CPMI do INSS: a pizza que queimou no forno

O governo sabia exatamente o que estava em jogo. Fraudes contra aposentados não são novidade, mas nunca tiveram a dimensão bilionária que atingiram neste terceiro mandato de Lula. O que antes era café pequeno virou banquete de sindicatos e associações ligadas ao petismo, que foram com toda a sede ao pote. Por isso o Planalto fez de tudo para enterrar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a roubalheira no INSS antes mesmo dela nascer.
Não conseguiu. E quando a comissão foi instalada, a estratégia passou a ser a velha receita: controlar a presidência e a relatoria para anestesiar as investigações. Também fracassou. A oposição articulou melhor, passou a perna na situação e tomou o comando inteiro: Carlos Viana (Podemos-MG) na presidência e Alfredo Gaspar (União-AL) na relatoria. Uma derrota acachapante, que expôs o amadorismo da base governista e deixou o governo sem freios no colegiado.
Isso significa algo muito claro: sob o comando da oposição, há não só esperança, mas quase certeza de uma apuração séria, profunda, sem poupar ninguém. A blindagem que o Planalto sonhava virou fumaça.
O segundo ato veio no Supremo Tribunal Federal. O caso, que dormia engavetado pelo ministro Dias Toffoli — nomeado por Lula e sempre pronto a segurar processos incômodos — foi retirado de suas mãos após pedido da PGR, que, para surpresa geral, desta vez agiu com independência. Por um desígnio quase divino, a relatoria caiu nas mãos de André Mendonça, indicado por Bolsonaro e detentor de reconhecimento internacional no enfrentamento a desvios de recursos públicos.
Se Toffoli era o último trunfo do governo para manter a tampa fechada, esse trunfo se perdeu.
Agora, o cenário é outro: uma CPMI controlada pela oposição e um relator no STF com histórico de combate à corrupção, sem vínculos com o atual poder executivo. O cerco se fecha. Estão na mira pelo menos 13 inquéritos da PF em cinco estados, fraudes que somam mais de R$ 6 bilhões e chegam até um irmão do presidente Lula, o conhecido Frei Chico, dirigente de um sindicato investigado.
O governo, que já foi obrigado a iniciar a devolução parcial do dinheiro, assiste à narrativa escapar de suas mãos. Não será mais possível varrer para debaixo do tapete uma fraude que sangrou milhões de aposentados e enriqueceu entidades aliadas. O que se espera é devolução integral do dinheiro surrupiado e punição exemplar, com direito a cadeia — não só discursos e desculpas esfarrapadas.
Se o Planalto sonhava com uma CPMI dócil e um Supremo complacente, acordou para um pesadelo perfeito: no Congresso Nacional, uma comissão de inquérito hostil; e na suprema Corte, um ministro que não reza pela cartilha do governo.
Como diz uma das mais famosas leis de Murphy: não há nada tão ruim que não possa piorar.










Acontece que o centrão já está acertando a blindagem do irmão do Lula-rapio. E quem está devolvendo o dinheiro roubado dos aposentados é o tesouro, isto é você contribuinte.
Outra pizza bem temperada.