OPINIÃO

Caminho aberto para escapar do cerco chinês: as Free Zones dos Estados Unidos

O avanço chinês sobre o Brasil já não é uma tendência — é uma realidade que se impõe com força crescente. Os produtos chineses ocupam cada vez mais espaço no varejo e no atacado nacionais, enquanto a indústria brasileira, sem competitividade e sem incentivos, perde espaço dentro do próprio país.

Para completar, o governo decidiu dificultar justamente o acesso ao mercado que mais agrega valor às exportações brasileiras: os Estados Unidos. A constatação é do consultor Carlo Barbieri, presidente do Grupo Oxford, sediado na Flórida, a maior organização de empresas de consultoria especializada há mais de 40 anos em orientar brasileiros que desejam investir, empreender ou estruturar operações no mercado americano.

Ele participou do Enaex 2025, no Rio de Janeiro, e apresentou uma avaliação objetiva e direta desse quadro.

No encontro, o Ministério da Indústria e Comércio e o BNDES confirmaram que, pelas regras adotadas pelo governo federal para minimizar os efeitos do tarifaço imposto por Trump, está proibido usar recursos públicos para fomentar exportações para os EUA ou financiar a expansão de empresas brasileiras naquele país.

É uma limitação que se impõe justamente quando a China avança estrategicamente sobre o Brasil, expandindo sua presença comercial e aproveitando a vulnerabilidade da indústria nacional.

Enquanto o país perde fôlego lá fora, abre espaço aqui dentro para produtos estrangeiros de baixo custo, aprofundando um ciclo de dependência que já compromete setores inteiros da economia.

Barbieri aponta, porém, uma saída que funciona na prática e independe da oscilação política brasileira: as Free Trade Zones dos Estados Unidos.

Essas zonas especiais oferecem redução de custos operacionais e alfandegários, permitem montagem e processamento em solo americano, garantem segurança jurídica e abrem acesso direto ao maior mercado consumidor do mundo — tudo sem os entraves burocráticos e financeiros que hoje dificultam a vida de quem tenta exportar a partir do Brasil.

Em vez de esperar incentivos internos que não virão, a empresa brasileira pode estabelecer presença direta nos EUA com agilidade, previsibilidade e competitividade real contra a indústria chinesa.

Nesse cenário, a Free Trade Zone do Porto Manatee, na costa oeste da Flórida, destaca-se como uma solução especialmente estratégica. Sua localização privilegiada, sua logística ágil e sua flexibilidade regulatória transformaram o porto em uma plataforma eficiente para operações industriais, comerciais e de distribuição.

É ali que o Grupo Oxford administra um hub voltado exclusivamente para apoiar empresários brasileiros — desde a habilitação na zona franca até a estruturação societária, o planejamento tributário, o compliance e a condução operacional.

Com mais de quatro décadas de experiência dentro do ambiente econômico americano, a Oxford domina os mecanismos que tornam essa porta de entrada mais competitiva e segura.

Na avaliação de Barbieri, continuar preso à dependência da China e, ao mesmo tempo, dificultar o acesso ao mercado americano é desperdiçar a oportunidade de reposicionar a indústria brasileira no cenário global.

Num mundo marcado por disputas econômicas intensas, quem não se move perde posição.

E, hoje, as Free Zones representam justamente esse movimento necessário: uma alternativa promissora para que o Brasil volte a competir antes que se transforme, definitivamente, apenas em consumidor daquilo que os outros produzem.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo