Parto VIP barrado no check-in

A notícia mal tinha saído das redes sociais da embaixada dos Estados Unidos e já tinha comentarista engajado, colunista de esquerda e influenciador “progressista” rasgando as vestes, indignados com “mais uma crueldade de Trump”.
Na narrativa, era quase uma tragédia humanitária: coitadas das brasileiras ricas, privadas de presentear seus rebentos com a cidadania da maior potência do mundo. O detalhe, convenientemente ignorado, é que essa prática é proibida por lei americana há anos — não é capricho presidencial nem delírio da direita radical. Mas, claro, quando o alvo é Trump, qualquer fato é dispensável.
No ranking das extravagâncias tropicais, poucas superam a façanha de atravessar o continente grávida só para garantir, pelo menos para os herdeiros, um bote salva-vidas estampado com a águia americana. É o famoso “turismo de nascimento” — a moda tropical-chique de desembarcar nos Estados Unidos com cara de turista, dar à luz em solo americano e voltar com um bebê made in USA. Uma operação de logística patriótica… para outro país.
E não se trata de uma guinada súbita na política migratória: a norma já existe há muito tempo e, agora, recebeu apenas mais ênfase e visibilidade. No segundo mandato, o governo americano decidiu jogar luz sobre o assunto e lembrar que, nas entrevistas consulares, o objetivo da viagem é minuciosamente avaliado. Se houver indícios de que a intenção é parir em território americano, o visto será negado. E se a artimanha vier à tona depois, pode resultar no cancelamento do documento, na proibição de entrada e na contestação judicial da cidadania obtida.
O Brasil, é claro, sempre teve sua cota de mães dispostas a pagar caro pela “esperteza” de desfilar socialmente com um filho nascido na terra do Tio Sam — orgulhosas de poder dizer que a cria já chegou ao mundo com passaporte azul marinho, como se isso fosse medalha de status. Uma incoerência que faria corar até o mais cínico dos diplomatas.
No fundo, é o velho complexo de republiqueta de bananas, recoberto por roupagem de luxo e justificativas sofisticadas.
Só que agora, quem tentar dar esse “jeitinho internacional” corre o risco de voltar com a mala cheia de fraldas, a conta hospitalar nas alturas — e, como souvenir, a pecha de ter praticado aquela malandragem tipicamente brasileira: a de querer ser americano… sem nunca deixar de ser brasileiro.







