Bloco de Notas

- Presidenciável e cabo eleitoral
O Governo do Paraná segue contrariando a lógica da política nacional — aquela em que a rejeição costuma crescer na mesma velocidade que a paciência do eleitor diminui.
Ratinho Jr., ao contrário, vive em outra estatística. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira mostra que nada menos que 85% dos paranaenses aprovam sua administração. Em tempos de descrença generalizada, isso não é aprovação: é consagração.
A pesquisa ainda captura nuances interessantes. Entre “ótimo” e “bom”, o governo soma 62%, enquanto 28% classificam como “regular”. Apenas 9% consideram “ruim” ou “péssimo”.
Traduzindo: o paranaense olha ao redor, compara com o resto do país e conclui que poderia estar muito pior — mas está muito melhor. E está mesmo: saúde organizada, educação eficiente, segurança pública exemplar, investimentos robustos, crescimento econômico constante. Um Estado que virou vitrine nacional.
Esse tipo de aprovação não é apenas um número; é um ativo político monumental. E é por isso que, queira ou não, o governador já está na prateleira dos grandes nomes da direita para 2026.
Mesmo sem declarar candidatura, aparece em todas as pesquisas, em todas as especulações, em todas as rodas políticas — de Brasília a Curitiba.
Se for ao jogo, entra como titular; se não for, será o cabo eleitoral de luxo para fazer o sucessor.
O Paraná vai bem — e o eleitor sabe disso. Ratinho Jr. colhe o que plantou: eficiência, obra entregue e planejamento que virou resultado.
A popularidade não é acidental: é consequência.
- Congresso em pé de guerra — e o Planalto sem escudo
A indicação de Jorge Messias ao STF produziu um efeito imediato em Brasília: fez Davi Alcolumbre romper de vez com o governo.
O senador, que sonhava ver Rodrigo Pacheco herdando a cadeira de Barroso, se sentiu traído por Jaques Wagner, que atuou como porta-voz informal do “Lula já decidiu”.
O Planalto achou que era apenas mais uma disputa de bastidores.
Descobriu que era dinamite.
O clima azedou tanto que aliados falam em “rompimento sem volta”. E, quando Alcolumbre entra em modo ofensiva, Brasília treme. Ele já havia avisado: “O governo agora vai saber o que é ter o presidente do Senado contra.” O aviso não foi metáfora. Foi ameaça.
E como se não bastasse um incêndio, Lula acendeu outro ao bater de frente com o presidente da Câmara, Hugo Mota, na discussão do projeto antifacção. O governo errou no cálculo e desagradou profundamente um aliado de peso.
Resultado: Senado e Câmara — por razões diferentes — encontraram um inimigo comum no Planalto. E quando as duas Casas se unem, mesmo que por fisiologia, o Executivo encolhe.
Curiosamente, isso é ótimo para o Brasil. Em um país onde governo federal e STF caminham como um condomínio, ver o Congresso resgatando autonomia — ainda que pelas “linhas tortas” da política — funciona como um rarefeito sopro de equilíbrio institucional.
Melhor assim do que o país inteiro submetido ao poder de um só bloco.
- A farra vai voltar
Lula esteve em Moçambique nesta semana e, entre discursos sobre cooperação e integração, escancarou aquilo que mais preocupa quem ainda lembra das contas bilionárias que nunca voltaram: a intenção de reativar o BNDES como financiador de projetos em países amigos do governo.
O presidente foi claro ao defender que o banco “recupere a capacidade de financiar a internacionalização das empresas brasileiras”.
No tradutor automático da política brasileira, isso significa: o mundo vai ganhar obras; o Brasil, dívidas.
A cena reacendeu os fantasmas que o contribuinte brasileiro conhece de cor: Cuba, Venezuela, Angola, Moçambique e companhia limitada.
No passado, bilhões de dólares deixaram o Brasil com destino a regimes autoritários, sempre envolvidos em denúncias de corrupção e sempre com a promessa — jamais cumprida — de que o dinheiro voltaria. Não voltou. Nem voltará. E nunca houve cobrança real, apenas silêncio constrangido e prejuízo contabilizado.
O modelo é velho conhecido: o BNDES entra com o financiamento camarada, as obras são executadas por empreiteiras amigas do governo, as garantias são obscuras e o dinheiro evapora em passaportes diplomáticos, obras inacabadas e calotes monumentais.
É o capitalismo de compadrio em sua forma mais pura: a internacionalização não das empresas brasileiras, mas dos riscos assumidos pelo povo brasileiro.
