Um ano de EPR Iguaçu — e as rodovias já não são as mesmas

O Paraná é um dos estados que mais cresceu no Brasil na última década. Sua economia avançou, seu agronegócio bateu recordes, sua população urbana se expandiu — e suas rodovias, em boa parte, ficaram para trás.
Não por falta de vontade política, mas por uma equação que nenhum tesouro estadual, sozinho, consegue resolver: obras de infraestrutura desta escala exigem bilhões de reais que os governos simplesmente não têm disponíveis, especialmente num país onde saúde, educação e segurança já disputam cada centavo do orçamento.
A saída, em todo o mundo, tem um nome: concessão. E o Paraná foi buscar essa saída com determinação.
Em 8 de maio de 2025, a EPR Iguaçu assumiu a gestão de 662 quilômetros de rodovias nas regiões Oeste e Sudoeste do estado — trechos que cortam a BR-277 entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu, a BR-163 entre Cascavel e Realeza, as PRs 182 e 483 entre Realeza e Francisco Beltrão, e ainda as PRs 180, 280 e 158 entre Marmeleiro, Vitorino e Pato Branco.
Um corredor estratégico, por onde circula parte expressiva da produção agrícola paranaense e o fluxo intenso de pessoas e mercadorias que movimenta a economia regional. Um ano depois, é possível medir, em números concretos, o que significa tirar do papel um compromisso desse porte.
Em doze meses, mais de 700 quilômetros de faixas tiveram o pavimento recuperado. Foram implantadas 7 mil placas de sinalização vertical, executados mais de 626 mil metros quadrados de pintura horizontal e instaladas mais de 344 mil tachas refletivas. Cerca de 7 mil quilômetros de serviços de roçada foram realizados ao longo do trecho concedido.
A recomposição do sistema de iluminação, a recuperação de 609 placas de concreto no pavimento rígido da BR-163 e a regularização do plantio na faixa de domínio completam o quadro de uma malha que, em um ano, mudou de patamar.
O diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, destaca que o ritmo foi além do previsto: a concessionária antecipou em quatro meses a entrega dos trabalhos iniciais, garantindo melhores condições de trafegabilidade justamente no período mais sensível para o setor produtivo regional — o escoamento da safra. “Estabelecemos diálogos e mantivemos uma escuta ativa de toda a comunidade, criando em conjunto as melhores soluções que visam contribuir com o desenvolvimento sustentável de todas as regiões onde estamos presentes”, afirma.
Mas a recuperação do pavimento é apenas a camada mais visível do trabalho. No campo da segurança viária, dois avanços chamam atenção pelo impacto direto na vida das pessoas: a liberação do tráfego sob o Viaduto de Santa Lúcia, que qualificou a travessia urbana do município, e as obras de contenção na Serra da Esperança — intervenção de fundo que atua na prevenção de acidentes e na fluidez em um dos pontos mais críticos do trecho. Para o diretor-executivo Silvio Caldas, essas entregas traduzem o compromisso assumido com a segurança: “É uma alegria completarmos um ano de trabalho com marcos e avanços em intervenções estruturantes importantes.”
Na frente operacional, os números são igualmente expressivos. Desde 16 de maio de 2025, a EPR Iguaçu realizou 151 mil atendimentos nas rodovias sob sua gestão, entre inspeções de tráfego e serviços de socorro médico e mecânico — uma média de 450 por dia. Entre os registros, três partos assistidos pelas equipes da concessionária são o símbolo mais humano dessa presença constante.
Cinco novas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário foram ativadas, viaturas e equipamentos de radar móvel foram entregues à Polícia Rodoviária Federal e Estadual, e campanhas educativas alcançaram milhares de motoristas ao longo do corredor.
O segundo ano anuncia entregas ainda mais ambiciosas. Três Pontos de Parada e Descanso serão implantados — dois na BR-277, nos municípios de Candói e Catanduvas, e um na PR-182, na região de Ampére —, oferecendo a motoristas profissionais estacionamento, segurança, chuveiros, refeitório e Wi-Fi, com foco direto na redução da fadiga ao volante.
Três postos de pesagem dinâmica em velocidade de via (HS-WIM) serão instalados na BR-163, em Lindoeste, e na BR-277, em Cascavel e Guarapuava, permitindo monitoramento contínuo de cargas em movimento e preservando o pavimento. E cinco novas unidades operacionais para as Polícias Rodoviárias — quatro federais e uma estadual — serão construídas ao longo do trecho, reforçando a fiscalização e a presença institucional. Todas as iniciativas têm estudos técnicos já protocolados junto à ANTT e entrega prevista até maio de 2027.
É aqui que a equação da concessão mostra seu valor mais amplo. Enquanto a EPR Iguaçu mobiliza os recursos privados necessários para modernizar uma malha rodoviária que o estado jamais conseguiria financiar sozinho, o Governo do Paraná pode direcionar seus recursos para onde o mercado não vai: saúde, educação, segurança pública, habitação.
A concessão não é uma renúncia do estado — é uma inteligência de gestão. O pedágio é o preço de uma rodovia que funciona, que é conservada e que salva vidas e escoa a produção. O Paraná escolheu o caminho mais curto entre o atraso e o futuro. E o resultado está na estrada.



