Lar muda de tamanho — e de lugar no mapa empresarial brasileiro

Há números que registram crescimento. Outros revelam uma mudança de dimensão. A Lar Cooperativa Agroindustrial parece ter atravessado justamente essa fronteira.
Em apenas cinco anos, sua receita líquida consolidada saltou de R$ 11,3 bilhões, em 2020, para R$ 24,8 bilhões em 2025. Um avanço próximo de 120% que não apenas mais que dobrou o tamanho dos negócios, mas também mudou a régua pela qual a cooperativa passou a ser medida.
É o que mostra a edição 2026 do Valor 1000, anuário do Valor Econômico que chega à 26ª edição reunindo as mil maiores empresas brasileiras, classificadas por receita líquida.
Elaborado a partir de critérios desenvolvidos com a participação do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas e da Serasa Experian, o levantamento colocou a Lar na 61ª posição entre as maiores empresas do país — cinco lugares acima da classificação obtida no ano anterior.
O retrato financeiro ajuda a explicar a escalada. A receita líquida consolidada de R$ 24,8 bilhões em 2025 representou crescimento de 14,2%. O Ebitda avançou ainda mais: 21,7%, chegando a R$ 2,54 bilhões. Na última linha do balanço, o lucro líquido alcançou R$ 954,8 milhões.
São cifras que, vistas isoladamente, impressionam. Colocadas lado a lado com a evolução dos últimos anos, revelam algo maior: uma cooperativa que deixou de crescer apenas dentro de suas próprias fronteiras para ganhar espaço entre os grandes grupos empresariais brasileiros.
Quando a lente se aproxima do Sul, esse novo patamar fica ainda mais nítido. A Lar é a quinta maior empresa da região em receita líquida. No Paraná, ocupa a terceira posição. E, entre as cooperativas paranaenses presentes no levantamento, aparece como a segunda maior.
O próprio Valor, ao analisar a economia sulista, inclui a Lar entre as empresas que ajudam a explicar o peso alcançado pelo Paraná, responsável por 44,7% da receita líquida das companhias da região presentes no ranking. A publicação destaca particularmente a presença das organizações ligadas ao agronegócio nesse desempenho — e coloca a Lar entre seus protagonistas.
Mas faturamento é apenas uma das réguas utilizadas. E talvez seja justamente aí que o resultado ganhe ainda mais significado.
No recorte específico do agronegócio, a Lar é a sétima maior empresa por receita líquida, mas sobe para a quarta colocação na classificação final do setor. A diferença se explica porque o Valor não mede apenas tamanho. Seis indicadores econômico-financeiros entram na avaliação: receita líquida consolidada, margem Ebitda, rentabilidade, evolução da receita nos últimos cinco anos, alavancagem financeira e cobertura de juros. Há ainda uma segunda etapa, dedicada à avaliação ESG, restrita às três empresas mais bem posicionadas na análise financeira.
Por esse conjunto de critérios, a fotografia ganha profundidade. A Lar aparece em nono lugar entre as empresas do agronegócio em margem Ebitda, com 10,3%, e está entre as dez companhias do setor que mais fizeram sua receita líquida avançar nos últimos cinco anos. Pela metodologia do Valor, o crescimento médio foi de 18,7% ao ano.
E talvez nenhum indicador traduza melhor esse percurso do que colocar frente a frente dois números: R$ 11,3 bilhões e R$ 24,8 bilhões. O primeiro era a receita líquida consolidada da Lar em 2020. O segundo, a de 2025. Entre um e outro há apenas cinco anos — e uma expansão próxima de 120%. É como se, nesse curto intervalo, a cooperativa tivesse praticamente construído outra Lar sobre a Lar que já existia.
Naturalmente, uma expansão dessa magnitude não cabe apenas dentro de uma planilha. Ela ganha forma na estrutura que hoje sustenta os negócios: cerca de 17 mil famílias associadas, 27 mil funcionários e 89 unidades de recebimento de grãos espalhadas pelo Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Soma-se a isso uma cadeia industrial que trabalha com as três proteínas animais — frango, suínos e peixes — e uma presença internacional que já alcança mais de 100 países.
É aí que os números começam a contar uma história maior do que o próprio ranking. Receita, capacidade produtiva, presença territorial, mercados e complexidade avançaram juntos. E uma transformação dessa natureza traz consigo uma espécie de contrapartida inevitável: quanto maior a organização, maior também a exigência sobre eficiência operacional, investimentos, solidez financeira, governança e, sobretudo, sobre a qualidade das decisões que permitirão sustentar o que foi construído.
O Valor 1000 registra uma fotografia. A história recente da Lar, porém, mostra um filme em movimento. Cinco posições conquistadas no ranking nacional, presença entre as maiores empresas do Sul e do Paraná e um lugar de destaque entre os gigantes do agronegócio brasileiro dizem mais do que a soma de colocações numa tabela.
Dizem que a Lar mudou de tamanho.
E, quando se muda de tamanho, muda também a régua. Depois de chegar a esse patamar, a Lar já não é medida apenas pela distância que percorreu, mas pela companhia que passou a encontrar ao seu redor.
É nesse novo território que estarão, daqui para a frente, os seus maiores desafios — e as medidas de seus próximos passos.



