Caiu a ficha

Com os leilões do novo programa de concessões postergados para o último trimestre de 2022, se é que não ficarão ainda mais pra frente, os contratos das atuais operadoras das rodovias pedagiadas do Paraná se encerram no próximo fim de semana deixando pelo caminho muitas dúvidas sobre o futuro das estradas e dos serviços prestados aos motoristas.

Certamente porque se esperava que as licitações fossem concluídas a tempo de evitar o vácuo de, no mínimo, um ano que permanecerá até a entrega dos trechos para as novas administradoras, houve um enorme atraso no encaminhamento de providências que já deviam ter sido resolvidas há meses.

Agora corre-se contra o relógio.

Antevendo o cenário de problemas que se avizinha, o Tribunal de Contas do Estado encaminhou ao Palácio Iguaçu um memorando elaborado pelo conselheiro Fernando Guimarães que indica diversas pendências que precisam ser solucionadas “em caráter emergencial para que o usuário não seja prejudicado”.

Foi recomendado ao governo estadual, entre outras coisas, que seja elaborado um plano de manejo de serviços de assistência médica, com a reavaliação do serviço aéreo (feito por helicópteros) para atendimento de emergências.

Justificando a preocupação, Guimarães destacou que só no último feriado, apenas em um dos trechos concessionados, ocorreram 42 acidentes com óbitos. Ele também questionou a utilização da estrutura das secretarias estadual e municipais de saúde nas rodovias, receando que a medida penalize a população que necessitará de atendimento na rede pública.

O documento também faz críticas à proposta de se colocar nas mãos da Polícia Militar a operação de guinchos pesados e a guarda de locais de atendimento ao usuário e os banheiros ali instalados, considerando ser um “nítido desvio de função”, com prejuízos à segurança da população.

Menos mal que no tocante à manutenção e reparos do pavimento asfáltico e dos equipamentos de sinalização o governo do estado já esteja concluindo o processo de contratação de empresas de engenharia para a execução dos serviços.

Ninguém, é óbvio, achará ruim por não ter mais que pagar pedágio pelo menos durante os próximos doze meses, mas, por outro lado, existe o temor de que os benefícios oferecidos em contrapartida, como estradas bem conservadas, atendimento médico e socorro mecânico, não sejam disponibilizados pelo poder público com a mesma presteza e eficiência da iniciativa privada.

Há quem aposte que não vai demorar muito para que os usuários comecem a dizer “era ruim, mas era bom…”

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Um Comentário

  1. Nao esqueça que ainda pagamos IPVA… deveria cobrir todos estes custos sem pedágio em lugar algum.

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