Bloco de Notas

- O sobrevivente que não suportou viver
O israelense Roei Shalev, de 30 anos, não resistiu ao fardo de ter sobrevivido ao horror do massacre de 7 de outubro. Ele viu a namorada, Mapal Adam, ser assassinada diante dele enquanto tentava protegê-la durante o ataque terrorista do Hamas no festival Nova. Dois anos depois, incapaz de conviver com as lembranças das atrocidades, Shalev tirou a própria vida.
Horas antes, publicou nas redes sociais um último desabafo: “Por favor, não fiquem bravos comigo. Ninguém jamais vai me entender. Só quero que este sofrimento acabe. Estou vivo, mas por dentro tudo está morto.” Seu corpo foi encontrado em um carro em chamas próximo a Netanya.
A mãe dele também havia se suicidado duas semanas após o massacre. A tragédia familiar virou símbolo da dor que ainda devasta Israel — um país em que os sobreviventes lutam para lidar com cicatrizes invisíveis.
Mais do que uma estatística, Roei representa o trauma coletivo de um povo que tenta reconstruir a vida sobre os escombros da barbárie.
- A farsa desmascarada pelo Tio Sam
O Departamento de Alfândega e Imigração dos Estados Unidos revelou que Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, nunca entrou em território americano no fim de 2022 — fato usado por Alexandre de Moraes como justificativa para mantê-lo preso por seis meses.
O órgão norte-americano admitiu erro nos registros e condenou o “mau uso” das informações por autoridades estrangeiras, o que desmoraliza a base da decisão do ministro do Supremo.
A revelação reforça a suspeita de abuso de autoridade e acentua o constrangimento internacional de um tribunal que parece ter se acostumado a julgar conforme o vento político.
Quando até Washington precisa desmentir Brasília, é sinal de que o bom senso também resolveu deixar o país.
- O governo e o humor involuntário
Em mais uma tentativa de melhorar a popularidade do presidente, o governo Lula escalou o apresentador João Kléber — o eterno “rei das pegadinhas falsas” — como novo garoto-propaganda oficial. O vídeo, produzido pela Secom, adapta o formato de seu clássico “Teste de Fidelidade” para as ruas: pedestres são questionados sobre sua “fidelidade ao Brasil”.
A campanha faz parte da estratégia do marqueteiro Sidônio Palmeira, que prepara o terreno para 2026 com discursos patrióticos embalados em bilhões de reais de publicidade digital.
Ironias do destino: um governo que promete transparência convoca o mestre da simulação para falar em nome da verdade. No roteiro, o humor é involuntário. A piada, intencional ou não, é o próprio governo.
- EPR Iguaçu: marcos do progresso
A concessionária EPR Iguaçu, responsável por 662 quilômetros de rodovias nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, iniciou a atualização dos marcos quilométricos nas BRs 277 e 163 e nas PRs 182, 483, 180, 158 e 280.
A medida cumpre cláusula contratual da ANTT e segue padrões técnicos do DNIT e do DER, garantindo segurança, padronização e precisão geográfica.
Pode parecer detalhe burocrático, mas são ações como essa que diferenciam uma gestão séria de um improviso rodoviário.
Enquanto antigas concessionárias deixaram buracos e promessas, a EPR marca território — literalmente — com eficiência e seriedade.
- Os bilhões que nunca voltarão
O ex-governador Sérgio Cabral foi condenado pela Justiça do Rio a indenizar o Estado em R$ 2,5 bilhões. O também ex-governador Luiz Fernando Pezão deverá pagar R$ 1,4 bilhão. Nenhum deles, evidentemente, pagará.
Cabral, condenado a 425 anos de prisão, cumpre pena na piscina, entre posts e dicas culturais. Sua mulher, também condenada, foi para casa porque “tinha filhos adolescentes”. Já a cabeleireira Débora — a do Batom Vermelho — ficou meses presa longe dos filhos pequenos por um delito ínfimo.
No Brasil, a lei é cega. Mas enxerga perfeitamente a diferença entre uma primeira-dama e uma manicure.
- Entre o “Taxa tudo” e o “Tenha vergonha”
Em mais uma prévia da campanha presidencial que se desenha para 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — apelidado nas redes de Tachadd por seu apetite insaciável por impostos — e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, protagonizaram um embate direto por causa da Medida Provisória do IOF.
A proposta, derrubada pelo Congresso, ampliaria a tributação sobre investimentos e operações financeiras em diversos setores da economia. Tarcísio atuou abertamente para derrotar a medida, em defesa do contribuinte brasileiro que já não suporta novos encargos.
