OPINIÃO

Bloco de Notas

  1. Toledo no pódio da boa gestão

Toledo tem razões de sobra para comemorar. Com os programas Prefeitura na Rua e Florir Toledo, o município foi duplamente reconhecido na entrega do Prêmio Gestor Público Paraná 2025, promovido pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual. Em meio a 137 projetos de 45 cidades, Toledo foi o único finalista a levar duas premiações, um feito raro que simboliza mais do que eficiência administrativa: traduz um novo modo de governar.

O prefeito Mário Costenaro, arquiteto e empresário, é um estreante na política que chegou pela porta da competência — moldado no movimento associativista e nas lideranças do setor produtivo. Traz para a gestão pública a mentalidade de quem sabe planejar, projetar e entregar. “Ver Toledo sendo reconhecida é motivo de orgulho”, disse, destacando o papel da equipe e dos servidores.

O prêmio também inspirou o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que lembrou: “A administração pública tem ótimos exemplos que precisam ser valorizados”. A conquista de Toledo, mais que medalha, é uma aula de gestão: quando o poder público ouve, planeja e faz, o resultado aparece — e o mérito se multiplica.

  1. A corrida que o Brasil está perdendo

O economista Ricardo Amorim soou o alarme: o Brasil está perdendo a corrida que define o futuro — a da retenção de pessoas e capitais que geram riqueza. Desde 2022, a saída de milionários, empreendedores e investidores de alta renda cresceu e deve bater recorde. Não é só fuga de dinheiro. É fuga de futuro.

Cada nome que vai embora leva consigo empregos, inovação, consumo, arrecadação. O país perde quem investe, quem arrisca, quem faz a roda girar. E por quê? Falta previsibilidade, segurança jurídica, estímulo ao investimento produtivo e um ambiente que valorize mérito e estabilidade.

Amorim argumenta que países fortes atraem e retêm seus talentos porque oferecem algo simples: regras claras, impostos justos e respeito ao tempo e à inteligência de quem empreende. Aqui, insistimos em punir quem dá certo.

Não é sobre proteger milionários, mas sobre proteger o ciclo virtuoso que eles acionam: mais empresas, mais empregos, mais arrecadação. Quando o Brasil exporta talento, perde capital e esperança. E, como lembra Amorim, “tempo na economia vale ouro” — e o Brasil tem gastado o seu com ideologia em vez de estratégia.

  1. O fiscal do pensamento

O editorial do Estadão, de título preciso — “O STF não é bedel das redes sociais” —, resume o que se tornou o Supremo Tribunal Federal: um guardião que confunde proteção da democracia com tutela da palavra.

Ao determinar que plataformas como X, YouTube e Instagram entregassem dados de 69 usuários que teriam feito “ameaças” ao ministro Flávio Dino, o ministro Alexandre de Moraes reeditou o velho filme da censura — agora com filtro digital e verniz institucional.

Em nome da democracia, o STF parece flertar com o autoritarismo que jura combater. A fronteira entre crítica e crime se dissolve, e o medo substitui o debate. Quando um cidadão teme opinar por receio de ver a Polícia Federal à porta, a liberdade já não está ameaçada — está ferida.

Num país onde a vigilância virou rotina, falta pouco para que o pensamento também precise de habeas corpus.

  1. A COP do faz de conta

O jornalista Duda Teixeira, em texto da Crusoé, resumiu com ironia rara a hipocrisia verde do momento: “Já dá pra cancelar a COP30?”. A provocação nasceu da autorização dada à Petrobras para explorar petróleo na margem equatorial do Amazonas — no mesmo governo que quer posar de líder mundial da transição energética.

Enquanto ambientalistas preparam seus jatinhos rumo a Belém, o Brasil gasta R$ 1 bilhão com o evento que promete salvar o planeta, mas queima querosene de aviação em nome da consciência climática.

O jornalista Leandro Narloch, no Guia Politicamente Incorreto do Meio Ambiente, já definiu as COPs com precisão: “puro teatro”. E completa com ironia cirúrgica: se o mundo vive uma catástrofe climática iminente, faz sentido cruzar oceanos para falar sobre isso?

Entre as palavras e o petróleo, o governo escolheu os dois. E a COP, como sempre, ficará entre o palco e a fumaça.

  1. As estatais no carnaval do déficit

Sob o terceiro mandato de Lula, as estatais federais voltaram a dançar o velho samba do prejuízo. O déficit acumulado já passa de R$ 18 bilhões, o maior da série histórica. À frente do desfile, os Correios, com um rombo de R$ 4,3 bilhões no semestre — e a irrestrita vocação para o desastre administrativo.

