retórica ideológica. Apenas organiza o ambiente de negócios. E talvez seja exatamente isso que mais incomoda seus vizinhos: o sucesso obtido sem discurso redentor.
- Estatais no vermelho, cultura no azul
O Brasil vive um contrassenso cada vez mais explícito. Estatais acumulam prejuízos bilionários, pressionam o Tesouro e aprofundam o desequilíbrio fiscal. No entanto, essas mesmas empresas batem recordes de aportes via Lei Rouanet.
Não se trata apenas de política cultural. Trata-se de financiamento direto de shows, filmes, espetáculos e artistas que, em grande parte, funcionam como linha auxiliar de defesa do governo. O prejuízo fica público; o aplauso, bem remunerado.
Como é de praxe, falta dinheiro para investir e ajustar contas, sobra para sustentar narrativa e militância simbólica.
- Carnaval completo no Recanto Cataratas
O Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention preparou um pacote de Carnaval que combina lazer, gastronomia, conforto e programação temática em um dos destinos mais desejados do país.
Durante o feriado, o resort promove bloquinhos, festas carnavalescas, música ao vivo, oficinas criativas, recreação infantil monitorada e atividades lúdicas para todas as idades. Tudo isso somado a piscinas termais, áreas aquáticas infantis, espaços esportivos, atividades ao ar livre e amplas áreas de descanso.
O pacote inclui café da manhã, drink de boas-vindas, wi-fi e estacionamento gratuitos, equipe de recreação especializada, gratuidade para duas crianças de até 10 anos na mesma acomodação dos pais e parcelamento facilitado. A localização estratégica ainda permite combinar a experiência do resort com visitas às Cataratas do Iguaçu e ao Parque das Aves.
É diversão pra todos os gostos: para quem curte a folia momesca e pra quem quer sossego e descanso no verão da Tríplice Fronteira.
- O luxo também sangra
A Saks Global, controladora da Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, três dos endereços mais icônicos e chiques da Quinta Avenida em Nova York, entrou em recuperação judicial.
A crise expõe erros de gestão, aquisições mal calculadas e a ilusão de que o mercado de luxo estaria blindado contra ciclos econômicos. Mesmo consumidores de alta renda ajustam comportamento quando o ambiente se deteriora.
O luxo não vive fora da economia real. Nem o dinheiro tolera arrogância gerencial.
- STF sem freios e o plebiscito que vem aí
Fernando Schüler é um dos mais consistentes defensores da liberdade de expressão no país e um crítico atento do avanço institucional do Supremo Tribunal Federal. Para ele, é ilusório esperar autocontenção de uma Corte que não encontrou freios ao longo dos últimos anos.
Se o Senado não exerceu seu papel constitucional de controle, não há razão para acreditar em mudança espontânea de comportamento. Casos recentes reforçam a percepção de um STF que usurpa competências alheias e governa em sintonia com o Planalto, em verdadeiro condomínio de poder.
Nesse cenário, Schüler aponta que as eleições de 2026 funcionarão como um plebiscito informal sobre a atuação do Supremo. E esse julgamento inevitavelmente respinga na campanha de Lula. O desgaste da Corte vai alimentar o discurso da oposição contra o lulopetismo.











