OPINIÃO

Bloco de Notas

1 — Polícia bem armada, sociedade mais protegida

O governador Ratinho Junior acaba de assinar a maior compra de fuzis da história do Paraná: 1.544 unidades destinadas aos grupos especiais das polícias. São armas de última geração, fabricadas em Israel e na República Tcheca, com alto poder de precisão e alcance. Ratinho fez questão de frisar: “Investimos cada vez mais no preparo das nossas polícias”. Não é um gesto isolado. Desde o início do governo, ele tem priorizado a segurança pública, equipando tropas e reforçando a imagem de gestor que entrega resultados concretos. O detalhe é que o tema segurança estará no centro do debate presidencial de 2026, e Ratinho aparece entre os governadores cotados para o Planalto. Ou seja, não é apenas uma compra de fuzis — é também um movimento de posicionamento político que pode ecoar muito além dos quartéis.

2 — Petro dá uma viajada legal

Em Manaus, ao lado de Lula, Gustavo Petro resolveu dar mais uma de suas aulas de surrealismo político. O presidente colombiano defendeu, com todas as letras, a legalização da cocaína como forma de salvar a Amazônia. Disse que o álcool e a maconha também provocam problemas, comparou o pó branco ao uísque e concluiu que a culpa é de uma “política fracassada de Nova York”. A cada frase, Lula parecia menor na cadeira, diante do constrangimento. O detalhe saboroso: em maio, o então chanceler da Colômbia pediu a renúncia de Petro, acusando-o de ser viciado em cocaína. A ironia escorre sozinha. Quando Petro fala em vender cocaína como vinho, a impressão é que talvez já tivesse “degustado” uma carreira antes do evento. A cena foi um presente para quem aprecia o nonsense político latino-americano.

3 — Frimesa escala o Corinthians

O Corinthians anunciou uma nova parceria de peso: a Frimesa, maior indústria de suínos do Paraná e quarta do Brasil, vai estampar sua marca na camisa alvinegra. Fundada há 47 anos, a cooperativa cresceu a ponto de processar 15 mil suínos por dia, receber 850 mil litros de leite diariamente e faturar mais de R$ 7 bilhões ao ano. É a força do cooperativismo paranaense entrando em campo. O presidente da Frimesa, Elias Zydek, resumiu o espírito da jogada: “Vemos no Corinthians, um dos maiores canais de comunicação do Brasil, uma plataforma estratégica para fortalecer nossa marca”. Do outro lado, o clube comemora mais uma marca presente na mesa da torcida, numa mistura rara de marketing e cotidiano. A parceria é um golaço: para a Frimesa, visibilidade nacional; para o Corinthians, mais receita num uniforme que já é objeto de culto.

4 — Frei Chico na linha de tiro

A CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), onde o vice-presidente é ninguém menos que Frei Chico, irmão de Lula. Ainda não atingiu diretamente o parente ilustre, mas a aproximação é inevitável. O Sindnapi é citado em investigações que revelam descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões, numa indústria bilionária de desvio de dinheiro dos mais frágeis. Paralelamente, a PF deflagrou mais uma fase da Operação Sem Desconto. Entre os alvos, o lobista conhecido como Careca do INSS e o advogado Nelson Willians, que esbanjava luxo nas redes sociais enquanto movimentava mais de R$ 4 bilhões em transações suspeitas. A cena é de cinismo: aposentados contando moedas, enquanto operadores de esquemas desfilam carrões importados. E no meio disso, um sindicato presidido pelo irmão do presidente da República.

5 — O escândalo dos consignados

Se o rombo dos sindicatos já parecia gigantesco, o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, alerta que o próximo capítulo pode ser ainda mais devastador: empréstimos consignados. Segundo ele, as fraudes nesse setor podem chegar a R$ 70 bilhões. Para se ter ideia, é dez vezes maior que o prejuízo já identificado com as associações fajutas. A Controladoria-Geral da União mostrou que 97,6% dos beneficiários pesquisados negaram ter autorizado descontos. A suspeita é que tanto pequenos quanto grandes bancos estejam envolvidos. Falhas nos registros, ausência de fiscalização, contratos inexistentes — uma terra arrasada. Se confirmado, não será apenas mais um escândalo de CPIs, mas um dos maiores golpes financeiros contra aposentados da história brasileira.

6 — Festval: memória e futuro no centro de Curitiba

A rede Festval inaugurou sua 34ª unidade na Praça Ouvidor Pardinho, em Curitiba, ocupando um prédio histórico dos anos 1930 que antes serviu ao Exército e já foi supermercado. Agora restaurado, o imóvel é símbolo de uma estratégia: revitalizar espaços urbanos e preservar a memória arquitetônica da capital paranaense. A loja soma-se à unidade Palazzo Batel, ao lado do Palacete das Rosas, e à futura loja na Praça Osório, seguindo o mesmo conceito.

Além do impacto cultural, há o econômico: 180 novos empregos diretos só nesta unidade, parte de um pacote que deve gerar quase 800 vagas em Curitiba até o fim do ano. O prefeito Eduardo Pimentel aplaudiu a iniciativa, lembrando que comércio traz segurança, renda e vitalidade ao centro da cidade. O Festval mostra que é possível unir preservação histórica, expansão empresarial e modernidade de serviços num mesmo endereço.

