OPINIÃO

Nova York, aquela que nunca dorme, cochilou

Eternizada por Sinatra como a cidade que pulsa 24 horas por dia, Nova York parece ter fechado os olhos por um instante decisivo.

A mesma metrópole que acordou para o século XXI sob o escombro das Torres Gêmeas, derrubadas por terroristas islâmicos em 11 de setembro de 2001, acaba de escrever um capítulo que desafia a lógica, a memória e a própria noção de civilização ocidental.

A leitura é de Alexandre Borges, autor de um artigo brilhante publicado em O Antagonista, e é difícil não reconhecer a ironia monumental que ele expõe.

A maior cidade do mundo livre elegeu Zohran Mamdani, socialista de 34 anos, muçulmano praticante, moldado na elite intelectual progressista americana.

Filho de um professor da Universidade Columbia que defende que homens-bomba devem ser tratados como soldados e de uma cineasta engajada, Mamdani representa uma geração educada nas universidades mais prestigiosas do país, mas que abraçou a narrativa segundo a qual o terrorismo seria parte de uma luta legítima e o Ocidente, o culpado universal.

A contradição é gritante — e Borges a descreve com precisão cirúrgica: a cidade símbolo do ataque jihadista mais emblemático da história moderna acaba de colocar na prefeitura alguém que se recusa a condenar o Hamas, responsabiliza Israel pelo massacre de 7 de outubro e acusa o único Estado judeu do mundo de genocídio.

Sua eleição é, nas palavras do articulista, a consagração política de um extremista que rejeita a própria civilização que lhe deu voz e oportunidade.

O histórico de Mamdani não deixa margens à dúvida.

Ainda estudante, fundou um grupo que glorifica o Hamas e difunde o lema “Do rio ao mar”, que prega a eliminação de Israel.

Durante a campanha, recusou-se a reconhecer Israel como Estado judeu e abraçou causas radicais defendidas pelos Socialistas Democráticos da América, organização à qual pertence: da abolição da polícia e das prisões à estatização de empresas privadas, passando pelo voto para imigrantes ilegais e por políticas de gênero para menores sem consentimento dos pais.

Mas o pior ainda está por vir.

Mamdani quer implementar um pacote de propostas utópicas — comunistas em sua essência — que fariam tremer até uma metrópole rica como Nova York, símbolo maior do capitalismo americano: congelamento dos aluguéis por quatro anos, ônibus gratuitos e criação de supermercados municipais com preços artificialmente baixos, só para citar algumas das mais temerárias.

Não é preciso lembrar que são medidas que não deram certo em nenhum lugar do planeta e que, somadas, não apenas inviabilizariam financeiramente a cidade, mas a conduziriam, com eficiência soviética, ao colapso econômico certo.

O ambiente ao redor não é menos alarmante.

Em 2024, Nova York registrou 345 crimes de ódio contra judeus — mais do que todas as outras categorias somadas. Em média, um ataque antissemita a cada 25 horas.

Cinco meses antes da eleição, Washington testemunhou o assassinato do casal judeu Yaron Lischinsky e Sarah Lynn Milgrim, funcionários da embaixada de Israel, mortos ao sair de um evento no Museu Judaico por um extremista que gritou “Palestina livre” antes de abrir fogo. O FBI classificou o caso como terrorismo antissemita. As vítimas trabalhavam pelo diálogo e pela paz; eram tudo o que seus algozes rejeitam.

Nesse cenário, a cidade mais judaica do planeta escolheu para governá-la um político que relativiza o terrorismo, normaliza discursos de ódio e flerta com movimentos que defendem o fim de Israel e da própria civilização ocidental.

Borges cita Huntington, Lasch e Houellebecq para mostrar que o fenômeno não é casual: trata-se da revolta das elites contra os pilares morais que as formaram.

Mamdani, diz ele, é o símbolo dessa rendição voluntária — um privilegiado que trabalha para demolir a ordem que o elevou.

Nova York sobreviveu ao maior ataque terrorista da história. Agora, porém, pegou as chaves do seu próprio futuro e as entregou justamente a um extremista islâmico, defensor de um projeto político que contraria os princípios que transformaram a cidade em referência de inovação, prosperidade e progresso.

O que virá dessa escolha, ninguém sabe — mas o risco já está contratado.

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