OPINIÃO

Bloco de Notas

  1. O preço da leniência

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou ranking das dez cidades mais violentas do Brasil. Sete delas estão em estados governados pelo PT. Coincidência? Difícil acreditar. O traço comum é outro: a indulgência diante do crime, sempre justificada pelo velho bordão da defesa dos “direitos humanos”. O problema é que, nessa equação, os direitos humanos das vítimas raramente entram na conta. Historicamente, o PT evita respaldar de forma firme a polícia ou a Justiça. Tudo é reduzido à “questão social”. O resultado está aí: territórios dominados por facções, populações reféns do medo e governadores que se esquivam da responsabilidade. Não se trata de apoiar criminosos, mas de fingir que eles não existem enquanto se multiplicam. E essa omissão, travestida de virtude, está custando caro em vidas humanas.

  1. O festão da impunidade

As imagens da comemoração da data natalícia da advogada Guiomar Mendes, esposa do ministro Gilmar, foram quase um raio-X do sistema: políticos enrolados, empresários suspeitos e magistrados brindando juntos em uma mansão de Brasília. Entre os convidados, Aécio Neves, Renan Calheiros, Lobão, Vital do Rêgo, presidentes de tribunais, banqueiros generosos com o IDP e advogados de investigações malparadas. Um verdadeiro mosaico da promiscuidade institucional. A lista de favores concedidos por Gilmar a essa turma é tão vasta que mais parecia um currículo coletivo exibido no salão. Em comum, todos têm algo pendente na Justiça — e um elo de gratidão com o anfitrião. Ali, processos viram lembranças distantes e a toga se mistura ao uísque. O que deveria causar constrangimento virou celebração pública. Afinal, no Brasil, até a aparência de conflito de interesse já não choca mais: é apenas retrato de família.

  1. Gilmar lança candidato

Na mesma festa, Gilmar resolveu dar manchete. Entre uma taça e outra, confidenciou a uma colunista social que o senador Rodrigo Pacheco é o “nosso candidato” à próxima vaga do STF. Nosso, no caso, é da Corte — como se fosse função de ministro escalar futuros integrantes do Olimpo brasileiro. O comentário surgiu no embalo de rumores sobre uma possível aposentadoria precoce de Barroso, depois de deixar a presidência. A declaração soa como se o Supremo fosse um clube fechado, em que só entra quem recebe o selo de aprovação dos decanos. “O STF é jogo para adultos”, disse Gilmar. A frase resume bem o espírito: conchavos e candidaturas lançadas não em sabatinas no Senado, mas em confraternizações de aniversário. A que ponto chegamos.

  1. Togados em pânico

Um político com trânsito livre no Supremo Tribunal Federal confidenciou: os ministros estão “apavorados” com a possibilidade de serem incluídos na lista da Lei Magnitsky, o mesmo destino já imposto a Alexandre de Moraes. E não é para menos. A lei americana não precisa “vigorar no Brasil” para ter efeito: basta alguém ter negócios, contas ou interesses fora do país para sentir o baque. O temor não é filosófico, é bancário. Bloqueio de contas, restrição a operações internacionais, contratos travados — um pesadelo para quem multiplica escritórios comandados por parentes, sócios ocultos e amigos de conveniência. Até Flávio Dino tentou blindar Moraes com a pérola de que “leis estrangeiras não se aplicam no território nacional”. Um raciocínio tosco que ignora o óbvio: a Magnitsky se aplica a quem queira transacionar com os Estados Unidos, não a quem queira dar aula de soberania em Brasília. Como comentou, pesaroso, o parlamentar: “Imagine só isso acontecer no atual estágio de vida deles. Ninguém quer uma coisa dessas”. Realmente, seria uma judiação.

  1. Barroso abre a porta

Em evento fechado em Cuiabá, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, deixou escapar uma pista preciosa. Segundo ele, “não se anistia sem julgamento”. Do ponto de vista jurídico, sublinhou Sua Excelência, seria impossível uma anistia antes da condenação. Mas depois? Ah, depois passa a ser “uma questão política”, a cargo do Congresso. Na prática, Barroso sinalizou que a Corte pode simplesmente lavar as mãos se o Parlamento decidir aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita para os réus do 8 de Janeiro — incluindo o ex-presidente Bolsonaro. A declaração pode soar como tecnicismo, mas abre um caminho interpretado por muitos como uma luz verde discreta. Em outras palavras: o STF pode estar desenhando uma solução para a enrascada em que se meteu ao respaldar os abusos tirânicos do xerife Alexandre de Moraes.

