OPINIÃO

Mais Médicos: a farsa que enriqueceu Cuba

O que sempre se denunciou — e por muito tempo se tentou encobrir com slogans piedosos — veio agora com carimbo oficial de Washington: o programa Mais Médicos foi menos, muito menos, sobre saúde, e mais, muito mais, sobre política externa petista.

Menos sobre cuidar de brasileiros e mais sobre sustentar a ditadura cubana.

Na semana passada, os Estados Unidos revogaram os vistos de ex-integrantes da equipe de Dilma Rousseff, acusando-os de cúmplices num “esquema de exportação de mão de obra forçada”. Um eufemismo diplomático para trabalho escravo, disfarçado de solidariedade. O recado foi direto: quem financia opressão não pisa em solo americano. Até a esposa e a filha do ministro da Saúde da época, Alexandre Padilha, que novamente ocupa o cargo, tiveram seus vistos cancelados.

Os números são eloquentes. Entre 2013 e 2017, cerca de R$ 13 bilhões saíram dos cofres públicos, e mais da metade foi parar em Havana. Os médicos cubanos, transformados em mercadoria diplomática, recebiam apenas entre 15% e 25% dos salários. O restante alimentava o regime sanguinário da família Castro. Para dar verniz jurídico à manobra, o governo Dilma usou a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) como intermediária, driblando o Congresso e vestindo a operação com a fantasia de cooperação internacional.

Enquanto isso, no chão dos consultórios, a realidade era brutal: médicos como Tatiana Carballo, que relatou receber R$ 1,2 mil por mês para atender 30 pacientes por dia em Limeira, enquanto colegas estrangeiros recebiam R$ 11 mil. Quem ousava desertar era vigiado, punido ou separado da família em Cuba. Não por acaso, ações judiciais internacionais já acusam o programa de tráfico humano e escravidão moderna.

Quando Jair Bolsonaro exigiu o óbvio — pagamento direto, revalidação de diplomas, direito de trazer as famílias —, Havana recolheu seus 8,5 mil soldados de jaleco, deixando claro que não se tratava de missão humanitária, mas de um negócio milionário. O governo brasileiro, então, reformulou o modelo e criou o Médicos pelo Brasil, com contratação via CLT, salários dignos e progressão por desempenho — um contraste gritante com a engrenagem anterior.

Em 2023, Lula ressuscitou o programa, rebatizado de “Mais Médicos para o Brasil”. Mas, como o TCU já apontou, a essência não mudou: faltam diagnóstico, metas e transparência. A maquiagem pode ser nova, mas o roteiro é antigo.

O episódio expõe o Brasil como conivente de um crime escandaloso: usar a saúde pública como biombo para irrigar uma ditadura assassina. O que parecia uma política social virou um mecanismo de submissão diplomática.

Agora, a história registra a cumplicidade — e não há maquiagem capaz de apagar a marca infame de ter transformado médicos em moeda de troca para sustentar tiranos.

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2 Comentários

  1. Olá Caio. Desde sempre, tenho o privilégio de desfrutar de seus lúdicos e tenazes comentários, enfim permita-me : o tal programa deveria ser chamado NÃO de mais médicos, mas a maioria desse pessoal que veio para nosso País nem formação em medicina tem. Sei e tenho documentos, que o programa deveria ter outra denominação, ou seja mais ENFERMEIROS ou TÉCNICOS EM ENFERMAGEM, o que acredito que seria mais saudável para a categoria citada acima. ELES , SIM SÃO HERÓIS em submeter se a eese escárnio do SAPO BARBUDO. Abraços fraternos as enfermeiras(os) e técnicos , esses SIM são HERÓIS, NAO esses VASSALOS que comandam essa ditadura de Cuba que propaga se à décadas.

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