OPINIÃO

O grito que ecoa além da política

“O Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula.” A frase de Tarcísio de Freitas, lançada em São Paulo durante encontro do BTG Pactual com outros governadores-presidenciáveis, foi escolhida pelo Estadão como síntese de um tempo.

E o jornal, em seu editorial, foi de uma precisão cirúrgica: captou não apenas um desabafo eleitoral, mas um diagnóstico histórico.

Sim, é disso que se trata. O esgotamento não é retórico — é contábil, social, moral e geopolítico.

O lulopetismo é, como escreveu o Estadão, fiscalmente insustentável, economicamente estagnante, institucionalmente corrosivo e diplomaticamente anacrônico.

Uma combinação tóxica que, se fosse remédio, viria com tarja preta e bula de alerta em caixa alta: “uso prolongado pode causar falência múltipla dos órgãos nacionais”.

Convém lembrar que o PT jamais foi um partido comprometido com a responsabilidade. Desde a origem, opôs-se à Constituição de 1988 e sabotou o Plano Real, duas colunas estruturais da nossa redemocratização.

Quando chegou ao poder, a conta veio alta: retrocesso na produtividade, deterioração fiscal, loteamento do Estado, corrupção sistêmica e uma política externa que confunde soberania com bajulação de ditadores e hostilidade infantil ao Ocidente.

O balanço é devastador. Na economia, reformas foram substituídas por gastança, subsídios distorcidos e intervencionismo errático. Resultado: dívida crescente, déficits crônicos, juros que estrangulam o setor produtivo e paralisia do investimento privado.

O Estadão lembrou com pertinência: segundo o FMI, em 45 anos o Brasil caiu do 48.º para o 87.º lugar em PIB per capita. Coincidência? Difícil acreditar, quando se nota que o PT esteve no comando em 16 dos últimos 22 anos.

No plano institucional, consolidou-se uma cultura hostil ao mérito e amigável ao clientelismo. O serviço público foi loteado a aliados, estatais se transformaram em cabides de emprego e o Congresso foi tratado ora como inimigo a ser demonizado, ora como balcão de negócios para ser comprado.

No campo moral, o partido que se arrogava o monopólio da ética foi autor do maior escândalo de corrupção da nossa história. Ironia não: tragédia.

Na política externa, a cena beira o ridículo. Enquanto o mundo negocia pragmaticamente com Washington para não perder espaço na corrida tecnológica, Lula insiste em posar de líder sindical de assembleia estudantil, recitando mantras contra o “imperialismo estadunidense” e abraçando autocratas de quinta categoria.

É o Brasil do século XXI tentando se inserir no mundo com slogans de 1970.

A frase de Tarcísio é, portanto, mais do que um alerta: é a constatação de um limite estrutural. O país não aguenta mais déficits empilhados sobre déficits, nem pode perder mais décadas discutindo fantasmas marxistas enquanto o planeta avança em energia limpa, inteligência artificial e biotecnologia.

Mas é fundamental sublinhar: não se trata apenas de uma voz isolada. No mesmo encontro, Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite reforçaram que a virada de página passa por um conjunto de princípios que devem ser comuns a qualquer projeto sério de futuro: responsabilidade fiscal como base da responsabilidade social; reforma orçamentária e modernização administrativa; combate implacável à corrupção e aos privilégios; e uma visão de Brasil conectada às oportunidades globais.

O Estadão foi certeiro: mais do que nomes, o que importa é essa bússola de valores. É ela que separa a estagnação do lulopetismo da possibilidade de uma nação digna do nome.

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