OPINIÃO

Bloco de Notas

1 – Comunicação exemplar em meio à tragédia

A jornalista Martha Feldens, do portal Bem Paraná, chamou atenção para um aspecto raramente lembrado quando o caos de uma tragédia domina o noticiário. Ao escrever sobre o tornado que praticamente destruiu Rio Bonito do Iguaçu, ela observou que, além do heroísmo previsível dos bombeiros, da Defesa Civil e das equipes de resgate, houve outro serviço público que funcionou exemplarmente: a comunicação do Governo do Paraná.

A cobertura foi tão eficiente quanto o próprio socorro às vítimas. Cerca de 50 profissionais da Secretaria de Comunicação e de diversos órgãos estaduais atuaram sem descanso desde as primeiras horas, produzindo e distribuindo informações corretas e em tempo real — fotos, vídeos, boletins e relatórios — que mantiveram a população bem informada, num momento em que a energia, a telefonia e a internet haviam colapsado.

A coordenação, comandada pelo secretário Cleber Mata, evitou boatos, exageros e alarmismos. Tudo foi feito com precisão, transparência e respeito à verdade, como destacou Martha Feldens em sua crônica sensível e justa. Comunicação pública, afinal, também é um serviço essencial — e o Paraná mostrou que sabe exercê-lo com competência e humanidade.

2 – O Presidente e a Primeira-Ministra

A COP30, em Belém, não é apenas palco de discursos climáticos e promessas verdes. Também serve de vitrine para mais uma encenação do casal presidencial. Nos atos solenes, Janja tem lugar cativo ao lado de Lula, na primeira fila, à frente dos presidentes da Câmara, do Senado e até do Supremo Tribunal Federal. Nenhum cargo, nenhuma função pública — apenas o prestígio doméstico transformado em cadeira de Estado.

A “lua de mel institucional” vem se repetindo em todas as sessões oficiais, nas quais ministros ficaram relegados a um segundo plano. O simbolismo é gritante: o país virou uma espécie de coabitação de poder, em que o presidente fala e a primeira-dama pontua com o olhar.

Na COP do clima, o Brasil mostra ao mundo que vive sob o aquecimento global do ego presidencial. Um governo de dois, sem pudor nem protocolo — o Presidente e Sua Primeira-Ministra.

3 – Mão de obra que reconstrói e redime

Logo após o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, o governador Ratinho Junior anunciou uma medida prática e inspiradora: usar mão de obra carcerária na reconstrução das escolas, creches e unidades da Apae atingidas pela tragédia. A decisão envolve internos do regime semiaberto, com bom comportamento, que participam do programa Mãos Amigas, voltado à reinserção social de detentos por meio de serviços comunitários.

Os presos trabalham na limpeza, na remoção de entulhos e na recuperação dos prédios, sob supervisão da Polícia Penal. A cada três dias de trabalho, um dia a menos na condenação. Um incentivo justo e civilizado.

O Paraná é pioneiro nesse modelo de parceria entre o sistema prisional e o educacional — uma combinação que gera resultados concretos e dignidade. Na tragédia, a reconstrução das escolas e das vidas andam de mãos dadas. Literalmente.

4 – O paradoxo verde da COP

Ausente da COP30, mas presente como sempre nas manchetes, Donald Trump resolveu debochar do evento. Em sua rede, a Truth Social, acusou o governo brasileiro de devastar a Amazônia para construir a Avenida da Liberdade, uma rodovia de 13 quilômetros aberta especialmente para dar acesso à conferência.

Segundo a Fox News, cem mil árvores foram derrubadas. A ironia é irresistível: a cúpula que prega o fim do desmatamento nasceu de motosserra em punho.

Trump, que não perde uma chance de ridicularizar o ambientalismo de vitrine, acertou o alvo. O resultado é um retrato fiel do que se tornou a política ambiental global — uma estrada asfaltada de contradições.

5 – 130 anos de amizade e gratidão

A Assembleia Legislativa do Paraná celebrou os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão, em sessão proposta pela deputada Maria Victoria (PP) e pelo deputado Jairo Tamura (PL).

A data marca o primeiro tratado de amizade, comércio e navegação firmado entre os dois países, em 5 de novembro de 1895, em Paris.

Em seu discurso, Maria Victoria destacou a influência japonesa na construção de Maringá, sua cidade natal, “moldada com o auxílio de mãos japonesas”. E lembrou a lei de sua autoria que criou o Roteiro Turístico da Imigração Japonesa no Paraná, voltado à preservação da cultura e à geração de renda pelo turismo.

A solenidade foi coroada pela abertura da exposição “80 Anos de Hiroshima e Nagasaki – Inspirando a Cultura da Paz”, no Espaço Cultural da Assembleia, aberta ao público até 19 de novembro.

Mais do que um ato protocolar, uma celebração sincera de uma amizade que resistiu ao tempo e ajudou a construir o Paraná.

6 – Quando o petismo morde o próprio rabo

O PT está em crise de identidade monetária. Depois de demonizar Roberto Campos Neto por manter os juros altos, agora precisa engolir um companheiro no comando do Banco Central que faz exatamente o mesmo.

Gabriel Galípolo, o queridinho de Fernando Haddad, resolveu não brincar com a inflação. E por isso foi alvejado pela própria tropa, inclusive por Gleisi Hoffmann, que o acusou de “deixar a desejar”.

Os petistas queriam um militante com caneta, não um técnico com juízo. Mas Galípolo percebeu que economia não se governa por decreto nem por narrativa. Resultado: juros em 15% e silêncio constrangido no Planalto.

No fundo, o novo presidente do BC apenas confirmou o que o antigo já dizia: às vezes, o maior inimigo do petismo é o bom senso.

7 – O trunfo popular de Ratinho Jr.

Se o governador Ratinho Junior decidir disputar a Presidência em 2026, levará consigo um ativo raro: um pai que fala com o Brasil real.

Carlos Massa, o Ratinho, é mais do que um apresentador popular — é um comunicador nato, dono de uma linguagem que atravessa classes e sotaques. Seu público, majoritariamente das classes C, D e E, vê nele um igual. Essa ponte emocional é o que falta a quase todos os políticos.

No Nordeste, onde Lula reina por identificação, o carisma de Ratinho pode ser o diferencial que nenhum marqueteiro fabrica. O pai fala o que o filho governa: o mesmo idioma direto, simples e convincente.

Na política, como na TV, quem conquista o coração do povo já venceu meio debate. Ratinho é, sem dúvida, o cabo eleitoral de luxo que qualquer candidato gostaria de ter.

8 – Trump não é para amadores

Depois do “esbarrão” de 39 segundos entre Lula e Donald Trump na ONU, seguido de videoconferência e encontro na Malásia, o presidente brasileiro saiu anunciando ao mundo que a “química” com o republicano resolveria o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras.

Passaram-se semanas e… nada. As negociações empacaram, as reuniões foram adiadas e o entusiasmo virou silêncio diplomático. Lula acreditou que bastaria simpatia para derrubar barreiras econômicas — e descobriu que, com Trump, química não paga imposto.

Nos bastidores, Washington segue de olho nos minerais críticos e em vantagens sobre terras raras brasileiras. Já no campo político, pairam as sanções americanas contra ministros do STF, por causa da perseguição a Jair Bolsonaro.

A novela das tarifas segue sem final feliz — e o capítulo mais recente mostra Lula reclamando em público, na COP, das “pressões indevidas” do ex-aliado de ocasião. Entre afagos e farpas, o romance diplomático azedou.

9 – De 145 para 5: milagre homologado

Mais um capítulo do desmonte moral da Lava Jato. O ex-diretor da Dersa, Paulo Preto, condenado a 145 anos de prisão, teve sua pena reduzida para pouco mais de cinco anos — em regime semiaberto.

O engenheiro, acusado de desviar R$ 7,7 milhões das obras do Rodoanel de São Paulo e de beneficiar até empregadas domésticas da família com imóveis da CDHU, agora poderá voltar à vida quase normal.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região absolveu-o de parte das acusações e suavizou o restante, em decisão unânime.

A cada semana, uma nova “revisão humanitária” ressuscita personagens do passado. A Lava Jato vai sendo desmontada tijolo por tijolo, num processo de canonização coletiva dos outrora vilões da República.

Se continuar assim, em breve faltará cela — mas só para os que ousarem investigar.

10 – O arauto da moralidade

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no Mensalão, o ex-ministro José Dirceu voltou à cena com um discurso inflamado sobre a “corrupção da democracia”. Em palestra recente, denunciou as emendas impositivas como um escândalo que “corrompe o processo eleitoral”.

Difícil saber se o público riu ou aplaudiu. No vídeo divulgado por ele mesmo, Dirceu critica a destinação de “R$ 52 bilhões para deputados”, chamando o sistema de “corrupção das eleições”.

Ironia suprema: foi exatamente isso que o STF, no acórdão da Ação Penal 470, registrou sobre ele — que chefiava uma organização criminosa que desviava recursos públicos para comprar votos no Congresso.

Ou seja, o homem que ajudou a corromper a democracia agora se apresenta como seu guardião. O crime compensa, mas a memória — essa, sim — parece ter prescrição instantânea.

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