OPINIÃO

A lição que a Direita ainda não aprendeu

Stephen Kanitz publicou neste fim de semana um artigo primoroso onde expôs com impecável clareza e refinada didática o maior dilema que enfrentamos na atualidade: a Direita trabalha, produz, constrói. A Esquerda ocupa os espaços, fala sem parar, domina a retórica, a universidade, a imprensa e o Estado. Resultado? Um desequilíbrio que nos custa caro em liberdade, representação e futuro.

Kanitz é empresário, administrador e consultor de renome internacional, foi professor da USP e é autor de livros e artigos de grande repercussão sobre gestão, política e sociedade. Reconhecido pela objetividade cirúrgica de suas análises, é uma das vozes mais respeitadas do pensamento liberal-conservador brasileiro.

Logo na abertura, ele se dirige diretamente àqueles que produzem riqueza real: “Aos engenheiros, empreendedores, inventores, administradores, comerciantes e industriais. São vocês que constroem, inovam e entregam produtos e serviços cada vez melhores e mais acessíveis. Essa é, e sempre foi, a essência da Direita: produzir progresso para nossos filhos terem um mundo melhor.”

Essa é a questão central: a Direita cria, inova, entrega. É sua alma. Mas, como ressalta Kanitz, o contraste é brutal.

“Do outro lado temos sociólogos, filósofos, advogados, políticos, jornalistas, professores de universidades estatais. Muitos identificados com a Esquerda. Gente que não cria, mas luta para redistribuir o que outros produzem. Que mais critica que constrói. Seu tempo é gasto em belos discursos, em mais impostos punitivos, em mais regulações sufocantes. E para isso, contam com instrumentos poderosos: a imprensa, as universidades, o ensino estatal e o Estado. Enquanto a Direita produz, a Esquerda faz política em tempo integral.”

Eis a raiz da diferença. Enquanto a Direita se entrega ao trabalho, a Esquerda se aplica ao jogo da política — e o faz sem descanso, ocupando e dominando espaços estratégicos.

“De vez em quando, surge uma voz corajosa que denuncia essa distorção. Charlie Kirk foi uma dessas vozes. Dedicou-se a expor os danos causados pela Esquerda, não apenas por sua notória improdutividade, mas também por suas ações destrutivas: greves, difamação, discursos de ódio. Ontem, Kirk foi assassinado pela Esquerda. Sua morte é um alerta brutal: não basta produzir, é preciso defender quem produz.”

Esse trecho é devastador. A lembrança de Charlie Kirk mostra até onde vai o ódio contra quem ousa dizer a verdade. Kirk pagou com a vida por expor a improdutividade e a violência da esquerda. Sua morte é um símbolo e um aviso: trabalhar e confiar apenas no mérito não basta — é preciso se defender.

Prosseguindo, Kanitz realça que “o Brasil não é diferente. Bolsonaro foi preso porque a Esquerda entrou em pânico diante da perda de sua hegemonia de três décadas, de FHC a Lula e Dilma, sempre orbitando o mesmo campo ideológico. Quando a Direita ameaça conquistar espaço político, a reação da Esquerda é imediata, e muitas vezes implacável.”

Nesse ponto, ele traz o exemplo direto do Brasil: um país dominado por décadas pelo mesmo eixo doutrinário, onde a reação à Direita é sempre impiedosa. O sistema não admite fissuras nem concorrência.

E conclui: “Por isso, você que é engenheiro, empreendedor, inventor, administrador, comerciante, industrial: não dedique 100% do seu tempo apenas ao trabalho. Reserve 10% para a política. Porque, se não o fizer, aqueles que vivem 100% da política acabarão destruindo o que você construiu. Charlie Kirk pagou com a vida por dizer essa verdade. Aqui, no Brasil, a escolha é nossa: continuar apenas trabalhando em silêncio, ou finalmente lutar para que quem produz também tenha voz.”

Esse é o coração do artigo — e a intimação que precisamos ouvir. A Direita não pode mais se limitar a trabalhar e esperar reconhecimento automático. É necessário falar, agir, ocupar, disputar. Isso não é apenas uma recomendação – é um grito de sobrevivência.

Estamos pagando caro, e muito caro, pelo silêncio da Direita.

Cada fábrica fechada por excesso de impostos, cada regulação absurda que mata a inovação, cada jovem moldado em universidades aparelhadas é fruto desse descompasso.

A Direita trabalha e confia que o mérito será suficiente. Não será.

Sem voz, sem articulação, sem ocupação de espaços, o trabalho de décadas pode ser desfeito num piscar de olhos.

Kanitz acerta ao nos convocar. Trabalhar é essencial, mas insuficiente.

O verdadeiro desafio da Direita é aprender a se fazer ouvir. Porque quem silencia abre mão não apenas do presente, mas também do amanhã.

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Um Comentário

  1. Será até quando essa dominação maléfica da esquerda x direita , bipolar , sustentada por argumentos falsos e violência generalizada !?? Energias que se dispersam “”BENZA DEUS :CHEGA !!!! “

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