Duplicação da 277 engata a primeira rumo a Cascavel

Toda estrada é, antes de tudo, uma promessa feita ao horizonte. A BR-277 cumpre a sua costurando o Paraná de ponta a ponta, do porto de Paranaguá às águas de Foz do Iguaçu, levando nas costas a safra, o turismo, o comércio e os reencontros de quem vive e produz no Oeste.
Por ela seguem o grão que deixa o campo rumo aos portos, a família que percorre o trajeto para visitar parentes e o viajante que vai ao encontro das Cataratas. É uma rodovia de vocação grande, que o próprio crescimento da região tornou estreita para o volume do que transporta.
Pois a metade que falta começou a aparecer antes mesmo de qualquer máquina. Nesta segunda-feira (21), a EPR Iguaçu levou ao prefeito, aos secretários e aos vereadores de Matelândia a representação em 3D do projeto que vai duplicar cerca de cinco quilômetros da BR-277, entre os quilômetros 652,5 e 657,2. É a primeira frente de duplicação da concessão. Na tela, o que hoje é barranco e acostamento já surge como nova pista, com acessos redesenhados e interseções em desnível, que separam o fluxo de passagem do movimento local.
É o futuro enxergado antes de existir, com data de entrega fixada: maio de 2028.
A precisão aqui é necessária, porque a expectativa costuma correr mais rápido que o asfalto. A maquete virtual corresponde ao estágio atual de elaboração e ainda pode receber ajustes nas próximas fases técnicas e de aprovação.
A licença ambiental foi obtida, passo decisivo, mas os trabalhos só começam depois de concluídos os processos preparatórios, emitidas as autorizações e cumpridas as condicionantes do licenciamento.
Em paralelo, a concessionária mantém tratativas sobre os projetos com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, e estrutura as equipes e contrata os profissionais que a obra vai exigir.
Vale lembrar de onde vem o roteiro dessa agenda. A duplicação não nasce da conveniência de quem administra a estrada. O programa de ampliação de capacidade está inscrito no contrato de concessão, amarrado ao edital que fixou, desde a licitação, as obras obrigatórias, sua localização e as datas de cada entrega.
Por mais legítima que seja a ansiedade de cada cidade à beira do asfalto, a ordem das intervenções obedece a essa lógica contratual e técnica, com as entregas iniciais programadas a partir de 2028 e um avanço gradual até 2034.
O que se discute com os municípios, portanto, é o como. Desde a fase de estudos, a EPR Iguaçu leva as propostas às prefeituras e, à medida que elas avançam, abre a conversa com o setor produtivo e outros públicos afetados.
A intenção é explicar a engenharia, esclarecer dúvidas e recolher demandas que possam ser tecnicamente absorvidas no detalhamento e na execução. Matelândia havia conhecido antes o projeto funcional do trecho, estudo preliminar com as linhas gerais da obra. Agora vê essa peça ganhar volume, alimentada pelas reivindicações da população, das cooperativas e dos setores que dependem da rodovia diariamente.
O diretor-executivo da EPR Iguaçu, Silvio Caldas, explica o sentido desse método: “É uma construção conjunta, que ajuda a fazer com que as soluções de engenharia estejam conectadas às características da região. Por isso, o diálogo com a administração municipal e as comunidades é uma etapa importante do desenvolvimento do projeto. A partir dessa escuta, conseguimos compreender melhor os deslocamentos, os acessos, a dinâmica econômica da região e avaliar tecnicamente as necessidades apresentadas, buscando soluções que conciliem segurança, mobilidade e eficiência para quem utiliza a BR-277”.
Do outro lado da mesa, o prefeito Gabriel Cadini traduziu o momento em entusiasmo: “Conhecer o projeto em 3D nos traz uma visão muito mais ampla de como será essa obra e de tudo o que ela vai representar para Matelândia. Esse diálogo é muito importante para construirmos, juntos, uma solução de mobilidade que vai trazer melhorias para a população e contribuir diretamente com o desenvolvimento da nossa região. Com toda certeza, o sentimento é de alegria e gratidão por ver um sonho antigo começando a se tornar realidade. São obras, que, sem dúvida, vão marcar um novo momento para Matelândia e para toda a região”.
Coube ao diretor-presidente do Núcleo EPR Paraná, Marcos Moreira, alargar a moldura para além dos cinco quilômetros: “A duplicação da BR-277 representa um dos investimentos mais relevantes para a infraestrutura do Oeste do Paraná nos próximos anos. Estamos falando de ampliar a capacidade da rodovia estratégica símbolo do Paraná, para o deslocamento de pessoas, o transporte da produção e a conexão entre municípios, regiões produtoras, centros de distribuição e destinos turísticos. Em Matelândia, esse movimento começa a ganhar forma concreta, mas ele faz parte de um robusto programa de investimentos que vai ampliar a capacidade da malha concedida e criar melhores condições para a circulação e para o desenvolvimento econômico das regiões atendidas pela concessionária. A EPR Iguaçu faz parte de um ecossistema de 3 concessões que o Grupo possui no Paraná, em conjunto com a EPR Litoral Pioneiro e a EPR Paraná. Juntas administram 1892 quilômetros de rodovias, com investimentos previstos de mais de R$ 30 bilhões para os próximos anos. É transformação para o Estado do Paraná e para o Brasil”.
A EPR Iguaçu responde por 662 quilômetros. Estão sob sua gestão a BR-277 entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu, a BR-163 entre Cascavel e Realeza, e as estaduais PR-182 e PR-483 até Francisco Beltrão. Completam o conjunto a PR-180, a PR-280 e a PR-158, ligando Marmeleiro, Vitorino e Pato Branco. Somam-se ao pacote vias marginais, passarelas, viadutos e faixas adicionais.
Matelândia recebeu, nesta semana, apenas uma amostra de uma paisagem ainda por construir. Mas é por ela que avança a duplicação imaginada há décadas para o Oeste, juntando-se aos segmentos que já contam com pista dupla, como o que liga Matelândia a Foz do Iguaçu.
Ao todo, serão cerca de 460 quilômetros duplicados, sete de cada dez da extensão concedida. Enfim, uma estrada do tamanho do que carrega.



