Bloco de Notas

1 – Com motor próprio, Paraná cresce mais que o país
O Produto Interno Bruto do Paraná avançou 2,9% no acumulado dos três primeiros trimestres de 2025, desempenho superior ao PIB brasileiro no mesmo período, de 2,4%. Mais do que o número, chama atenção a qualidade do crescimento.
A agropecuária puxou a fila, com expansão de 12,8%, seguida pelos serviços (2,4%) e pela indústria (0,3%).
No total, o PIB estadual chegou a R$ 585 bilhões em nove meses e a R$ 762 bilhões em 12 meses, o equivalente a 6,1% do PIB nacional — acima da participação populacional do Estado, de 5,6%. Tradução: o Paraná produz mais riqueza do que seu peso demográfico sugere.
Para o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), Jorge Callado, os números comprovam a competência dos agentes econômicos locais, apoiados por investimentos públicos em infraestrutura e pela atração de capital produtivo privado.
Já o secretário de Planejamento, Ulisses Maia, resume o cenário com uma imagem concreta: obras por todo o Estado e mercado de trabalho aquecido. O resultado não poderia ser outro.
2 – Álvaro volta ao MDB e incentiva Ratinho a disputar o Planalto
A festa do retorno de Álvaro Dias ao MDB, em Curitiba, foi menos nostalgia e mais sinalização política.
Diante de dezenas de lideranças estaduais e nacionais, o ex-governador e ex-senador fez uma defesa enfática da candidatura de Ratinho Junior à Presidência da República. Sem rodeios, falou em equilíbrio, transformação e refundação do país — e descartou o “complexo de vira-lata” na escolha de lideranças nacionais.
Ratinho respondeu no mesmo tom, com reconhecimento e gratidão à trajetória de Álvaro, lembrando que ambos, em épocas diferentes, foram “pés vermelhos” no Palácio Iguaçu.
O gesto tem peso simbólico e prático: reforça o time político do governador no Paraná e adiciona um endosso nacional relevante a um nome que mantém aprovação superior a 85% no Estado e surge com um dos mais competitivos da oposição para destronar Lula.
3 – Chile vira à direita — e o Brasil observa
A vitória consagradora de José Antonio Kast no Chile, com mais de 58% dos votos, fecha um ano de desgaste da esquerda e de avanço das forças conservadoras na América Latina.
A Bolívia mudou de eixo após duas décadas do MAS, o Equador manteve Daniel Noboa, e a Argentina viu a base de Javier Milei crescer de forma expressiva no Congresso.
No Chile, Kast aprendeu com derrotas anteriores: moderou o discurso, focou em segurança e imigração e evitou pautas identitárias. Sua adversária herdou o desgaste de um governo com aprovação abaixo de 30%. O eleitor puniu a situação — fenômeno cada vez mais comum no mundo.
Esse vento que sopra no continente não passa despercebido por aqui. Resultados assim animam e reorganizam as forças de direita no Brasil, que já miram a eleição do ano que vem com mais entusiasmo.
4 – Toffoli e o zelo seletivo no caso Banco Master
Em mais um capítulo no caso Banco Master, o ministro Dias Toffoli retirou da CPI do INSS o acesso à quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Daniel Vorcaro, presidente da instituição.
Guardião incansável do processo do Master, Toffoli abriu, porém, uma exceção curiosa: autorizou que o senador Davi Alcolumbre tivesse livre acesso ao material.
Detalhe irrelevante? Talvez. Alcolumbre não integra a CPI. E, coincidência das coincidências, foi padrinho político do presidente da Amapá Previdência (Amprev), que investiu R$ 400 milhões em papéis do Banco Master — hoje um banco com rombo superior a R$ 12 bilhões.
Nada a explicar, nada a esclarecer. Deve ser apenas mais uma dessas coincidências estatisticamente improváveis que insistem em se repetir.
5 – O fundo verde de Lula: muito marketing, pouca floresta
Anunciado como uma das grandes entregas da COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) nasceu cercado de discurso e expectativa.
Na prática, arrecadou pouco mais de US$ 5 bilhões dos US$ 25 bilhões prometidos. A governança é nebulosa, a sustentabilidade financeira é incerta e a confiança dos investidores, escassa.
O advogado e consultor ambiental Antônio Fernando Pinheiro Pedro foi direto ao ponto: classificou o fundo como uma armadilha geopolítica, capaz de retirar soberania do país-sede da floresta. Em bom português, o risco é trocar preservação por tutela externa.