  1. Visto para quem merece

Os Estados Unidos anunciaram que manifestações antiamericanas poderão pesar contra candidatos a visto ou benefícios imigratórios. É a lógica mais simples do mundo: quem odeia o país, que fique em casa. A nova diretriz do USCIS autoriza a checagem de redes sociais e a negativa de vistos para quem promove ideologias hostis ou grupos terroristas. E aqui cabe dar toda a razão ao Tio Sam: qual o sentido de alguém criticar o “império americano” e, ao mesmo tempo, implorar para viver, estudar ou trabalhar lá? Hipocrisia não é virtude diplomática. Na prática, os Estados Unidos estão apenas lembrando que imigração é privilégio, não direito. E que benefícios não serão concedidos a quem dedica o tempo a atacar a nação que, no fundo, deseja usufruir. Uma lição simples que poderia ser exportada: coerência também é política pública.

  1. A crise chega ao campo de batalha

O governo brasileiro decidiu cancelar exercícios militares conjuntos com os EUA, previstos para setembro e outubro. Oficialmente, a desculpa foi falta de recursos. Mas a versão não se sustenta. Afinal, manteve-se justamente a parte mais custosa da Operação Formosa — deslocando 2 mil fuzileiros do Rio até Goiás — e cortaram-se as manobras que envolviam tropas americanas. O gesto cai como mais um tempero no embate diplomático com Washington. O Planalto parece disposto a acumular desavenças com o parceiro histórico, seja na economia, seja agora na defesa. Cancela-se a cooperação militar no mesmo momento em que o país enfrenta tarifas recordes e sanções. Retaliação boba que não contribui em nada para acalmar os ânimos. Estratégia de principiante.

  1. A jogada de mestre que humilhou o governo

Enquanto o Planalto dormia, a oposição articulava. Na calada da noite, bolsonaristas e aliados do Centrão costuraram a vitória mais expressiva do ano: a presidência e a relatoria da CPMI do INSS ficaram nas mãos de oposicionistas. O governo acreditava ter o controle do colegiado — e acordou com uma derrota acachapante. A estratégia foi simples: silêncio absoluto. Nada de declarações em plenário, nada de entrevistas inflamadas. A oposição passou a terça-feira e a madrugada contando votos, alinhando nomes e combinando a chegada em bloco para surpreender a base governista. Quando Randolfe Rodrigues, líder do governo, deu o ar da graça atrasado, a vaca já tinha ido para o brejo. O episódio não deixa dúvidas: Lula governa em minoria num Congresso majoritariamente de centro-direita e com uma articulação política que beira o amadorismo. O Planalto queria controlar a CPMI porque sabe onde está o rastro dos desvios: esmagadoramente concentrados neste terceiro mandato do petista. Agora, com a comissão presidida por opositores, há a perspectiva de uma investigação de fato — com consequências reais para quem saqueou aposentados e pensionistas.

  1. O amigo Xi não é tão amigo assim

O foco de gripe aviária em Montenegro (RS), primeiro em uma granja comercial brasileira, foi controlado com rapidez e eficiência. Em 28 dias, nenhum novo caso. Em 16 de junho, o Brasil se autodeclarou livre da doença. Dez dias depois, a Organização Mundial de Saúde Animal confirmou: o surto estava resolvido. Um exemplo mundial de sanidade e rigor sanitário. Dezenas de países reabriram seus mercados às exportações brasileiras. Japão, Chile, Arábia Saudita e outros já voltaram a comprar. Só um país permanece de braços cruzados: a China. E aí entra o detalhe curioso. Lula adora se gabar da amizade com Xi Jinping, repete que tem no ditador chinês um aliado pessoal, posa de estadista em Pequim. Mas, quando o que está em jogo é o bolso dos produtores brasileiros e o maior mercado de frango do planeta, essa relação, ao que parece, não conta muito. O Brasil faz a lição de casa, o mundo reconhece — e a China mantém as portas fechadas. E aí, Lula, sua amizade com o Xi não vai resolver essa parada?

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