OPINIÃO

Bloco de Notas

  1. Chile, a nova rota da suinocultura paranaense

O mercado chileno virou destaque nas exportações brasileiras de carne suína em 2025. Dados do Cepea, com base na Secex, mostram que os embarques saltaram de 7,7 mil toneladas em janeiro para 13,3 mil em agosto. O pico foi em julho: 14,5 mil toneladas, o dobro do volume inicial. O feito colocou o Chile na segunda posição entre os maiores compradores da proteína, superando a China. O impulso tem endereço certo: o reconhecimento do Paraná como livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica. A chancela oficial, anunciada em abril e consolidada em julho, abriu as portas de mercados nobres, dispostos a pagar mais pela qualidade da carne. O estado, que já era protagonista, agora veste o figurino de exportador premium.

  1. Paraná puxa a fila do frango

O setor avícola brasileiro retomou com vigor sua presença nos mercados internacionais. O Paraná, maior produtor nacional e segundo maior do mundo, ocupa o centro do palco. A União Europeia voltou a comprar, e países como Chile, Arábia Saudita, Namíbia e Emirados Árabes retiraram restrições. Roberto Kaefer, presidente do Sindiavipar, resume: “O Paraná puxa essa retomada porque tem escala, qualidade e logística para cumprir contrato em qualquer cenário”. Os números confirmam: o estado responde por cerca de um terço da produção nacional e por mais de 40% das exportações. Em 2024, embarcou 2,17 milhões de toneladas, o equivalente a 16% do comércio global. A sanidade comprovada, mesmo durante o foco de gripe aviária a mais de mil quilômetros de distância, manteve o Paraná como porto seguro. A missão diplomática já tenta reabrir a China. Até lá, o frango paranaense segue voando alto e alimentando o mundo.

  1. Tarifaço gordo e cofres cheios

Aumentar tarifas, brigar com a China, tensionar cadeias globais… parecia receita para o desastre. Mas Donald Trump mostrou que, na matemática da Casa Branca, protecionismo pode ser sinônimo de lucro. Em 2025, os EUA arrecadaram US$ 146 bilhões em tarifas, recorde histórico. A tarifa média efetiva subiu e atingiu aço, alumínio, veículos, eletrônicos. O comércio se reorganizou: menos China, mais União Europeia, Índia e outros parceiros. A pressão inflacionária até preocupa, mas não impediu que o caixa federal engordasse. O “tarifaço” virou gado leiteiro: produz chiado, mas rende receita.

  1. Festval em ritmo de expansão

Curitiba ganhou mais uma loja da rede Festval, agora no Bacacheri, elevando para 35 o número de unidades no Paraná. A inauguração reuniu clientes, fornecedores e colaboradores, com direito a novo espaço gourmet de 200 lugares, estacionamento para 120 carros e 17 checkouts — convencionais, rápidos e até self checkouts. O ambiente, sem colunas centrais, garante amplitude e conforto, valorizando a experiência de compra. “Seguimos um plano claro de expansão, com foco no que importa ao cliente: qualidade e atendimento resolutivo”, disse Carlos Beal, diretor comercial e de marketing. A rede moderniza estruturas, preserva empregos e projeta mais inaugurações ainda este ano, no Juvevê e na Praça Osório. Num setor competitivo, o Festval cresce com estilo e proximidade, reafirmando o DNA curitibano de inovação no varejo.

  1. COP30, um palco vazio

O embaixador André Corrêa do Lago fez um apelo quase dramático: “Venham a Belém, tragam soluções, colaborem, contribuam”, escreveu em carta. Mas os CEOs das grandes companhias globais não se convenceram. O risco de se tornarem alvos de ativistas ambientais e a falta de hospedagem os empurraram para longe. Alguns optaram pelo bate e volta de São Paulo, outros preferiram eventos paralelos na capital paulista. Enquanto isso, Belém, mesmo depois de centenas de milhões despejados para “maquiar” a cidade, segue descrita por visitantes como um esgoto a céu aberto. A COP30 que deveria exibir o Brasil ao mundo ameaça se converter em uma feira de improviso: grande no discurso, precária na estrutura e escassa em legitimidade. E assim vai se confirmando o desastre anunciado de uma COP com o padrão lulopetista de organização e competência.

  1. Padilha foge do vexame em Nova York

Alexandre Padilha, ministro da Saúde de Dilma Rousseff e hoje peça-chave do governo Lula, havia obtido um visto especial para acompanhar a comitiva brasileira à Assembleia da ONU em Nova York. Mas com uma condição degradante: só poderia circular entre hotel, ONU e representações brasileiras, restrito a um raio de cinco quarteirões. A origem da humilhação está no passado: o programa Mais Médicos, de sua autoria, que trouxe cubanos submetidos a regime análogo à escravidão — com 90% dos salários confiscados por Havana. Por isso, até familiares próximos e servidores ligados ao esquema tiveram vistos negados. Agora, parece que Padilha desistiu da viagem. Escapou de desfilar algemado por restrições invisíveis, mas o Brasil não se livra da vergonha de ver um ministro tratado pelos Estados Unidos como se fosse comparável a emissários de ditaduras hostis e regimes terroristas.

