OPINIÃO

Bloco de Notas

  1. Quando o vinho fala duas línguas: da talha alentejana às taças da Toscana

O Alentejo voltou a vestir sua toga romana para celebrar um dos rituais mais antigos do mundo do vinho: o Vinho de Talha. Neste sábado (15),
a Herdade do Rocim recebeu produtores de Portugal, França, Espanha, Geórgia, Chile e Itália para o Amphora Wine Day, evento que já se tornou uma espécie de peregrinação anual dos que entendem que há mais poesia numa ânfora de barro do que em muitas bibliotecas. O método, intacto há mais de dois mil anos, transforma o Alentejo no guardião contemporâneo de um segredo que sobreviveu a guerras, impérios e modismos enológicos.

Se as ânforas revelam o passado, a Toscana chega para temperar o futuro. A partir de 2026, os vinhos da Bocelli Wines — produzidos desde 1831 pela família do tenor Andrea Bocelli — desembarcam no Brasil. Serão quatro rótulos distribuídos exclusivamente nos restaurantes do Attivo Group, em São Paulo. A estreia terá jantar no Rosewood com a presença do próprio tenor, provando que certas harmonias não se limitam ao palco: algumas também se servem em taças.

  1. O STF e a diplomacia da impunidade

Dias Toffoli voltou a movimentar o xadrez jurídico continental ao anular todas as provas da Odebrecht contra a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia.

Condenada com o marido, Ollanta Humala, a 15 anos de prisão, Heredia fugiu para a Embaixada brasileira em Lima e foi transportada ao Brasil por ordem direta de Lula — de quem é amiga. Agora, graças ao STF, está blindada contra qualquer cooperação internacional que use documentos da Lava Jato.

É a mesma lógica que beneficiou o próprio Humala, João Vaccari Neto e tantos outros. No Brasil, corruptos não apenas encontram refúgio, mas ganham um kit completo: proteção jurídica, narrativa conveniente e tempo para reorganizar o passado.

A decisão confirma aquilo que o mundo político já percebeu: aqui, a impunidade não é um desvio — é uma política de Estado.

  1. O jornalismo que edita a verdade

A BBC, antes referência global, agora é protagonista de um caso didático sobre o jornalismo engajado.

A emissora editou partes de dois discursos distintos de Donald Trump para sugerir que ele havia incitado a invasão do Capitólio. O truque só veio à tona graças a uma investigação externa — e a repercussão obrigou o diretor-geral e a CEO de Notícias a renunciarem.

Não foi a primeira vez. A CBS já havia mutilado uma entrevista de 90 minutos de Trump, exibindo apenas 28 — e pagou caro por isso.

O problema não é Trump: é a convicção de que jornalistas podem se colocar acima das regras do ofício em nome de uma suposta “defesa da democracia”.

Quando a militância assume a edição, o jornalismo morre. E qualquer semelhança com o que ocorre no Brasil não é coincidência — é método.

  1. A matemática sombria dos homicidas soltos

A série “Tremembé” reacendeu um tema que assombra o país: quantos assassinos estão soltos?

Considerando apenas os homicídios cometidos neste século, são 1,2 milhão. Presos em regime fechado: cerca de 360 mil. Mesmo arredondando homicídios para baixo e presos para cima, sobra meio milhão de criminosos não encarcerados — e essa conta ainda é otimista.

Há crimes cometidos por vários autores, assassinos reincidentes, facções que matam seus próprios soldados, mortes naturais e um sistema penal que trata progressão de regime como brinde.

Seja qual for o cálculo, a resposta é sempre monstruosa: entre 300 mil e 1 milhão de assassinos soltos.

A probabilidade maior é a última. O Brasil parece empenhado em comprovar, com estatísticas, que o crime compensa.

  1. O supercarro que custa US$ 20 milhões — e ainda é só uma ideia

Gordon Murray, o gênio por trás do McLaren F1, apresentou o S1 LM, um supercarro que pode alcançar 20 milhões de dólares antes mesmo de ser montado.

O leilão em Las Vegas permitiu ao comprador cocriar o carro diretamente com a equipe da Gordon Murray Automotive — um privilégio tão raro quanto o próprio V12 Cosworth de 700 cv que equipará a máquina.

Pesando menos de uma tonelada, com câmbio manual de seis marchas e engenharia pensada para sensações puras, o S1 LM é um manifesto contra a pasteurização eletrônica dos carros modernos.

O leilão ainda arrecadou fundos para a amfAR, provando que, às vezes, velocidade e solidariedade dividem o mesmo asfalto.

  1. Tornados: um velho visitante do Paraná

O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu reacendeu um episódio esquecido: em 1959, um fenômeno igualmente violento arrasou Palmas, União da Vitória e Canoinhas.

Casas arrancadas, centenas de feridos, até 90 mortos — e um locomóvel de cinco toneladas arrastado por mais de 40 metros.

Tudo isso décadas antes de radares meteorológicos, quando tragédias eram registradas apenas como “vendavais”.

O episódio recente coloca o Paraná novamente entre os estados mais afetados por tornados — já são pelo menos dez eventos significativos nas últimas décadas.

