Bloco de Notas

1 – Kit reeleição em ação
O Congresso parece ter se especializado em embalar pacotes de bondades sob medida para Lula. Programas sociais, flexibilizações fiscais e benesses variadas compõem o que já se chama de “kit reeleição”. O problema é que essa farra bilionária não cai do céu: vai direto para o lombo do contribuinte. Juros altos, inflação pressionada e impostos ainda mais sufocantes são a fatura que logo chega. A dívida pública acelera, a Selic estacionada em 15% não dá trégua, e o Banco Central avisa que não vai aliviar tão cedo. Mas, para quem governa, a prioridade é outra: turbinar artificialmente a economia em ano pré-eleitoral, ainda que custe o futuro. Afinal, popularidade estagnada pede medidas desesperadas — e Lula, com 51% de desaprovação, sabe que precisa mais do que poesia de palanque para se manter de pé.
2 – A fila anda… para trás
Quando Lula subiu a rampa em 2023, a fila do INSS já era um drama: 1,5 milhão de brasileiros esperando resposta. Agora, o vexame dobra: mais de 2,6 milhões estão parados na burocracia, aguardando aposentadoria, pensão ou benefício. O país da lentidão se mostra implacável para o trabalhador, mas ágil como um raio quando se trata de meter a mão no bolso alheio. Prova disso é que entidades obscuras conseguiram surrupiar, em tempo recorde, mais de R$ 6 bilhões do INSS com descontos ilegais. Para o cidadão comum, meses (ou anos) de espera. Para os malandros bem posicionados, saque instantâneo. O contraste é tão gritante que até parece piada — mas é só o retrato do Brasil real.
3 – Déjà vu fiscal
O Tribunal de Contas da União levantou a plaquinha amarela: retirar despesas das regras fiscais contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal e mina a credibilidade do governo. Nada novo no front. O filme lembra os truques contábeis que emparedaram Dilma Rousseff e a levaram ao impeachment. Agora, sob Lula, já são quase R$ 90 bilhões em gastos chutados para fora da meta em 2024 e 2025, com aval criativo para precatórios, tragédias climáticas e até tarifaço de Trump. No total, mais de R$ 300 bilhões estouraram o caixa à margem da lei. Enquanto isso, o ministro Haddad corre atrás de um buraco de R$ 30 bilhões, como se fosse possível tapar rombo com remendo de pano. A comédia só não é maior porque o enredo é trágico — e o contribuinte, como sempre, o figurante que paga a conta.
4 – A poesia de Piolla
O jornalista Gilmar Piolla, ex-superintendente de Comunicação Social da Itaipu Binacional e ex-secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu, lançou em Dois Vizinhos, sua terra natal, o livro Ecos da Inquietude. São 213 poemas e haicais que percorrem os labirintos da existência, misturando filosofia zen, Quintana, Leminski e Nietzsche. Em seus versos, a fronteira aparece como memória e metáfora, ora sublime, ora sombria. A natureza surge como linguagem de vida em movimento, revelando um olhar inquieto e sensível. Piolla, que já fez da comunicação e do turismo trincheiras profissionais, agora entrega ao leitor sua cartografia íntima: versos que convidam à pausa, ao silêncio e à reflexão. É poesia que não se contenta em ser ornamento — quer ser resistência, essência e beleza.
5 – Currículo reforçado pela aliança suprema
Na disputada elite jurídica paulista, o currículo de Viviane Barci de Moraes passaria despercebido. OAB só aos 30, diploma de faculdade modesta, sem mestrado nem doutorado. Nada que brilhasse por si só. Mas bastou ser esposa de Alexandre de Moraes para a carreira decolar num passe de mágica. Clientes bilionários, como o enrolado Banco Master, surgiram como que por encanto. Agora, com nome incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, Viviane comprova que, no Brasil, ser parente de ministro do Supremo é o mais valioso título acadêmico. Não há universidade que ofereça especialização tão lucrativa quanto a cadeira do cônjuge na mais alta corte.