Agora, ao anunciar novos acordos com Moçambique nas áreas de comércio, aviação, saúde e capacitação, Lula acena novamente com a promessa de financiamento externo.
É impossível não perceber a repetição do roteiro.
Quando o presidente diz que “nenhum grande país exporta serviços sem oferecer crédito”, ele esquece de mencionar que nenhum grande país empresta sem receber de volta.
Se a farra vai voltar? Todos os sinais indicam que sim. O figurino é o mesmo, os atores são os mesmos, o roteiro também — e o final, salvo milagre contábil, já sabemos de cor.
O BNDES ainda não recuperou os bilhões que sumiram na década passada. Mas parece disposto a abrir a carteira outra vez.
- A vaca de R$ 54 milhões — e o Brasil campeão do mundo onde importa
O Brasil ganhou mais um título mundial — e, para variar, não foi no futebol. A estrela da vez atende pelo nome de Donna FIV CIAV, uma vaca nelore avaliada em R$ 54 milhões, a mais cara do planeta. No leilão realizado em Foz do Iguaçu, o cantor sertanejo Murilo Huff e sua Nelore Huff arremataram 25% da matriz por R$ 13,5 milhões, dividindo a propriedade com outros três gigantes do setor.
Donna FIV não é apenas um animal de elite; é a Pelé da pecuária.
Medalha de ouro no Ranking Nacional 2024, dona de genética refinadíssima, máquina de produzir campeões. Cada cria sua é tratada como um ativo de alto rendimento — quase como ações premium do agronegócio.
Essa venda estratosférica confirma aquilo que o mundo inteiro já percebeu: o Brasil produz o melhor gado do planeta, especialmente no nelore de elite.
Nossa genética está no ponto mais alto da pirâmide global, e o mercado paga o que for preciso para ter acesso a ela. A vaca vale mais que atacante europeu — e com razão.
O leilão também mostra que artistas sertanejos estão construindo impérios paralelos no agro.
Murilo Huff entra para a galeria dos investidores que entendem que, quando se fala em nelore de elite, a conta não é feita em arrobas: é feita em milhões.
- O voto de censura que não fará o chanceler perder o sono
Belém recebeu críticas duras do chanceler alemão Friedrich Merz — e, convenhamos, nenhuma delas surpreendeu quem esteve na COP30. Falta d’água, calor sufocante, incêndio em pavilhões, hotéis com preços lunares, infraestrutura capenga. A conferência virou um safári tropical involuntário, e os jornalistas europeus correram para o aeroporto como quem foge de um micro-ondas ligado.
Merz apenas verbalizou o óbvio: ninguém quis ficar.
Mas no Brasil, criticar evento oficial virou pecado inafiançável. Resultado: o Senado decidiu aprovar um voto de censura ao chanceler alemão. Sim, o Senado — suposto reduto da liberdade de expressão — agora disputa com o STF quem censura melhor.
É o tipo de gesto simbólico que não simboliza nada. Merz não vai perder o sono, não vai pedir desculpas, não vai responder ofício. Provavelmente nem vai ler.
Enquanto isso, seguimos queimando energia com indignações protocolares que não consertam o calor de 40 graus nem fazem a água voltar a sair das torneiras.
Belém não merecia ser espancada? Claro que não. Mas tampouco merece ser blindada da realidade.
E se um voto de censura resolvesse problemas estruturais, Brasília já teria virado Suíça.
- Santa Rita, a chilena que conquistou o topo do mundo
Enquanto o Brasil tenta colocar sua vitivinicultura no mapa, o Chile sobe mais um degrau — e desta vez chegou ao topo.
A vinícola Santa Rita foi eleita a número 1 do mundo no The World’s 50 Best Wineries 2025, superando nomes históricos da Argentina, Austrália, França, Alemanha e Estados Unidos.
Fundada em 1880, com raízes que remontam ao século XVII, a Santa Rita combina terroir privilegiado, arquitetura imponente e uma história que mistura vinho e independência nacional — literalmente: a Bodega dos 120 Patriotas abrigou soldados chilenos no século XIX. Hoje, abriga enoturistas encantados com carruagens, jardins centenários e rótulos lendários.
O ranking, publicado pela Forbes Global, também coroou a vinícola como número 1 em qualidade no estudo independente da Virgin Wines.
Para quem conhece a consistência dos vinhos do Vale do Maipo, não é surpresa. Para quem conhece a eficiência chilena, menos ainda.
