Aposta certa

É desnecessário ter o dom da clarividência para conhecer de antemão o passo a passo completo e o derradeiro desfecho da história. Basta entender um pouco da arte da política.

Já aprovado na Câmara dos Deputados por folgada maioria, o projeto de lei que legaliza a atuação no Brasil de cassinos, bingos e jogo do bicho (que funcionam na moita desde sempre) vai agora passar também facilmente pelo Senado, depois será indeferido por Bolsonaro e, por fim, o Congresso Nacional derrubará o veto presidencial e promulgará a decisão.

Tudo dentro do script: o presidente agradará as bancadas religiosas opondo-se à matéria, sabendo, porém, que a última palavra caberá ao parlamento, onde se reúnem diversos grupos interessados na legalização da jogatina, incluindo numerosos deputados e senadores da base de apoio do governo.

Mas nem a turma a favor do negócio deve se empolgar muito e nem a banda contrária deve se derramar em lamentações.

Ninguém verá roletas e mesas de pôquer surgindo aos borbotões nas esquinas.

De acordo com a proposta, que estima arrecadar cerca de 15 bilhões de reais por ano em impostos e gerar milhares de empregos diretos e indiretos, como ocorre em dezenas de países ao redor do mundo, os cassinos deverão obrigatoriamente ser instalados em resorts como parte de complexos integrados de lazer.

Cada estado poderá ter somente um, com exceção dos que tenham entre 15 e 25 milhões de habitantes, o que se aplica hoje apenas a Minas Gerais e Rio de Janeiro, que poderão ter dois, ou três nos que tiverem mais de 25 milhões de moradores, condição válida unicamente para São Paulo.

Já os bingos serão permitidos só em casas especializadas ou estádios de futebol. Também poderão ser explorados por entidades filantrópicas, instituições religiosas e hospitais beneficentes para arrecadar fundos.

Quanto ao jogo do bicho, as licenças de operação serão licitadas, com limite máximo de uma outorga para cada 700 mil habitantes de um estado ou Distrito Federal.

Obviamente, a lei não impedirá que boa parte da atividade siga na clandestinidade, mas ao menos começará a render algum dinheiro para os cofres públicos.

O resto da discussão é pura hipocrisia.

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3 Comentários

  1. A direita sempre fica afirmando que o Estado não pode intervir em tudo, mas quando fala em legalizar os jogos, alguns setores ficam amedrontados. Será que os fiéis dos jogos vão largar de ser fiéis de alguns Fazendeiros donos de Igreja. Já demorou pra legalizar.

  2. Perfeito. É exatamente isso o que vai acontecer. Pessoalmente eu sou a favor da legalização. Eles são liberados em muitos países e, como vc disse, geram empregos e impostos. Melhor que a situação atual em que, clandestinos, estão nas mãos do crime organizado.

  3. A dúvida é:;as apostas feitas na Caixa Econômica federal são ou não são jogos de azar ? Deixam de ser quando recolhem impostos ? Não entendi bem

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