É o retorno do modelo que mistura ideologia, aparelhamento e incompetência: cargos de confiança, cabides dourados e companheirismo remunerado. Empresas que vinham se recuperando mergulham novamente no vermelho, embaladas pela velha marchinha do “Estado empresário e amigo dos amigos”.

Enquanto isso, a Petrobras tenta manter-se à margem, operando como corporação privada e lucrativa — um oásis de governança no deserto das estatais. O resto é folia contábil.

  1. Luz para quem cura

Num gesto digno de aplauso, a Assembleia Legislativa do Paraná, em parceria com o governo estadual, aprovou a isenção de ICMS sobre energia elétrica para hospitais que atendem pelo SUS. A medida, válida até abril de 2026, aliviará custos fixos e permitirá que recursos sejam redirecionados à melhoria de serviços, equipamentos e estrutura hospitalar.

Como lembrou a deputada Márcia Huçulak, “75% dos paranaenses dependem do SUS, e essa economia se traduz em mais assistência e mais dignidade”.

Em tempos de tanto gasto mal aplicado, o Paraná dá exemplo de sensatez: quando o poder público acende a luz de quem cuida, a energia volta em forma de vida.

  1. O passe livre rumo ao abismo

Entre as ideias embaladas no “kit reeleição” do governo, nenhuma soa tão tentadora quanto perigosa: a de implantar tarifa zero no transporte coletivo em todo o país. Custo estimado: R$ 90 bilhões por ano.

A promessa de reduzir o trânsito e democratizar o transporte não resiste à realidade. Estudos mostram que, quando o ônibus é de graça, quem antes ia a pé passa a usá-lo para trajetos curtos — e quem tem carro continua de carro. O resultado é gasto público alto e pouco efeito prático.

Nos Estados Unidos, cidades como Kansas City e Nova York já abandonaram o modelo. O transporte gratuito atraiu não apenas passageiros, mas insegurança e vandalismo.

É o velho equívoco: confundir generosidade com irresponsabilidade fiscal. No Brasil, onde não existe almoço grátis, o passe livre seria apenas a passagem de ida para o déficit eterno.

  1. Mostra de Poty na Assembleia Legislativa

A Assembleia Legislativa do Paraná abriu suas portas à cultura e à história com a exposição “Poty retrata o Paraná”, uma parceria com o Museu Oscar Niemeyer. São cinquenta obras do genial artista curitibano Poty Lazzarotto, em exibição até março de 2026.

Poty foi o pintor que melhor traduziu o espírito e a alma paranaenses — dos tropeiros e imigrantes à modernidade industrial. Um cronista visual de um povo em movimento, que desenhou com traços firmes a identidade de um Estado.

“Hoje a Assembleia abre-se definitivamente à cultura”, afirmou o presidente Alexandre Curi. E abre também um espelho: o de um Paraná que se reconhece em sua arte e, nela, reencontra sua história.

  1. Ciro e o retorno à velha casa

Em política, até as voltas são redondas. Ciro Gomes retornou ao PSDB — e à sua verve incendiária. No evento de filiação, cercado de novos aliados e antigos desafetos, o ex-ministro disparou sua metralhadora verbal contra o PT, associando o partido à “corrupção e criminalidade”.

Com ironia de quem coleciona polêmicas, respondendo aos críticos de sua aproximação com bolsonarismo, Ciro lembrou: “Quando Lula se elege, chama José Alencar, do PL. Quando lança Dilma, chama Temer. Quando quer se reeleger, chama Alckmin. Aqui não tem ladrão. E lá?”.

E foi além: “Nós esculhambamos o Bolsonaro quando ele começava a liberar R$ 30 bilhões em emendas. Pois bem, o Lula já liberou R$ 63 bilhões — o dobro — e com o mesmo discurso de virtude.”

Entre tucanos, petistas e bolsonaristas, Ciro continua sendo o que sempre foi: um franco-atirador sem partido fixo — a pólvora da própria biografia.

  1. Onde o vinho encontra a arte

Há vinícolas que produzem rótulos — e há aquelas que produzem obras de arte engarrafadas. A VIK, criada por uma família de origem espanhola no Vale do Cachapoal, no Chile, é um desses projetos que nasceram do sonho e se tornaram experiência.

O casal Alexander e Carrie Vik, em visita ao Chile para reencontrar raízes familiares, descobriu na paisagem andina um chamado: unir vinho, arte e hospitalidade. Assim nasceu um império do bom gosto — vinhos premiados, hotéis deslumbrantes, restaurantes de excelência e uma filosofia que transforma terroir em emoção.

Hoje, a marca se expandiu para o Brasil e para a Europa, mantendo o mesmo DNA de sofisticação e autenticidade. Na VIK, cada garrafa é mais do que bebida: é um fragmento de paisagem, cultura e tempo.

Um brinde a esse raro talento de viver bem — e transformar o vinho em linguagem universal do prazer.

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