Paraná é número 1 em ranking nacional de eficiência

Todo brasileiro conhece a viagem de ida do dinheiro público: entra gordo pelo guichê do imposto e vai minguando pelo caminho.
A viagem de volta, em forma de serviço, raramente chega inteira. O Paraná fez o percurso completo e, por isso, foi apontado como o estado mais eficiente do país na segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F), elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha e divulgado no domingo (20).
Numa escala de 0 a 1, o estado alcançou 0,734 e ficou com a liderança isolada.
O estudo mostra que o Paraná apresentou o desempenho mais equilibrado do Brasil. Não brilhou em uma área só: apareceu em primeiro, em segundo, em terceiro, e foi a soma dos bons resultados nas cinco dimensões analisadas (educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças) que formou a média alta e garantiu o topo.
Na educação, obteve a maior nota, 0,874, contra média nacional de 0,502, com abandono escolar de apenas 1,5%. Na infraestrutura, ficou em segundo lugar, com 0,817 contra 0,473 da média nacional, uma distância superior a 70%, sustentada por 96,3% da população atendida por abastecimento de água e 76,4% por esgotamento sanitário.
Na saúde, foi o terceiro mais bem avaliado (0,677), com baixa mortalidade infantil e boa proporção de médicos por habitante.
Nas finanças, registrou 0,681, resultado que encontra respaldo na nota máxima, A+, que o Tesouro Nacional confere ao estado na capacidade de pagamento, o Capag.
A segurança pública somou 0,774 e ocupou a quinta posição no estudo.
Outros indicadores ajudam a dimensionar o avanço do estado nessa área: o Anuário Brasileiro de Segurança Pública registra para o Paraná 15,5 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2025, abaixo da média nacional de 19,1.
Fora do ranking da Folha, dois levantamentos recentes reforçam o bom desempenho paranaense na educação. O Paraná conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, a maior nota do país no Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. E é o primeiro colocado do Brasil no Pisa 2025, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, e que mede o aprendizado de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
No exame, o estado superou até países latino-americanos tradicionalmente mais bem classificados.
Voltando ao pódio do ranking da Folha, o Ceará aparece em segundo, com 0,665, e São Paulo em terceiro, com 0,637. Completam o grupo dos sete estados eficientes Santa Catarina (0,612), Piauí (0,596), Paraíba (0,561) e Minas Gerais (0,552). O Sul registrou a melhor média regional (0,630). O Ceará chegou à vice-liderança com a menor receita per capita da federação, R$ 4.275, valor 38% abaixo da média nacional de R$ 6.913.
No extremo oposto, Amapá, Acre e Roraima, com receita por habitante entre as mais altas do país, ocupam as posições 26ª, 25ª e 24ª, o que desmonta a crença de que cofre cheio garante serviço bom.
A lógica central do ranking é mostrar quem entrega mais serviços à população com menos recursos financeiros. Para isso, os 26 estados são avaliados (o Distrito Federal fica de fora por suas particularidades) com indicadores de fontes confiáveis, rastreáveis, comparáveis e de fácil compreensão, sempre com a informação mais recente disponível no fechamento da edição de 2026.
As cinco dimensões, escolhidas conforme as responsabilidades estaduais, recebem pontuação de 0 a 1, em método parecido com o do IDH da ONU.
Saúde e educação pesam em dobro, por causa dos repasses mínimos exigidos pela Constituição, e o resultado é dividido pela receita corrente líquida per capita de cada estado.
A César o que é de César: o estudo não leva a assinatura do Palácio Iguaçu, e sim o prestígio da Folha e do Datafolha, o que dá ao resultado a credibilidade de quem não tinha o que ganhar com elogio.
Mas resultado assim não nasce por geração espontânea. Desde 2019, nos dois mandatos de Ratinho Júnior (PSD), o Paraná tomou decisões políticas que o levaram da quinta para a quarta maior economia do país, e uma coisa explica a outra: economia que cresce sustenta escola, posto de saúde e saneamento básico.
O dinheiro público brasileiro tem fama de rio que nasce caudaloso e morre na areia antes de chegar à foz.
O Paraná, na régua da Folha, mostrou ao país que o caminho de volta existe: o imposto pode desaguar na torneira aberta, no esgoto que corre pelo cano, na rua mais segura e no orçamento que fecha em dia.
Eficiência, no fim, é isso: o contribuinte olhar em volta e reconhecer, em cada esquina, o que pagou.



