Bloco de Notas

1 – Curitiba, capital da direita
O instituto Paraná Pesquisas confirmou o óbvio ululante: Ratinho Júnior reina soberano no Estado. Em Curitiba, 81,1% de aprovação — patamar que se repete no resto do Paraná — e apenas 15,6% de desaprovação. Lula, por sua vez, amarga mais de 60% de rejeição na capital. Não é apenas índice: é sintoma. Curitiba consolida-se como o bastião da direita no Sul, e o governador, com esse capital político, pode mirar mais alto em 2026. Não é por acaso que ele desponta na lista dos prováveis protagonistas na disputa pelo Palácio do Planalto. Afinal, quando o eleitorado te trata como unanimidade, o adversário vira detalhe.
2 – O nó do Cascavel Velho, enfim desatado
Depois de décadas de espera, promessas e suspenses dignos de novela mexicana, o viaduto do Cascavel Velho finalmente vai sair do papel. A obra, que só seria tocada pela EPR lá pelo sexto ano de concessão, será feita pela prefeitura, com R$ 20 milhões já garantidos pelo Estado. Um investimento que liga ruas, bairros e desafoga um fluxo diário de veículos que hoje depende do saturado Trevo do Portal. Mais de 65 mil moradores verão, enfim, o “nó” urbano se desfazer — e com ele, parte da paciência já esgotada.
3 – Cem dias para mudar o asfalto
A EPR Iguaçu completa quase três meses de operação administrando 662 km de rodovias no Oeste e Sudoeste do Paraná e já exibe números que fariam inveja a muito gestor público: 230 km de pavimento requalificados, quase duas mil placas novas, 175 mil m² de sinalização revitalizada e 55 toneladas de lixo recolhidas. No foco, dez pontos críticos, seis deles na BR-277 — artéria vital da economia paranaense. O discurso é de segurança e mobilidade; a prática, pelo visto, está começando a confirmar a teoria.
4 – Fachin sobe, Moraes acompanha
Em votação simbólica e unânime, Edson Fachin foi eleito presidente do STF. Terá como vice Alexandre de Moraes, reeditando a dupla que comandou o TSE em 2022 — aquela eleição que dispensa comentários sobre imparcialidade. Nomeado por Dilma Rousseff em 2015, o “currículo” de Fachin inclui pedido público de votos para a petista e a defesa do MST. No Brasil, onde toga combina com ideologia, a presidência do Supremo continua sendo menos sobre justiça e mais sobre alinhamento. É aí que mora o perigo.
5 – Mata Atlântica, logística germânica
Enquanto a COP30 em Belém patina entre hospedagens lotadas, preços abusivos e infraestrutura precária, os governadores do Cosud (Sul e Sudeste) organizam em Curitiba uma conferência sobre a Mata Atlântica. A diferença? Estrutura, pontualidade e pauta definida. No fim, entregarão um documento robusto ao governo federal e à organização da COP. Quem diria: para aprender logística, é melhor pegar um voo para o Sul do que para a Amazônia.
6 – Frimesa e o ouro da biosseguridade
A Frimesa atingiu 80% de suas granjas certificadas em biosseguridade, meta prevista para 2025. O feito é resultado de investimentos, treinamentos e auditorias rígidas, garantindo rebanhos mais protegidos e carne de qualidade superior. Desde 2012, o programa “Suíno Certificado” segue padrões da Embrapa e da Adapar, premiando produtores que atingem excelência. São cuidados como esses que fazem da Frimesa um orgulho do agronegócio paranaense e uma referência nacional e internacional em alimentos derivados de carne suína e laticínios.
7 – Magnitsky: o xerife e sua trupe
A sanção dos EUA contra Alexandre de Moraes na Lei Global Magnitsky colocou o ministro na mesma lista de traficantes, terroristas e lavadores de dinheiro. O pacote inclui colaboradores do Hezbollah, da Al Qaeda, do PCC e do Comando Vermelho. A diferença é que, no caso de Moraes, o motivo oficial foi “graves violações de direitos humanos” — e não exatamente tráfico ou explosivos. Seja como for, o xerife do STF está, digamos, em boa companhia.
8 – TPM: Tensão Pré-Magnitsky
Bernardo Barroso, filho do presidente do STF, é diretor do BTG Pactual em Miami. Estava de férias na Europa quando os EUA cancelaram os vistos de oito ministros, incluindo o pai. Aconselhado a não voltar para evitar constrangimentos na imigração, optou pelo retorno direto para o Brasil. Nos bastidores, a toga anda inquieta. Entre cancelamentos de visto e medo de sanções financeiras, há ministros vivendo uma espécie de TPM — tensão pré-Magnitsky — que nem chá de camomila resolve.
9 – Duquesa de Tax e o band-aid presidencial
No seu podcast “Não Vou Passar Raiva Sozinha”, a colunista Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, comentou o pacote anunciado por Lula para amenizar os efeitos do tarifaço de Trump. Definiu as medidas como “um band-aid para um ferimento à bala” e ironizou a narrativa do presidente, que já pensa em 2026: o Brasil como coitadinho, vítima de um gigante malvado. A Duquesa, com sua ironia afiada, lembra que obviedades também podem ser políticas — só não curam feridas.
10 – Mais Médicos, menos liberdade
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revogou os vistos de autoridades brasileiras ligadas ao programa Mais Médicos. A justificativa: cumplicidade com o esquema cubano de exportação de trabalho forçado. Todos sabiam — e fingiam não saber — que médicos recebiam apenas uma fração do que o Brasil pagava ao governo de Havana. Agora, a conta chega em forma de sanção diplomática. É o preço de fechar os olhos para o óbvio.
11 – Glória Perez e as novas Solanges
Glória Perez, autora de clássicos da TV, detonou a “cultura woke” em entrevista à Folha de S.Paulo. Para ela, a onda de evitar temas sensíveis e conflitos humanos engessou a dramaturgia, tornando-a fórmula repetitiva. Disse que hoje a censura é pior que na ditadura: “antes você tinha uma censura comandada pela dona Solange [Hernandes, chefe da Divisão de Censura de Diversões Públicas do regime militar]. Era ela quem mandava cortar as coisas. Só que agora nós temos uma multiplicidade enorme de ‘Solanges’. Nas redes sociais, com raras exceções, cada pessoa é uma Solange diferente, julgando o outro e tentando cassar a palavra alheia. A propósito, a consagrada dramaturga deixou a Globo ao ter cerceada sua liberdade de criar. Mas talvez Glória tenha sido censurada na emissora por outro motivo: ela apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022.









