OPINIÃO

Bloco de Notas

1 – O Paraná em defesa das APAEs

O governo do Paraná ampliou a mobilização política e institucional em defesa das APAEs e das escolas de educação especial após o decreto de Lula que impõe a matrícula obrigatória de alunos com deficiência em escolas comuns, relegando o atendimento especializado ao contraturno. Uma decisão tão desconectada da realidade quanto ofensiva às famílias que lutam, há décadas, por dignidade e inclusão verdadeira.

Ratinho Junior classificou a medida como “um retrocesso” e deixou claro que o Paraná não aceitará essa visão distorcida de inclusão forçada. “É uma decisão que fere o direito das famílias e desconsidera a realidade de milhares de alunos que dependem do atendimento especializado. O Paraná valoriza as APAEs e vai continuar lutando por elas”, afirmou o governador.

O estado se tornou referência nacional na integração entre ensino, saúde e assistência social. São mais de 350 APAEs conveniadas, atendendo cerca de 48 mil alunos, com investimento anual de R$ 500 milhões — e previsão de R$ 1,9 bilhão até 2027. Pela primeira vez, o governo estadual está construindo escolas específicas para o atendimento especializado, 17 ao todo, com estrutura moderna, acessibilidade e espaços voltados à terapia, fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia.

Ratinho resumiu bem: “Pela primeira vez na história, o Estado está erguendo prédios pensados exclusivamente para esse público. Isso significa respeito, dignidade e reconhecimento”. Em tempos de ideologias que tratam a diferença como obstáculo e a igualdade como castigo, o Paraná dá um exemplo de humanidade prática — aquela que se mede não em decretos, mas em gestos.

2 – A armadilha cordial americana

Já passou uma semana desde o encontro entre Donald Trump e Lula em Kuala Lumpur, na Malásia. O ex-presidente americano disse que poderia negociar “muito rapidamente” as tarifas aplicadas ao Brasil — mas, curiosamente, não explicou as condições. Disse apenas que “gosta de Bolsonaro” e que “as penas contra ele incomodam”.

De lá para cá, silêncio absoluto. O suposto início de uma nova parceria comercial evaporou no ar. O que restou foi a imagem de Trump praticando sua diplomacia de botequim: elogia Lula para deixá-lo de bico calado, enquanto renova sua lealdade a Bolsonaro. Uma armadilha cordial — dessas que se servem com sorriso, mas têm o sabor do deboche.

O que ficou de concreto é que o americano protege o amigo, cutuca o Supremo e, de quebra, põe o petista para sonhar com um afago que nunca vem. No final, Trump foi Trump: disse muito, prometeu tudo, entregou nada.

3 – Reparação histórica com dinheiro alheio

Os povos indígenas assentados no Oeste do Paraná, em terras compradas pela Itaipu, agora querem mais: R$ 40,6 bilhões de indenização por “dano moral e coletivo”. O pedido é retroativo a 1984, acrescido de juros, correção e culpa branca.

As comunidades já haviam recebido 3 mil hectares, comprados pela estatal por R$ 240 milhões — uma das maiores transações fundiárias da história recente. Agora, movidas pela generosidade infinita da gestão petista, falam em “reparação cultural” e “autonomia indígena”, com verba suficiente para comprar um pedaço inteiro do Paraguai.

Não é de duvidar que algo saia. Afinal, sob o governo que transformou o Tesouro em confessionário identitário, a conta da “reparação histórica” é paga com o dinheiro dos outros. E como sempre, o contribuinte é o penitente.

4 – Superinteligência, a nova religião

A Meta demitiu 600 funcionários de inteligência artificial para investir pesado naquilo que chama de “superinteligência”. O nome pomposo disfarça a velha ambição: substituir o homem pela máquina — e ainda chamar isso de evolução.

Mark Zuckerberg, agora convertido em sumo sacerdote digital, caça cientistas mundo afora, oferecendo salários astronômicos para que desenvolvam sistemas capazes de pensar sozinhos. A Amazon segue o mesmo caminho, projetando uma economia de centenas de milhares de empregos. A era do trabalho humano vai se tornando uma lembrança nostálgica.

O discurso é o de sempre: eficiência, autonomia, futuro. Mas por trás do verniz tecnológico, mora a velha utopia de onipotência: a de criar algo que dispense o próprio criador. A “superinteligência”, afinal, é apenas a maneira elegante de batizar o delírio mais antigo do homem — o de brincar de Deus.

5 – IOF: a fábrica de tributos

O governo Lula arrecadou quase R$ 8 bilhões a mais desde o aumento do IOF. Ainda assim, as contas seguem no vermelho. De janeiro a setembro, o déficit primário já passa dos R$ 100 bilhões. Arrecada-se mais para gastar mais — o ciclo perfeito da incompetência produtiva.