6 – O terror dos tapetes é um mito
As redes sociais vivem da paranoia higienista: tire os sapatos antes de entrar, ou sua casa será contaminada por exércitos invisíveis de bactérias assassinas. Pois bem: mito. Pesquisas mostram que, sim, os calçados carregam germes — mas não em níveis capazes de causar doenças. William Schaffner, professor da Universidade Vanderbilt, crava: não há registro científico de contágio sério via sola de sapato. O verdadeiro perigo está nas mãos, que tocam boca, nariz e olhos. Traduzindo: sua maçaneta é mais perigosa que o seu tênis. Sapato sujo pode incomodar o perfeccionista, mas, em termos de saúde, é só mais uma frescura da era digital.
7 – Pavimento de volta ao padrão civilizado
A EPR Iguaçu já recuperou 145 quilômetros de rodovias no Sudoeste do Paraná, num esforço que inclui nova sinalização, mais de mil placas substituídas e obras de requalificação. O trabalho faz parte do Plano de 100 Dias da concessionária e já é comemorado por prefeitos e comunidades como uma virada histórica. Durante décadas, viajar pela região era sinônimo de enfrentar buracos e riscos. Agora, começa a prevalecer a lógica do que deveria ser óbvio: estrada para facilitar a vida, não para destruí-la. O CEO Silvio Caldas fala em segurança e conforto, o presidente Marcos Moreira em desenvolvimento regional. A população, enfim, emenda um suspiro de alívio: o asfalto deixou de ser prova de resistência para virar caminho digno de mobilidade.
8 – O Paraná que salva vidas
A Assembleia Legislativa prestou homenagem a 12 instituições de Curitiba e região metropolitana que são referência em transplantes de órgãos e tecidos. A cerimônia, realizada em 27 de setembro, Dia Nacional de Doação, foi conduzida pelo médico e deputado Tercilio Turini, que destacou a importância de ampliar a cultura da solidariedade. Entre os homenageados, hospitais públicos e privados que transformam dor em esperança e reduzem o sofrimento de milhares de famílias. Desde o primeiro transplante de rim realizado em Londrina, em 1973, a medicina paranaense percorreu um caminho de avanços e conquistas, apoiada no SUS e em profissionais dedicados. O reconhecimento do Legislativo reafirma: doar é um ato de grandeza e dignidade humana, capaz de renovar vidas e reescrever histórias.
9 – O cooperativismo no topo
A revista Amanhã, em parceria com a PwC, divulgou o ranking das 500 maiores empresas do Sul. No Paraná, o brilho foi do cooperativismo. A Frimesa aparece entre as 20 maiores do Estado, consolidando-se como 4ª maior indústria de carne suína do Brasil e gigante do setor de lácteos. Ao lado dela, Lar, C.Vale, Copacol e Copagril reforçam o poder das cooperativas na economia regional. Os números da Frimesa falam por si: 15 mil suínos processados por dia, 850 mil litros de leite recebidos, 12.661 empregos diretos. Mas o que mais impressiona é o modelo coletivo, que transforma produtores em donos e fortalece comunidades. Num país em que tanta gente depende do Estado, aqui está a prova de que organização e trabalho conjunto valem mais do que discursos vazios.
10 – O discurso e a realidade
Edson Fachin assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal recusando a festa tradicional que costuma marcar a posse do cargo. O gesto foi lido como sobriedade: nada de banquetes, champanhes e beija-mão. Em discurso, pregou contenção, estabilidade e separação entre Direito e política. A imagem foi aplaudida. Mas convém confrontar o discurso com a realidade. Fachin tem no histórico a militância ao lado de Dilma Rousseff, a simpatia pelo MST e decisões que dificultaram operações contra o crime organizado. Foi dele a manobra jurídica que tirou da Lava Jato processos de Lula, abrindo caminho para a descondenação do petista. O contraste é evidente: o palco da posse exibe recato, mas os bastidores mostram alinhamentos ideológicos e decisões de alto custo para o país.