7 — Visita presidencial com endereço errado

Poucas semanas após Lula e Janja visitarem a Favela do Moinho, em São Paulo, a polícia prendeu três líderes do tráfico que controlavam a comunidade. Entre eles, Alessandra Moja, irmã do traficante Leo do Moinho — justamente quem recebeu o presidente na associação local. Investigações revelaram que a sede da entidade comunitária servia como depósito de drogas e armas para o PCC. O constrangimento aumentou quando veio à tona que o ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, esteve na ONG para articular a visita. Ou seja, o governo federal foi parar, oficialmente, no esconderijo do crime organizado. Uma foto para a posteridade: o Estado apertando a mão da irmã do chefe do tráfico.

8 — Avicultura com DNA tecnológico

O Paraná continua a ditar o ritmo da avicultura nacional — e a receita do sucesso vai muito além da escala. O segmento investe pesado em tecnologia, logística e rastreabilidade, garantindo que cada frango paranaense seja acompanhado do aviário até o porto. Não por acaso, o Estado responde por 34,8% da produção de carne de frango no Brasil e por mais de 42% das exportações. O presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer, resume a fórmula: “Inovação e sustentabilidade foram determinantes para impulsionar todos os setores da cadeia produtiva”. Na prática, isso significa automação, monitoramento digital, sanidade e bem-estar animal. Na Lar Cooperativa Agroindustrial, cada etapa da produção é registrada, com códigos que permitem rastrear o produto até a mesa do consumidor. Os veterinários Daniel Dalla Costa e Lérida Fantin lembram que tudo é contínuo e documentado, de insumos a matérias-primas. O superintendente Jair Meyer reforça: “O objetivo é ser cada vez mais autossuficiente em todos os elos da cadeia”. Ou seja, nada escapa do controle. A avicultura paranaense prova que competitividade global não nasce do improviso, mas da soma entre tecnologia e disciplina.

9 — O milionário do uísque não é quem você pensa

Se alguém perguntasse quem teria a coleção de uísque mais valiosa do mundo, o palpite seria fácil: algum magnata europeu, um bilionário americano ou, no máximo, um investidor chinês. Errado. O título pertence a um vietnamita: Nguyễn Đình Tuấn Việt, dono de um acervo avaliado em US$ 150 milhões — algo em torno de R$ 900 milhões. São mais de 1.200 garrafas raras, incluindo nada menos que cinco exemplares do lendário Macallan 1926, considerado o uísque mais caro da história. Cada garrafa pode superar US$ 2 milhões em leilões. Việt também ostenta conjuntos completos do Macallan Fine & Rare, além de destilados centenários que parecem peças de museu. E não para por aí: ele também detém a coleção de conhaques mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 25 milhões, com 700 garrafas. Para quem acha que uísque é só um brinde, vale lembrar: algumas dessas garrafas são os últimos exemplares existentes no planeta. Em tempo de ostentação, Việt transformou destilados em patrimônio cultural líquido — literalmente.

10 — Luz sobre a estrada em Foz

A concessionária EPR Iguaçu, responsável por 662 quilômetros de rodovias no Oeste e Sudoeste do Paraná, concluiu a recuperação de 12 km de iluminação no perímetro urbano de Foz do Iguaçu, no trecho que liga a entrada da cidade à Ponte da Amizade. O sistema estava inoperante, após anos de furtos e vandalismo que deixaram a região às escuras. A obra faz parte do Plano de 100 Dias, que concentra intervenções prioritárias e imediatas. Foram instalados novos equipamentos e lâmpadas de LED, substituindo toda a estrutura elétrica comprometida. “Ouvimos a demanda da comunidade e implantamos um novo sistema de iluminação, garantindo mais visibilidade e promovendo a segurança viária”, explicou o diretor-executivo da EPR Iguaçu, Silvio Caldas.

Para o diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, o objetivo é claro: “A segurança e a preservação da vida são nossas prioridades. Atuamos diariamente para reduzir acidentes e proporcionar mobilidade mais segura e confortável para todos”. No asfalto iluminado, além de trafegabilidade, há um simbolismo: quando a administração pública e a gestão privada se unem para ouvir a comunidade, até o caminho mais escuro pode ser refeito com luz.

11 — Voto de Fux escancarou a farsa

O julgamento já estava escrito antes de começar. Jair Bolsonaro e auxiliares entraram no Supremo previamente condenados, num processo apressado, cheio de irregularidades, sem o mínimo respeito aos trâmites legais. A enxurrada de documentos entregues à defesa sem prazo razoável de análise, a escolha da 1ª Turma em vez do plenário, a rapidez em encerrar o assunto antes de 2026 — tudo revelava a intenção de afastar o ex-presidente das urnas.

E havia ainda outro vício: a própria composição da turma. Presidida por Cristiano Zanin, advogado pessoal de Lula até outro dia e hoje ministro do Supremo. Integrada também por Flávio Dino, nomeado por Lula, e por Cármen Lúcia, igualmente indicada por governos petistas. Sem falar em Alexandre de Moraes, que além de vestir a camisa lulo-petista, atuou como vítima, delegado, promotor e juiz ao mesmo tempo, sem jamais se declarar suspeito. É o que se pode chamar de imoralidade judicial. Foi nesse ambiente eivado de suspeições que Luiz Fux, nomeado por Dilma Rousseff, destoou. Em vez de seguir o roteiro, desmontou uma a uma as teses do relator, denunciou os atropelos processuais e absolveu Bolsonaro com convicção, lembrando que não existe prova incontestável que ligue o ex-presidente à suposta tentativa de golpe. O resultado final não mudou — os demais confirmaram a condenação. Mas o gesto de Fux ficará como alerta histórico: mesmo dentro de uma corte hoje dominada pelo alinhamento político, ainda há quem se comporte como juiz independente e isento.

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