Em Brasília, ninguém fala em cortar despesas, enxugar ministérios ou conter desperdícios. A palavra de ordem é arrecadar, e o verbo preferido é gastar. O Tesouro sangra, mas o discurso continua otimista: dizem que o país está “no rumo certo”. Está, sim — no rumo do precipício.

O governo virou uma fábrica de tributos: aumenta o imposto, multiplica o gasto, inventa novas receitas e termina sempre com o mesmo resultado — déficit e justificativas. Um Estado que vive de arrecadar para sustentar a própria obesidade não é gestor: é glutão.

6 – Doar é multiplicar vidas

A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou uma lei exemplar: concede meia-entrada em eventos culturais e esportivos aos doadores de órgãos. O projeto, assinado por Alexandre Curi e Mabel Canto, reconhece a manifestação digital de vontade feita na Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO).

A medida facilita o processo de doação e ajuda a reduzir uma fila cruel: são 65 mil brasileiros esperando por um órgão — 37 mil por um rim, 25 mil por uma córnea. O Paraná, que já figura entre os estados com maior crescimento nas doações, avança mais um passo na civilidade.

Num país onde o egoísmo costuma ser regra, ver o altruísmo transformado em política pública é um alento. Doar órgãos é um ato de grandeza que ultrapassa a morte — é uma forma de eternizar a vida.

7 – O champanhe do juiz e o brinde amargo do presidente

O juiz Eduardo Appio, que dedicou sua toga a atacar a Lava Jato e lançar suspeitas sobre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, agora é investigado por tentar furtar três garrafas de champanhe Möet & Chandon em um supermercado de Blumenau. De inquisidor a larápio — eis uma parábola que se escreve sozinha.

E como o destino tem senso de humor, Lula, o ex-condenado que prometia jamais sancionar nada vindo de Moro, se viu obrigado a fazê-lo. A contragosto, aprovou o projeto do senador paranaense que endurece o combate ao crime organizado. Foi forçado a engolir o nome do homem que o colocou atrás das grades pelo Petrolão.

O governo de esquerda, sempre tímido no enfrentamento à bandidagem e generoso com os direitos humanos dos criminosos, tropeça diante da própria leniência. Lula sancionou a lei por constrangimento político, não por convicção. Foi um gesto forçado, mas revelador: quando a realidade aperta, até o discurso mais ideológico precisa pedir socorro ao bom senso.

8 – O verbo que se volta contra o dono

Durante sua conversa com Trump, Lula tentou vender ao americano a narrativa de que Bolsonaro era “carta fora do baralho”, um personagem superado. Mas foi desmentido por várias pesquisas que saíram após essa declaração, mostrando que o ex-presidente continua vivo politicamente, com apoio robusto e eleitorado fiel.

Mesmo inelegível, Bolsonaro se mantém como o cabo eleitoral mais influente e insubstituível da direita brasileira. Sua presença ainda organiza o campo conservador e sua ausência nas urnas é o que dá sentido à união dos que o seguem. Lula quis decretar o fim de um adversário que, na prática, continua sendo sua sombra mais presente.

A soberba costuma ter o péssimo hábito de desmentir quem a profere. As palavras, às vezes, voltam como bumerangue — e acertam em cheio o orgulho de quem as lançou. Lula quis fechar um ciclo e acabou abrindo outro.

9 – “Coincidências” do destino

No dia seguinte à megaoperação policial no Rio de Janeiro, a ministra Cármen Lúcia tirou da gaveta o processo que pode cassar o mandato do governador Cláudio Castro. Coincidência? Nem os próprios ministros do TSE acreditaram.

Eles afirmam, em reservado, que foram surpreendidos pela súbita inclusão do caso na pauta. O processo estava adormecido havia meses — e despertou justo um dia após a operação que recebeu amplo apoio popular. A coincidência é tão precisa que parece coreografia.

Enquanto o povo do Rio aplaude o governador por enfrentar o crime nas favelas, as forças contrárias se mexem. E quando elas se movem, o recado é sempre o mesmo: o sistema não perdoa. O sistema é bruto, meus amigos.

10 – O cometa e a ironia do cosmos

O cometa interestelar 3I/Atlas, vindo de fora do sistema solar, intrigou os cientistas e colocou a NASA em alerta. Não há risco de colisão — ele passará a 270 milhões de quilômetros da Terra —, mas o comportamento incomum do corpo celeste acendeu o protocolo de defesa planetária.

No fundo, o medo é o mesmo que fascina: a lembrança de que não somos donos nem do próprio quintal da vida. E, curiosamente, num mundo desgovernado por guerras, intolerâncias e insanidades, é um objeto espacial misterioso que desperta o raro impulso da autoironia.

Como se costuma brincar nas redes sociais, diante das mazelas da humanidade, o cometa deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma esperança.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo