Lula mostrou, de vez, de que lado está

Para surpresa de ninguém, Lula quebrou o silêncio e veio a público para classificar como “matança” a megaoperação policial que enfrentou o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Até que demorou. A fala, tardia e enviesada, soou como o gesto previsível de quem há muito se habituou a enxergar criminosos como vítimas e o Estado como algoz. Em tempos de exaustão coletiva diante da violência, foi uma confissão política — e moral — de autossabotagem.
Os números falam por si: 117 criminosos abatidos, mais de 90 suspeitos presos, nenhum civil inocente identificado entre os mortos. Do outro lado, quatro policiais tombados. Foi uma ação dura, planejada e necessária para reconquistar territórios há muito sequestrados pelo tráfico. E, no entanto, o presidente da República preferiu lamentar o destino dos criminosos, não o sacrifício dos agentes que arriscaram — e perderam — a vida para restaurar a lei. Chamou de “matança” o que, para a ampla maioria da sociedade brasileira, foi um raro lampejo de autoridade.
A reação popular comprova o descompasso entre o Palácio do Planalto e o país real. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 60% dos fluminenses reprovam a política de segurança do governo Lula, e 64% aprovam a megaoperação, aplaudindo a retomada dos territórios dominados pelo crime. Para 73% dos entrevistados, ações semelhantes deveriam ser ampliadas. São números que gritam: o povo não quer condescendência — quer coragem. Mas Lula insiste em chamar bandido de “vítima” e, por extensão, em tratar o cidadão de bem como suspeito.
A ironia é que até o ministro Alexandre de Moraes, visto como inimigo pela direita, surge neste episódio como o contraponto sensato. Atual relator da ADPF das Favelas — antes sob a guarda de Barroso —, Moraes já se posicionou em diversas ocasiões pela necessidade de garantir às polícias condições reais de atuação. Ele, que foi promotor e secretário de Segurança Pública em Dão Paulo, sabe o que é enfrentar o crime fora da bolha ideológica. Lula, não. A diferença é que o magistrado do STF fala em combater o crime com rigor; o presidente, em apurar a “matança”. Quando até o antagonista jurídico se mostra mais lúcido, é sinal de que o discurso oficial perdeu qualquer noção de realidade.
Mas a coerência — ou melhor, a previsibilidade — do petismo dispensa surpresas. É a mesma lógica que levou o presidente a dizer, em viagem à Ásia, que “os traficantes são vítimas dos usuários”. E, segundo a mesma Quaest, 60% dos brasileiros acreditam que ele realmente foi sincero na repugnante declaração. Pensam certo. O lulopetismo há décadas cultiva esse messianismo cínico: poupa os algozes, acusa os inocentes, e chama isso de “justiça social”.
O roteiro se repete em escala global. Desde a invasão do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, Lula jamais manifestou pesar pelas vítimas civis israelenses. Preferiu endossar as narrativas do próprio Hamas e repetir, com candura militante, as estatísticas fajutas do chamado “Ministério da Saúde de Gaza” — um órgão que nada mais é do que o departamento de propaganda dos terroristas, fabricando números ao gosto da conveniência política para emocionar ingênuos mundo afora. Acreditar nessas cifras é o mesmo que pedir atestado de ingenuidade diplomática.
Não é coincidência. Historicamente, o lulopetismo sempre se alinhou a ditadores e regimes tirânicos: Chávez e Maduro na Venezuela, os irmãos Castro em Cuba, Ortega na Nicarágua, Putin na Rússia, Erdogan na Turquia, Ahmadinejad no Irã, Gaddafi na Líbia, Arafat na “Palestina”. Onde houver um facínora antiamericano, antissemita ou inimigo da liberdade, lá tremulará uma bandeira vermelha. Esse alinhamento, somado à indulgência interna com o crime, compõe o retrato completo de um governo leniente, negligente — e, em muitos casos, cúmplice — com tudo o que atenta contra a ordem, a democracia e a vida.
Não espanta, portanto, que o governo tenha se posicionado contra o projeto em tramitação no Congresso que equipara facções criminosas e milícias ao terrorismo. A justificativa oficial? Poderia “abrir precedente” para interferência estrangeira e afetar a soberania nacional. Que soberania é essa — a dos morros sitiados, dos bairros tomados, das cidades que já não pertencem ao Estado, mas às facções?
O que se viu no Rio de Janeiro não foi uma matança. Foi a tentativa tardia, porém necessária, de um país cansado de ajoelhar-se diante do crime. A matança, presidente, é outra — é a que o Brasil sofre todos os dias, nas esquinas, nas vielas e nas portas de casa, enquanto o governo se comove com os mortos errados e faz política sobre o caixão da segurança pública.
No Brasil de Lula, o bandido tem foro privilegiado. E o cidadão honesto, prisão domiciliar sem tornozeleira — trancado em casa pelo medo.









