OPINIÃO

Educação: o alicerce invisível do progresso

Há dias em que uma região se reconhece no espelho da sua própria grandeza.

Assim foi na última sexta-feira, 26, quando Cascavel reuniu lideranças políticas, empresariais e educacionais no 2º Fórum Econômico e Político do Oeste do Paraná.

Promovido pela Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná, não foi apenas mais um evento em auditório: foi um chamado à reflexão sobre o único caminho capaz de transformar sociedades de forma duradoura — a educação.

O presidente da Caciopar, Reni Fernande Felipe, lembrou que o Oeste já colhe bons resultados nos primeiros anos do ensino fundamental.

Mas educação é uma estrada sem linha de chegada, e o desafio que se impõe é seguir avançando sempre.

A grande lição do encontro veio de dois exemplos concretos que mostram como a vontade coletiva pode virar destinos aparentemente condenados.

Primeiro, o olhar voltou-se para Sobral, no Ceará. Uma cidade de 250 mil habitantes que, até pouco tempo atrás, via metade de suas crianças das séries iniciais condenadas ao analfabetismo.

A tragédia parecia inevitável, mas um trabalho firme, liderado pelo professor e secretário Júlio César Alexandre, redesenhou a gestão escolar, fortaleceu a avaliação pedagógica e colocou o professor no centro do processo.

O resultado foi uma virada histórica: de cidade marcada pelo atraso educacional, Sobral se tornou campeã nacional no Ideb, referência para o Brasil inteiro e inspiração para dezenas de municípios que enxergaram no exemplo cearense a prova de que é possível reescrever o futuro.

Da experiência nordestina, o Fórum levou os olhos para o Norte do Paraná, onde Assaí, município pequeno em tamanho, decidiu ser gigante em visão.

Com raízes na disciplina da cultura japonesa e sob a liderança do doutor em Engenharia de Produção Igor Oliveira, a cidade rejeitou um modelo de ensino herdado do século XIX e apostou em um sistema inovador, capaz de antecipar problemas e mobilizar talentos locais para resolvê-los.

O método vai da alfabetização ao primeiro emprego, preparando jovens para atuar sobre os desafios da própria comunidade. A ousadia rendeu a Assaí o título de sétima cidade mais inteligente do mundo e uma coleção de mais de 30 prêmios, consolidando sua reputação como um dos mais bem-sucedidos laboratórios de inovação educacional do planeta.

O Fórum de Cascavel não se limitou a aplaudir esses exemplos. Ele provocou reflexão sobre a realidade regional e o compromisso de todos diante dela.

Como lembrou o chefe do Núcleo Regional de Educação, Rosimar Baú, a educação é a chave para uma comunidade próspera.

O presidente da Amop, Rodrigo Shanoski, reforçou que o Paraná já vai bem, mas não pode se acomodar.

E o prefeito de Toledo, Mário César Costenaro, traduziu o espírito do encontro: todos têm compromisso com o futuro, e investir em educação que forme cidadãos preparados deve ser missão central de líderes e instituições.

O encerramento foi simbólico, mas carregado de significado: a assinatura da Carta de Intenções pela Educação como ferramenta de desenvolvimento do Oeste.

Um documento que precisa ecoar para além das paredes da Acic, onde o evento aconteceu, e servir de guia para políticas públicas e iniciativas privadas.

Porque, convenhamos, sem educação não se organiza a produção, não se fortalece o setor produtivo, não se redime a desigualdade.

Estradas, indústrias e investimentos são vitais, mas sem o pilar da educação, permanecem inacabados.

Que este Fórum seja lembrado como um marco histórico, quando o Oeste reafirmou a lição mais antiga e mais atual: toda prosperidade começa no caderno de um estudante.

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Um Comentário

  1. Somente uma pergunta, por favor: nesse fórum foi discutido sobre a doutrinação comunista que alunos sofrem por parte de professores militantes esquerdistas?

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