  1. O sobrenome que abre portas

A CPMI do INSS pode convocar Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça e ex-presidente do STF. Ele advoga para entidades acusadas de comandar uma fraude de R$ 730 milhões contra aposentados e pensionistas: Ambec e Cebap, apontadas pela AGU como “entidades de fachada”. O senador Izalci Lucas fala em conflito de interesses e tráfico de influência. O ministério do pai se apressou em afirmar que a autonomia não foi comprometida. Mas o episódio reforça a praga do compadrio: filhos de ministros, irmãos, parentes e amigos que prosperam sob a sombra da toga. Num país onde sobrenome é senha, a advocacia vira balcão de negócios.

  1. Milhões no ralo em Washington

O governo brasileiro assinou contrato de US$ 3,5 milhões — R$ 18,5 milhões — com o Arnold & Porter, um dos maiores escritórios de advocacia dos EUA, para tentar derrubar o tarifaço de Trump por vias judiciais. O acordo, válido por 48 meses, foi registrado na Lei de Agentes Estrangeiros de 1938, que obriga transparência em trabalhos de lobby. Mas todos sabem: tarifas são decisões políticas, não jurídicas. É dinheiro que dificilmente comprará resultado, mas certamente garantirá reuniões caras e almoços requintados em Washington. Para o contribuinte, sobra a conta. Para os intermediários, o banquete.

  1. PEC da blindagem: porta escancarada

A Câmara aprovou, por mais de 340 votos, a PEC da Blindagem, que praticamente torna deputados e senadores inimputáveis sem licença prévia das Casas Legislativas. O Estadão editorializou que isso abre as portas do Congresso ao crime organizado. Mas a porta já estava aberta. Mais de 80 parlamentares têm pendências judiciais. Renan Calheiros, em tom escandalizado, postou nas redes sua indignação com a suposta ameaça. Justo ele. A ironia dispensa adjetivos. Para completar, o jornal cita Ruy Barbosa, lembrando que o Parlamento deveria ser “a tribuna onde a Nação fala”. Mas tropeça em sua própria incoerência: há poucas semanas, acusava o STF de abusos e autoritarismo; agora, trata a Corte como vítima. O crime organizado agradece, dentro e fora do Congresso.

  1. Visit Iguassu conquista voo diário Brasília–Foz

O Visit Iguassu — entidade privada sem fins lucrativos criada em 2007 para promover o “Destino Iguaçu” no Brasil e no exterior — celebrou uma vitória importante na última rodada do seu Workshop de Treinamento, realizada em setembro em Belo Horizonte e Brasília. O resultado mais expressivo foi o anúncio da retomada do voo direto da LATAM entre Brasília e Foz do Iguaçu, que passa a operar em outubro com sete frequências semanais. A gerente de Cargas e Negócios Aéreos da Inframerica, Caroline Nogueira, destacou que a nova ligação “amplia as opções de destinos estratégicos para nossos passageiros e fortalece a conectividade nacional e regional”. Já o secretário municipal de Turismo, Jin Petrycoski, ressaltou que a parceria com o Visit Iguassu permitiu não apenas comemorar, mas também planejar ações para manter a rota com alta ocupação e forte retorno. A conquista não é apenas um voo a mais na malha aérea: é um impulso para toda a cadeia produtiva do turismo, reforçando Foz do Iguaçu como o grande polo turístico do Paraná e uma das portas de entrada mais vibrantes do Brasil para o mundo.

  1. A estrada que deu à luz

Na noite do dia 19, em Candói, a BR-277 virou palco de um milagre. A gestante Amélia Anorte Lopes, em trabalho de parto, chegou à base da EPR Iguaçu numa ambulância municipal. Atendida pelo socorrista José Augusto, pela enfermeira Bruna Letícia e pelo médico Mateus Dalzotto, deu à luz à pequena Maria Eloá em minutos, no interior do veículo. “Foi a primeira vez que realizei um parto nessa situação. Uma menina saudável e fofa, que alegrou nossa noite”, relatou o médico. Devido à gestação de risco, mãe e filha foram encaminhadas ao hospital e passam bem. Para a concessionária, o episódio simboliza mais que eficiência. “É uma alegria para a EPR Iguaçu fazer parte desse momento. Situações como estas mostram que a concessão vai além de contratos: é parte do desenvolvimento das comunidades”, disse o diretor-executivo Silvio Caldas. Entre sirenes e quilômetros de asfalto, a rodovia testemunhou o mais belo dos acontecimentos: a chegada da vida.

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