OPINIÃO

A engrenagem do futuro entrou em movimento

Durante décadas, o Oeste e o Sudoeste do Paraná conviveram com uma contradição incômoda: produzir riqueza em escala industrial e trafegar por rodovias tratadas como acessório. Em sete meses de operação, a EPR Iguaçu começou a desmontar esse paradoxo — não com discursos, mas com presença contínua, obra executada e rotina de manutenção onde antes havia abandono.

O que se observa nesse período inicial não é um espetáculo de inaugurações nem a retórica fácil das grandes promessas. É algo mais relevante e mais duradouro: a reativação do básico. A estrada voltou a ser tratada como logística estratégica, não como herança desgastada. Antes mesmo do marco oficial da concessão, as frentes de requalificação já estavam em campo, indicando uma mudança de lógica que rompe com o passado recente: antecipar problemas, reduzir incertezas, devolver previsibilidade a quem depende diariamente dessas rodovias.

A recuperação do pavimento ao longo de centenas de quilômetros não é apenas uma melhoria física. Ela altera a percepção do trajeto. A pista regular, a sinalização refeita, a iluminação restaurada, os acostamentos recompostos e a limpeza permanente devolvem à rodovia sua função primordial: orientar, proteger e permitir o fluxo seguro de pessoas e cargas. A estrada volta a “falar” com quem dirige — e isso, em termos de segurança viária, é decisivo.

No coração desse sistema está a BR-163, corredor logístico que liga o Oeste ao Sudoeste e sustenta parte relevante da circulação de mercadorias da região. Ali, a atenção ao pavimento rígido revela um tipo de trabalho que raramente ganha destaque, mas que sustenta décadas de tráfego pesado: a recuperação criteriosa das placas de concreto, avançando de forma consistente sobre um passivo histórico que comprometia conforto e segurança.

Essa transformação não é apenas técnica; ela é percebida por quem vive a estrada todos os dias. Fernando Padilha, gerente de um posto de combustíveis em Renascença, que percorre diariamente o trajeto até Marmeleiro, resume essa mudança com a simplicidade de quem compara passado e presente sem retórica: a estrada, antes marcada por buracos e sinalização precária, hoje oferece visibilidade, orientação clara e sensação constante de cuidado. A presença das equipes ao longo da rodovia, a limpeza permanente e a manutenção contínua transformaram o trajeto rotineiro em um percurso previsível — algo raro por muitos anos nessa região.

Há também a dimensão humana da concessão, frequentemente invisível, mas essencial para entender a mudança de patamar que está em curso. Em sete meses, as equipes de socorro médico, mecânico e operacional realizaram mais de 95 mil atendimentos, distribuídos em dezenas de milhares de ocorrências. É a diferença entre a rodovia indiferente e a rodovia que responde — entre o isolamento no acostamento e a presença efetiva do serviço disponível.

Em alguns episódios, essa presença extrapola a estatística e entra para a memória viva da operação. Entre as histórias registradas nesse período estão os nascimentos de Maria Eloá e Lorenzo Gonçalves, atendidos pelas equipes da concessionária. São episódios raros, mas simbólicos: mostram que a estrada deixou de ser apenas via de passagem para se tornar também espaço de cuidado, proteção e resposta imediata.

Essa lógica de atendimento contínuo se materializa também na estrutura física colocada à disposição do usuário. As bases de Serviço de Atendimento ao Usuário, equipadas com banheiro, fraldário, água e estacionamento, reforçam a ideia de que a rodovia passou a ser acompanhada — não apenas monitorada à distância. A ampliação dessa estrutura, com novas bases em construção, indica que esse padrão não é episódico, mas permanente.

Segundo o diretor-executivo da concessionária, Silvio Caldas, o compromisso tem sido garantir experiências de mobilidade mais seguras e confortáveis. Em pouco mais de sete meses, o trabalho realizado já resultou em melhorias concretas na eficiência e na segurança das rodovias sob concessão. O trabalho continua, mas a operação já representa um marco relevante para a estrutura viária do Oeste e do Sudoeste.

Na mesma linha, o diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, observa que a concessão representa uma mudança estrutural no padrão das rodovias, sobretudo pela oferta de assistência rápida e eficiente. Para ele, o atendimento contínuo é elemento central da segurança dos usuários e da geração de impactos positivos nas regiões atendidas — uma presença que se mantém como rotina, não como exceção.

O Lote 6, sob responsabilidade da EPR Iguaçu, precisa ser compreendido dentro de um desenho mais amplo. O Paraná decidiu reorganizar sua malha rodoviária por meio de concessões que, somadas, redesenham o mapa logístico do Estado. O que se vê agora, nesses primeiros sete meses, é o início concreto dessa transformação — não como promessa, mas como chão recomposto, sinalização refeita e presença permanente.

Quando a estrada volta a falar com o futuro, o desenvolvimento deixa de ser abstração. Passa a ter pista, direção e horizonte.

Números que falam por si:

  • 78.118 ocorrências registradas (63.626 nas rodovias federais e 14.492 nas rodovias estaduais)
  • 95.174 usuários atendidos (77.706 nas rodovias federais e 17.468 nas rodovias estaduais)
  • 474 km de pavimento requalificado
  • 89,08 km de degraus entre acostamento e pista de rolamento recuperados
  • Cerca de 123.884 toneladas de massa asfáltica aplicada
  • 467.582 m² de microrrevestimento asfáltico executados
  • 443 placas de concreto recuperadas no segmento em pavimento rígido da BR-163
  • Mais de 30 km de sistemas de iluminação restaurados, com 6.753 metros de cabos implantados ou substituídos
  • 5.925 placas de sinalização implantadas ou substituídas
  • 561.766 m² de sinalização horizontal revitalizados
  • 157.198 tachas refletivas implantadas
  • Mais de 38 milhões de m² roçados
  • 320 toneladas de resíduos coletados
  • 261 pontos de ônibus revitalizados
  • 94 viadutos e trincheiras requalificados
  • 19 sistemas de juntas de dilatação recuperados
  • 5 novas bases de Atendimento ao Usuário em construção
  • 3 viaturas e 4 equipamentos de radar móvel entregues à Polícia Rodoviária Federal

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