Já no Brasil, seguimos tentando furar o bloqueio internacional. O Vale dos Vinhedos avança, mas ainda demora para aparecer nessas listas.
Os chilenos, discretos como sempre, seguem no topo — sem espalhafato, apenas com taças cheias.
- Neymar compra Pelé — e faz um golaço fora de campo
A marca Pelé — um dos maiores patrimônios do esporte mundial — finalmente voltou para casa.
A NR Sports, empresa da família de Neymar, comprou por cerca de R$ 42 milhões os direitos de exploração que estavam nas mãos da norte-americana Sport 10.
A assinatura aconteceu no Museu Pelé, em Santos, no cenário perfeito para a repatriação.
A negociação abre espaço para um reposicionamento global da marca, agora sob comando de brasileiros e em diálogo direto com a família do Rei e com o Santos Futebol Clube.
A ideia é recuperar valor, ampliar presença, revitalizar produtos e fazer com que “Pelé” volte a significar exatamente aquilo que sempre significou: excelência.
E aqui cabe a ironia inevitável: se dentro de campo Neymar anda devendo, fora dele acertou um golaço.
Um gol de placa, desses que até o próprio Rei levantaria da arquibancada para aplaudir.
Preservar a marca Pelé é preservar memória, história e identidade nacional.
Pela primeira vez em anos, o legado do maior de todos os tempos está novamente sob tutela brasileira. Demorou — mas voltou para casa.
- Muffato coloca um pé dentro do Assaí — e o varejo inteiro prende a respiração
A família Muffato — não o grupo empresarial, mas os irmãos Ederson e Everton — acaba de adquirir 10% do Assaí, a segunda maior rede de varejo alimentar do país.
Um movimento silencioso, estratégico e, claro, cheio de simbolismo. Comprar participação relevante de um concorrente direto não é gesto inocente. É sinal.
O investimento, por enquanto, é “apenas financeiro”. Mas o mercado não nasce ontem.
Quando gigantes colocam um pezinho dentro da operação rival, o tabuleiro inteiro se mexe. E, no caso, mexe pesado: o Assaí deve faturar R$ 86 bilhões neste ano; o Grupo Muffato ultrapassou R$ 17 bilhões em 2024; e o setor vive redesenho completo após o fechamento de capital do Carrefour e os tropeços do Grupo Mateus.
Também não se trata de um ativo qualquer: o Assaí tem 306 lojas, capital pulverizado e espaço enorme de expansão. E o Muffato, depois da compra de lojas do Makro, segue avançando inclusive na capital paulista — território historicamente complexo para redes paranaenses.
Ninguém fala em fusão ou aquisição — e nem precisa. O que importa é o recado: os Muffato agora estão sentados na mesa que decide o futuro do varejo alimentar brasileiro.
E, quando isso acontece, o mercado observa — em silêncio, mas de olhos bem abertos.
- Fogo no Planalto: o Congresso derruba 52 vetos de Lula
Se Alcolumbre prometeu turbulência, o Congresso entregou tempestade. Em uma reação rara pela contundência, deputados e senadores derrubaram 52 vetos de Lula à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental — uma demonstração explícita de força institucional e, principalmente, de impaciência com a política ambiental ideológica do governo.
A Frente Parlamentar da Agropecuária comemorou a vitória como quem retoma o bom senso.
A narrativa de que a lei “fragiliza” o meio ambiente caiu por terra. O texto não retira poder dos órgãos reguladores, não libera devastação, não destrói áreas sensíveis.
O que ele faz — finalmente — é acelerar processos, reduzir a burocracia asfixiante e impedir que licenças fiquem reféns de militância ecoxiita.
O país não pode continuar perdendo bilhões em investimentos por causa de pareceres eternos.
É por isso que especialistas do setor produtivo chamam a nova legislação de moderna, equilibrada e necessária.
Ela tira o licenciamento ambiental das mãos da paralisia e o devolve à racionalidade. Não é um cheque em branco. É simplesmente o que o Brasil precisava para crescer sem pedir desculpas.
A reação do Congresso também é um recado claro ao Planalto: acabou a lua de mel.
E aquilo que Alcolumbre prometeu — “o governo vai saber o que é ter o presidente do Senado contra” — agora está materializado em votações.
O licenciamento ambiental deixou de ser pauta ideológica; virou símbolo de um Legislativo ativo, independente e disposto a governar onde o Executivo falha. Que venha para ficar.