Por enquanto, o TFFF segue mais verde no PowerPoint do que na realidade.
6 – Cabide de empregos em ritmo acelerado
Desde janeiro de 2023, o governo Lula criou 4,4 mil novos cargos comissionados, levando o total a 50.770 em novembro de 2025 — recorde histórico. São 38 ministérios, contra 23 da gestão anterior.
O Planalto diz que é reorganização administrativa. Os números dizem que a máquina inchou. As despesas com pessoal saltaram de R$ 369 bilhões em 2022 para R$ 444 bilhões em 2025, com previsão de quase R$ 490 bilhões no ano que vem.
Nessa toada, o governo pode comemorar: do jeito que vai, o desemprego acaba — todo mundo empregado no próprio governo.
7 – As belezas de Foz em dose maciça de divulgação
Foz do Iguaçu recebeu uma press trip com 27 produtores internacionais de audiovisual que estavam no World Congress of Science and Factual Producers, realizado no Rio de Janeiro — pela primeira vez na América Latina.
Entre os visitantes, nomes de peso como National Geographic, Walt Disney Company, PBS Nature e France Télévision.
O roteiro passou por Itaipu, Cataratas, Marco das Três Fronteiras, Parque das Aves e outros ícones locais. A expectativa é clara: documentários, séries e reportagens levando Foz para telas do planeta inteiro. Turismo, aqui, vira narrativa global.
- Quando a comunidade se reúne, o bem dá lucro
Cascavel ofereceu na noite desta terça-feira (16) um retrato bonito da força da sua comunidade. O 1º Leilão Solidário, iniciativa conjunta da Panorama Leilões, do FC Cascavel e da Sociedade Rural do Oeste do Paraná, foi mais do que um evento: foi uma demonstração concreta de engajamento cívico e compromisso social.
A arrecadação líquida somou R$ 642 mil, valor que será dividido igualmente entre a Apae de Cascavel e o Projeto Talentos de Jesus, braço social do FC Cascavel voltado à formação humana e cidadã de crianças e jovens.
O leilão reuniu itens de peso e simbolismo: animais de genética avançada, um chapéu doado pelo cantor Daniel e camisas autografadas de grandes clubes do futebol brasileiro — Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Internacional — além do próprio time da casa. Mais do que objetos, foram gestos que encontraram eco em uma plateia disposta a transformar solidariedade em ação concreta.
“Doar faz bem”, resumiu o presidente da Apae, João Maschio, em frase curta e definitiva. Para o presidente do FC Cascavel, Valdinei da Silva, o resultado reforça o espírito da iniciativa: “É um recurso importante para contribuir com o trabalho de excelência desenvolvido tanto pela Apae quanto pelo Talentos de Jesus”. Já o presidente da Sociedade Rural, Devair Peninha Bortolato, fechou o coro com gratidão a todos que doaram, colaboraram e tornaram o evento possível.
Quando diferentes setores se unem por uma causa nobre, o resultado aparece — em números, em impacto social e, sobretudo, em exemplo. Cascavel mostrou, mais uma vez, que solidariedade também é um ativo poderoso.
9 – Menescal, a bossa nova e a IA que assombra
Aos 88 anos, Roberto Menescal segue em plena atividade, recém-chegado de uma turnê no Japão — país onde a bossa nova é tratada como joia rara. Em entrevista à revista Veja, o compositor relembra que a bossa nasceu, literalmente, na sala de estar: a casa de Nara Leão, em Copacabana, virou ponto de encontro porque ela tinha 16 anos e os pais não a deixavam sair.
Menescal é autor ou parceiro de clássicos que todo mundo já ouviu, mesmo sem saber: O Barquinho, Você, Rio, Nós e o Mar — canções que ajudaram a definir um gênero.
Mas o momento mais impactante da entrevista vem quando ele fala do futuro da música.
Segundo Menescal, hoje são lançadas cerca de 500 mil músicas por dia no mundo — metade criada por inteligência artificial. E a previsão é de ultrapassagem iminente. “Já ouço coisas melhores do que as do Jobim”, diz ele.
Quando um dos pais da bossa nova admite isso, fica claro o tamanho da revolução. É maravilhoso? É. É assustador? Também. E o futuro, ao que tudo indica, já começou a tocar.











