Opinião

Segurança pública: o Paraná tem o que mostrar

Quando 70% dos municípios de um estado com mais de 11 milhões de habitantes chegam ao fim de um trimestre sem registrar um único homicídio, não estamos diante de uma coincidência estatística. Estamos diante de uma política pública que funcionou. Os dados do primeiro trimestre de 2026 confirmam o que os números de 2025 já anunciavam: o Paraná está em uma trajetória consistente de queda da criminalidade, e essa trajetória tem nome, tem método e tem endereço.

No período de janeiro a março deste ano, os homicídios caíram 10% em relação ao mesmo trimestre de 2025, totalizando 303 casos — o menor registro da série recente. Os roubos recuaram entre 22% e 23%. Os roubos de veículos, entre 20% e 22%. Os furtos de veículos registraram redução de até 15%.

Na Região Metropolitana de Curitiba, a queda de homicídios chegou a quase 15% na comparação com o ano anterior — e atinge impressionantes 48% quando o confronto é feito com 2018, ano em que o atual governo tomou posse pela primeira vez. São números que não se fabricam em campanha publicitária. São números que se constroem em oito anos de trabalho sistemático.

O Paraná encerrou 2025 com a menor taxa de mortes violentas já registrada no estado: 11,29 mortes por 100 mil habitantes. Registrou a segunda maior redução de homicídios do país naquele ano e o maior índice de esclarecimento de homicídios do Sul e Sudeste — 72% dos casos solucionados, em um país onde a impunidade ainda é a regra em boa parte do território. Não é exagero dizer que o estado se tornou uma referência nacional em segurança pública. É o que os dados dizem.

Esse resultado não surgiu do acaso. Surgiu de uma combinação que o governador Ratinho Junior tem repetido e aprofundado ao longo de seus dois mandatos: integração entre forças, inteligência policial, modernização tecnológica — como a Muralha Digital — e, sobretudo, investimento contínuo e crescente em infraestrutura e equipamento. É justamente nesse eixo que a semana trouxe o movimento mais ambicioso dessa construção.

Nesta última terça-feira (5), Ratinho anunciou e entregou o maior pacote de investimentos já realizado em segurança pública no estado: R$ 338 milhões aplicados no fortalecimento das forças policiais e de resgate. O número impressiona pelo volume. O que ele representa impressiona mais: não é um gasto emergencial, não é resposta a uma crise. É o coroamento de uma política de Estado que apostou na segurança como prioridade de governo — e que agora colhe os frutos dessa aposta ao mesmo tempo em que planta as condições para avançar ainda mais.

O pacote contempla 3,2 mil armamentos — entre eles 1.500 carabinas calibre 5,56 mm e 1.700 pistolas calibre 9 mm, além de 800 tasers e 17 mil espargidores de pimenta —, 1.245 viaturas, 29 embarcações e um arsenal de equipamentos de informática, sistemas de comunicação, tecnologia forense e materiais especializados. A entrega ocorreu na nova sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar — o BOPE —, instalada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com investimento de R$ 50,7 milhões do governo estadual.

A nova base do BOPE merece atenção especial. Implantada em um terreno de 161 mil metros quadrados, a unidade reúne em um único complexo as estruturas operacionais, administrativas e de formação especializada da tropa de elite, com ambientes para simulação de cenários críticos, padronização de protocolos táticos e planejamento de missões de alta complexidade. A localização em São José dos Pinhais não foi aleatória: o ponto integra os principais acessos e saídas da RMC, conectando o interior do estado, o litoral, o Contorno Sul e a direção a São Paulo, além da proximidade com a Casa de Custódia e o Presídio de Piraquara. Logística a serviço da velocidade de resposta.

Entre as entregas que mais sinalizam o salto qualitativo desse pacote estão os veículos blindados de origem canadense. Sete unidades no total — quatro para a Polícia Militar, duas para a Polícia Civil e uma para a Polícia Penal —, adquiridas por R$ 24,18 milhões e destinadas à gestão de crises, ao combate a crimes de alta complexidade e a intervenções em tentativas de resgate de presos. Seguem padrão internacional e ampliam significativamente a capacidade operacional em regiões de fronteira, onde a dinâmica do crime organizado exige outro nível de resposta.

O Corpo de Bombeiros Militar também foi contemplado com equipamentos de nova geração: cinco motoaquáticas do tipo Rescue Runner, desenvolvidas para operações em ambientes aquáticos extremos — corredeiras, enchentes, áreas de difícil acesso. O sistema de propulsão a jato, sem hélice externa, aumenta a segurança dos bombeiros e permite o alcance de locais inacessíveis aos equipamentos convencionais. Num estado que convive com eventos climáticos de intensidade crescente, esse reforço tem implicação direta na preservação de vidas.

Para além dos equipamentos, o estado deu mais um passo no reforço do efetivo humano: 73 novos policiais civis tomaram posse e passaram a integrar os quadros da Polícia Civil do Paraná. Gente treinada, pronta para atuar — porque nenhuma tecnologia substitui o policial na ponta.

Os indicadores já são bons. Serão melhores. Quando 1.245 viaturas novas começam a circular pelas ruas do estado, quando os blindados canadenses entram em operação nas fronteiras e nas regiões de risco, quando as carabinas e pistolas chegam às mãos dos policiais que hoje ainda operam com equipamento envelhecido, a curva de queda da criminalidade ganha novo impulso.

O Paraná não está apenas colhendo o resultado dos últimos oito anos. Está investindo nos próximos oito.

Governar bem é, muitas vezes, uma arte silenciosa. Seus frutos não se medem apenas no que acontece — mas no que foi impedido de acontecer. Na família que atravessou o trimestre intacta. No município que chegou ao fim de março sem registrar um único homicídio. Na criança que cresce numa cidade mais segura do que aquela em que seu pai cresceu.

É nessa ausência — eloquente para quem sabe lê-la — que reside a prova mais honesta do que a gestão pública pode realizar quando decide, de verdade, colocar a vida das pessoas em primeiro lugar.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo