O imposto que encolhe — e o Estado que cresce

Num país em que a regra tem sido sempre aumentar a carga tributária, o Paraná resolveu remar contra a corrente. A redução de 45% no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) anunciada pelo governador Ratinho Júnior, faz do Estado o detentor da menor alíquota do Brasil a partir de 2026: de 3,5% para 1,9% sobre o valor venal.
A medida alcança 3,4 milhões de proprietários de veículos — em outras palavras, quase toda a classe média que se acostumou a ver no boleto do imposto um símbolo de abuso estatal.
Não se trata, porém, de milagre contábil ou de populismo de ocasião. O corte só é possível porque o Paraná fez a lição de casa: enxugou mordomias, aparou o excesso da máquina pública, equilibrou as contas e assumiu o primeiro lugar no Índice de Liquidez Fiscal, do Centro de Liderança Pública — indicador que mede a capacidade de um Estado honrar suas dívidas. O governador não cansa de repetir uma frase que resume sua filosofia: “Estado moderno é aquele que é barato para o cidadão.”
E barato não significa menor, mas mais eficiente. Enquanto reduz impostos, o Paraná amplia obras e serviços: lidera o ranking da educação no Brasil, registra queda expressiva da criminalidade, exibe o maior programa habitacional do país, investe em saúde, avança em rodovias e até no simples asfalto das ruas municipais. É também o Estado mais inovador em tecnologia e gestão pública e referência internacional em sustentabilidade.
O contraste é claro: quando o governo gasta menos consigo mesmo, pode gastar mais com as pessoas.
A responsabilidade fiscal acompanha a ousadia. Para equilibrar a redução da alíquota e garantir a saúde das contas públicas, o governo elevará a multa por atraso no pagamento do IPVA de 10% para 20% a partir de 2026, mantendo a incidência de juros diários pela Selic. Além disso, aposta na repatriação de veículos emplacados em outros estados, como Santa Catarina, para ampliar a base de arrecadação.
Vale lembrar que não se trata da primeira mudança: no ano passado, o Paraná isentou do imposto as motocicletas de até 170 cilindradas, beneficiando 732 mil pessoas — sobretudo motoboys e entregadores. A redução agora anunciada, portanto, não é um gesto isolado, mas parte de uma trajetória coerente de desoneração.
Os adversários políticos, como era previsível, tentam carimbar a medida como movimento eleitoral. Afinal, Ratinho surge nas pesquisas nacionais como um dos nomes mais fortes da direita para disputar a presidência da República no ano que vem, respaldado pelos altíssimos índices de popularidade que ostenta no Estado. Mas seria ingenuidade imaginar que qualquer decisão de governo seja desprovida de cálculo político. Toda obra, todo programa, todo decreto carrega essa dimensão. A diferença é que, aqui, a política não é contrária à boa gestão — ela é consequência dela.
Não é por acaso, aliás, que nos dois mandatos que Ratinho vem exercendo no Palácio Iguaçu, o Paraná já atraiu mais de 300 bilhões de reais em investimentos privados – um sinal inequívoco de que o Estado construiu um ambiente favorável e estimulante para os empreendedores – e alcançou a posição de quarta maior economia nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O fato é que, ao reduzir o IPVA, Ratinho Júnior devolve ao cidadão algo que parecia inalcançável: o direito de pagar menos imposto. Em números simples: quem tinha um carro de R$ 50 mil e pagava R$ 1.750 passará a pagar R$ 950. É dinheiro que pode virar férias em família, compras no comércio ou investimento pessoal. É combustível não apenas para o motor do carro, mas para o motor da economia.
Em tempos de arrocho fiscal e cofres públicos sedentos, cortar imposto é quase um gesto de rebeldia. O Paraná mostra que governar bem é, sobretudo, devolver ao cidadão a confiança de que o Estado trabalha a seu favor.









