“Algumas das piores pessoas do mundo”, diz Israel sobre facínoras soltos

Terroristas foram libertados como parte do acordo de cessar-fogo e da troca pelos últimos reféns israelenses vivos — e pelos corpos dos que não resistiram ao cativeiro.
O término — ao menos temporário — da guerra em Gaza trouxe consigo o mais amargo dos preços: a libertação de criminosos que o governo de Israel descreve como “algumas das piores pessoas do mundo”.
Foram 11 nomes incluídos na leva de mais de dois mil prisioneiros palestinos soltos nesta segunda-feira, 13, em cumprimento ao acordo que encerrou 738 dias de conflito e viabilizou o retorno dos últimos reféns sequestrados pelo Hamas naquele fatídico 7 de outubro — o dia em que o mundo voltou a assistir à barbárie ao vivo.
Os reféns, 251 ao todo, foram arrancados de suas casas, de shows, de kibutzim, de dentro de ambulâncias, e arrastados como troféus de terror para os túneis da Faixa de Gaza.
Foram transformados em moeda de troca — a mais cruel das moedas — para que seus sequestradores pudessem negociar a própria impunidade. Era inevitável que Israel aceitasse a troca. Era a vida — ou o que restava dela — dos seus cidadãos. Mas foi, ainda assim, uma lástima necessária.
Israel já iniciou a retirada parcial de suas tropas até os limites fixados pelo acordo. E, como se a história insistisse em zombar das esperanças, o Hamas retomou o controle da maior parte do território.
Reinstalado em Gaza, o grupo já convocou mais de 7 mil militantes — o termo que usam para designar o que o mundo chama de terroristas — e começou a perseguir clãs rivais palestinos que se opõem ao seu domínio. Cachorro comedor de ovelha, já se sabe, perde o pelo, mas não perde o vício.
Era parte do compromisso firmado com o grupo de países liderado pelos Estados Unidos — sob a coordenação política de Washington — que o Hamas se desarmasse e abrisse espaço para um governo civil palestino. A promessa, porém, nasce morta.
Com o arsenal escondido nos túneis e a retórica inflamada nas ruas, o Hamas dá todos os sinais de que a trégua não será mais do que uma pausa antes da próxima explosão.
Lendo o resumo da ficha criminal dos 11 monstros premiados com a liberdade percebe-se que não dá para alimentar qualquer otimismo quanto ao futuro da região.
Iyad Abu al-Rub
Comandante sênior da Jihad Islâmica Palestina em Jenin, chefiou a ala militar durante a Segunda Intifada. Foi condenado por orquestrar uma série de atentados suicidas que mataram ao menos sete pessoas entre 2003 e 2005, incluindo explosões em Sde Trumot e no mercado de Hadera. Planejava ainda ataques a escolas e a unidades das Forças de Defesa de Israel.
Imad Qawasmeh
Comandante do Hamas em Hebron, preso em 2004 por comandar os dois homens-bomba que mataram 16 israelenses e feriram mais de 100 em Beersheba. Condenado a 16 penas de prisão perpétua por assassinato, terrorismo e tráfico de armas.
Riyad Al-Amour
Líder do Fatah-Tanzim em Taqoua, cumpria 11 penas de prisão perpétua por liderar ataques entre 2000 e 2002 que mataram nove israelenses, civis e militares. Responsável pelos sequestros e assassinatos do tenente-coronel Yehuda Edri e do civil Avi Boaz.
Ismail Hamdan
Militante do Fatah em Belém, preso por participar de múltiplos ataques e do sequestro e assassinato de Avi Boaz, além de um ataque a tiros em Jerusalém que matou a israelense Deborah Fridman.
Bakr Badr
Integrante do Hamas em Beit Liqya, participou de atentados durante a Segunda Intifada, incluindo uma explosão que matou nove israelenses em 2003 e outro ataque em Tel Aviv em 2004.
Abdul Jawad Shamasneh
Terrorista do Hamas, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos, incluindo o de dois adolescentes de Jerusalém, um taxista e um soldado das FDI. Entre as vítimas, os jovens Ronen Karamani e Lior Tubul, o taxista Rafi Doron e o soldado Yehoshua Friedberg.
Nasri Ayed Hassin Amassi
Membro do Hamas de Jerusalém Oriental, condenado à prisão perpétua por participar dos atentados de Tzrifin, que matou nove soldados, e do Café Hillel, em Jerusalém, que matou sete civis, entre eles o médico David Applebaum e sua filha Nava. Também envolvido em ataque em Tel Aviv que matou o soldado Maayan Naim.
Samir Ibrahim Mahmoud Abu Nima
Da Jihad Islâmica de Abu Dis, condenado à prisão perpétua pelo atentado a um ônibus em Jerusalém em 1983 que matou seis civis e feriu 46. Também acusado de tráfico de armas e de planejar uma armadilha com caminhão de gás.
Ahmad Adel Jaber Saada
Do Hamas em Jerusalém Oriental, condenado à prisão perpétua por auxiliar o homem-bomba no atentado de 21 de novembro de 2002 em Jerusalém, que matou 11 israelenses e feriu dezenas.
Mohammed Shamasneh
Também do Hamas, cumpria pena por quatro assassinatos idênticos aos de Abdul Jawad Shamasneh — entre eles, os adolescentes Ronen Karamani e Lior Tubul, o taxista Rafi Doron e o soldado Yehoshua Friedberg.
Ayham Kamamgi
Militante do Fatah, natural da aldeia de Dan, condenado por sequestrar e assassinar o adolescente israelense Eliyahu Asheri em 2006. Ficou conhecido por ter fugido da prisão de Gilboa em 2021, antes de ser recapturado.
A lista é uma síntese do absurdo moral que a guerra produz: para resgatar inocentes, é preciso soltar culpados que fizeram da morte um ofício. A esperança é que as vidas salvas justifiquem o risco. Mas a história recente ensina que cada libertação dessas costuma ser apenas o prólogo da próxima tragédia.
No fim, o cessar-fogo é apenas o nome diplomático que se dá ao tempo que o terror precisa para recarregar as armas. E o mundo volta a chamar de paz o intervalo entre duas guerras.











