OPINIÃO

O discurso nacionalista que não paga a conta

Eis que o Datafolha resolveu medir de quem é a culpa pelo tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil.

Os números são eloquentes: 35% dos brasileiros apontam Lula, 22% Jair Bolsonaro, 17% Eduardo Bolsonaro — filho número 2 do ex-presidente e deputado federal por São Paulo — e 15% o ministro Alexandre de Moraes.

No agregado, a conta é cristalina. O consórcio que governa o país, PT e STF, concentra 50% das responsabilidades. Do outro lado, Jair e Eduardo Bolsonaro somam 39%. É o retrato de um país partido ao meio, mas com uma conclusão inequívoca: a maioria dos brasileiros responsabiliza diretamente Lula e seu governo pelo desastre que ameaça mergulhar a economia nacional em recessão.

O curioso é que o dado vem justamente do Datafolha, instituto cujos números, historicamente, tendem a soar convenientes ao PT.

Mas há momentos em que nem a estatística suporta a ficção. É quando a realidade das ruas se impõe, e aí não adianta dourar a pílula — se os dados não coincidirem com o sentimento popular, serão desmentidos pelas pesquisas de outros institutos e, pior, pela vida real.

E a vida real mostra que a narrativa do lulopetismo começa a se esfarelar. O discurso inflamado da “soberania nacional”, brandido como justificativa para o confronto com Washington, já não convence.

Fica evidente que não passa de um expediente eleitoreiro, uma tentativa de extrair dividendos políticos às custas de empregos, investimentos e da própria estabilidade econômica do Brasil.

Por essa lógica torta, é mais importante posar de herói anti-imperialista do que proteger o bolso do trabalhador. É mais útil desafiar a maior potência do mundo com bravatas nacionalistas do que negociar com pragmatismo. É mais interessante sacrificar o país inteiro do que perder o palanque.

O Datafolha, insuspeito em sua trajetória de simpatias, entrega agora uma verdade incômoda: a culpa já recai sobre Lula.

O povo sabe quem acendeu o pavio do confronto e arrastou o Brasil para a fogueira.

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