Incomodado, Haddad acusou o governador de “trabalhar contra os interesses do país”. A resposta veio imediata: “Tenha vergonha, Haddad. Respeite os brasileiros. Cortem gastos. Já chega.”
O confronto explicitou o contraste entre um governo que insiste em aumentar a arrecadação — já são quase trinta altas ou criações de tributos neste terceiro mandato de Lula — e um adversário político que se fortalece ao vestir a bandeira da responsabilidade fiscal.
A cena é apenas o trailer do duelo eleitoral que se aproxima: de um lado, o ministro que taxa; do outro, o governador que reage.
- O Natal fora de época de Nicolás Maduro
A Venezuela deu início em outubro às festividades de Natal, meses antes da data tradicional. O regime de Nicolás Maduro decretou “alegria antecipada” enquanto o país enfrenta fome, repressão e miséria.
A encenação começou em frente à prisão de El Helicoide, símbolo de tortura, onde opositores sofrem choques elétricos, sufocamentos e nudez forçada. Relatórios da ONU descrevem o local como laboratório de crueldade.
Maduro diz que a tradição “traz esperança e movimenta a economia”. Na verdade, move apenas o teatro da propaganda e esconde o desespero da população.
Em vez de um presépio, o ditador arma um circo. E os anjos, por lá, já desistiram de cantar.
- Um título para um pioneiro
A Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) concederá ao ex-deputado federal Nelson Padovani o título de Cidadão Honorário do Oeste do Paraná, homenagem a uma vida dedicada ao desenvolvimento regional.
Chegado ainda menino a Matelândia, Padovani construiu trajetória exemplar como funcionário público, empresário do setor de máquinas agrícolas e loteador em dezenas de cidades, impulsionando a mecanização e a urbanização do Oeste.
Deputado por dois mandatos, foi responsável por atrair recursos e obras estruturantes. Pai do atual deputado Nelsinho Padovani, é visto como exemplo de trabalho e visão empreendedora.
Num tempo em que o mérito anda fora de moda, a Amop lembra que o Oeste se ergueu com braço, coragem e fé — e com gente que não teve medo de recomeçar.
- Paraná: o verde que educa
O Paraná lidera o ranking nacional de áreas verdes e infraestrutura nas escolas de educação infantil, segundo o Anuário Brasileiro de Educação 2025.
Quase 71% das instituições contam com espaços ecológicos, mais que o dobro da média nacional, e 89,6% dispõem de laboratórios de informática. Os números mostram um estado que colhe os frutos de políticas educacionais consistentes.
Pesquisas da FGV apontam que ambientes verdes estimulam hábitos saudáveis e melhoram o bem-estar dos alunos. O resultado é visível: o Paraná supera os vizinhos em infraestrutura e aprendizagem.
Num país acostumado a tragédias na educação, o verde paranaense é um raro tom de esperança — e um recado de que planejamento e gestão fazem diferença.
- O escândalo dos respiradores e o ministro blindado
O Superior Tribunal de Justiça decidiu retomar o inquérito sobre o escândalo dos respiradores comprados e não entregues durante a pandemia, quando Rui Costa era governador da Bahia e presidia o Consórcio Nordeste.
O negócio de R$ 48 milhões foi firmado com a empresa Hempcare, da empresária Cristiana Prestes Taddeo, que em delação premiada revelou ter recebido R$ 34 milhões apenas quatro dias após um telefonema de Bruno Dauster, braço direito de Rui Costa. Sem contrato formal e sem entregar um único equipamento.
Cristiana disse que achou que a ligação fosse um trote — mas não era. Logo depois, o dinheiro entrou na conta, foi distribuído em propinas e ela acabou presa. Na colaboração com a Justiça, se comprometeu a devolver R$ 10 milhões e contou que todas as decisões dependiam da “autorização direta de Rui Costa”.
O então governador nega envolvimento e diz que o Consórcio Nordeste foi vítima de fraude. Entre suas justificativas, chegou a alegar que não desconfiou do nome da empresa — Hempcare, palavra que em inglês significa “cuidado com a maconha” — porque “não fala inglês”.
Cinco anos depois, o inquérito ressurge sob segredo de justiça. Mas num governo que se especializou em salvar os seus e anular condenações, poucos acreditam que haverá culpados.
A blindagem é de titânio. E os respiradores que nunca chegaram ainda fazem falta — principalmente à ética pública.