A lembrança serve como antídoto ao catastrofismo de ocasião: fenômenos extremos sempre existiram.

A diferença é que hoje temos fotos, vídeos e narrativas ansiosas para transformar cada tempestade num manifesto climático.

  1. A fuga dourada de Nova York para Miami

A eleição do socialista Zohan Mamdani para a prefeitura de Nova York acendeu o alerta vermelho no mercado imobiliário de luxo.

Suas políticas declaradamente anti-milionários, que incluem aumento de taxas e um discurso hostil à elite econômica, provocaram um movimento imediato: já há uma nova onda de nova-iorquinos endinheirados comprando imóveis em Miami.

O CEO do Related Group relata que, só na última semana, vendeu seis unidades em West Palm Beach para executivos temerosos da guinada ideológica.

O dinheiro não gosta de hostilidade — e muito menos de ser tratado como inimigo político. Migra silenciosamente, mas leva com ele empregos, investimentos e prosperidade. Miami entende isso melhor do que Nova York quer admitir.

  1. A Bolsa fala: estagnação política, alta econômica

O Ibovespa ultrapassou 158 mil pontos, embalado por duas forças distintas: o otimismo global com empresas de inteligência artificial e a estagnação de Lula nas pesquisas. Investidores perceberam que o cenário eleitoral está mais competitivo, com nomes da direita encostando no presidente — o que reduz riscos e melhora expectativas.

A leitura é simples: mercados detestam incerteza, mas apreciam alternativas.

E quando a política emperra, a matemática aparece. O Brasil pode parecer anestesiado, mas a Bolsa não está dormindo no ponto. Ela já começou a precificar 2026.

  1. Quando uma reforma tributária é bem-sucedida

A Itália fez a lição de casa: cortou impostos, simplificou faixas, reduziu a carga para a classe média e, como resultado, viu a arrecadação aumentar e o emprego chegar ao maior nível da história.

Foram 16 bilhões de euros acima do esperado entre janeiro e julho. É o tipo de reforma que cumpre sua função: incentiva produção, rende mais e aquece a economia.

O Brasil fez o oposto. Sob o pretexto de simplificação, aprovou uma reforma tributária que especialistas — de economistas a tributaristas — descrevem unanimemente como um aumento disfarçado de impostos.

Um tiro pela culatra: promete ordem, mas entrega confusão; promete neutralidade, mas prepara a conta para quem produz. Enquanto a Itália abre caminhos, o Brasil pavimenta um labirinto.

  1. Com “bonde digital”, Paraná reafirma protagonismo na inovação

O Paraná será o primeiro estado da América do Sul a testar o Bonde Urbano Digital (BUD), um veículo guiado por indução magnética sobre o asfalto, dispensando trilhos e reduzindo drasticamente o custo de implantação.

A rota experimental entre Pinhais e Piraquara percorrerá 10 quilômetros sobre um “trilho virtual” formado por sensores de alta precisão instalados no pavimento.

Com capacidade para 280 passageiros, o BUD combina a eficiência de um VLT com a flexibilidade do BRT, criando uma solução de mobilidade moderna, elétrica e elegante. É mais um capítulo do estado que fez do termo “inovação” uma política de governo — e não um slogan vazio.

  1. Rio Bonito do Iguaçu: reconstruir a cidade e proteger a solidariedade

Após a devastação que destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu, surgiram falsos sites de arrecadação tentando lucrar com a tragédia. O secretário Guto Silva acionou a Polícia Civil para investigar os autores e divulgou os canais oficiais de doação, entre eles:

Doações oficiais:

  • PIX (CNPJ): 28.229.473/0001-85
  • Banco: 041 – Banpará
  • Agência: 0001
  • Conta corrente: 123456-7
  • Site oficial: www.sosriobonito.pr.gov.br

Além disso, Guto instalou o Escritório de Reconstrução Acelerada, responsável por coordenar a construção de 320 casas emergenciais, recuperar a infraestrutura e garantir que cada doação chegasse ao destino correto.

Reconstruir uma cidade exige força, mas também vigilância: tragédias atraem solidariedade — e oportunistas.

  1. A seletividade da Casa Branca na redução do tarifaço

Trump anunciou um corte amplo de tarifas sobre alimentos importados — café, bananas, frutas, carnes — beneficiando diversos países produtores, com tratamento preferencial para Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador.

São acordos que, por um lado, ampliam o acesso americano a esses quatro mercados e, por outro, devem reduzir preços internos nos Estados Unidos, que vinham gerando críticas ao republicano.

Para essas nações, as taxas vão encolher drasticamente.

Para o Brasil, não. A tarifa recíproca caiu apenas de 50% para 40%. Uma redução que atendeu unicamente os interesses e necessidades do governo norte-americano.

Não houve nenhum entendimento para a pacificação das relações políticas e econômicas entre Washington e Brasília, como a diplomacia do Itamaraty tenta vender.

A lição é cristalina: política externa não se resolve com simpatias, fotos sorridentes ou encontros protocolares.

Nada mudou. A “química” entre Trump e Lula segue em banho-maria.

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