Exportadores paranaenses mostram que há vida além do tarifaço

Nem o tarifaço norte-americano — aquele coquetel indigesto de sobretaxas sobre produtos brasileiros — conseguiu abalar a vitalidade exportadora do Paraná.
De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Estado exportou US$ 2 bilhões em outubro, um crescimento de 3,53% em relação ao mesmo mês de 2024, quando as vendas externas somaram US$ 1,94 bilhão.
O avanço é expressivo não apenas pelos números, mas pelo contexto.
As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, que incidiram sobre diversos produtos paranaenses, reduziram em 49% o volume de exportações para o mercado americano. Ainda assim, o Paraná reagiu — e bem. Ao invés de lamentar, ampliou horizontes. As vendas para a Espanha cresceram 189%, para as Filipinas 181%, para a Arábia Saudita 110%, para o Irã 44,8% e para a China 35%.
No campo dos produtos, a diversificação também é a palavra de ordem.
Os maiores aumentos foram registrados nos derivados de petróleo (+295,9%), açúcar bruto (+76,8%), celulose (+62,3%), cereais (+55,5%) e café solúvel (+39,7%). Este último é um exemplo emblemático: mesmo com uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos — um dos principais compradores do produto — o Paraná conseguiu ampliar sua presença em outros mercados. A Rússia, que importou US$ 8,52 milhões em outubro, ultrapassou os próprios americanos, que compraram US$ 5,42 milhões.
Para o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, o desempenho comprova a competência e a visão estratégica dos exportadores paranaenses, sustentados por políticas consistentes do governo estadual. Ele destaca que há hoje no Paraná um consenso sobre a importância das exportações como motor do crescimento, o que explica a união de esforços entre o setor público e a iniciativa privada para enfrentar o cenário internacional adverso.
O secretário do Planejamento, Ulisses Maia, reforça que exportações em alta significam mais produção, mais empregos e mais renda — sinais concretos de uma economia sólida, que se traduz no bolso do cidadão paranaense.
Esse resultado, em meio à turbulência global, é também reflexo direto do protagonismo do governo Ratinho Jr., que tem se mostrado um aliado permanente do setor produtivo na abertura de novos mercados e no apoio à diversificação das cadeias exportadoras.
O Paraná colhe agora os frutos de uma estratégia amadurecida, que transformou resiliência em método e inovação em rotina.
Enquanto isso, na diplomacia, seguem as reações químicas. Trump disse ter sentido “química” no encontro com Lula durante a ONU; o brasileiro, entusiasmado, promoveu o sentimento a “petroquímica”. Passado o encantamento, o produto dessa mistura parece ter azedado — e as tarifas continuam exatamente onde estavam.
O Paraná, porém, não vive de experimentos. Trabalha, exporta e diversifica.
E prova, mais uma vez, que o segredo para atravessar tempestades é simples e antigo: não colocar todos os ovos na mesma cesta.











