Alguém terá que ceder


Sejamos justos: o general Eduardo Pazuello fracassou como ministro da Saúde na guerra contra o coronavírus menos por sua provável inaptidão para o exercício da função do que por aceitar seguir o modo como o presidente da República decidiu, erroneamente, encarar a pandemia, subestimando sua real gravidade.
Bom soldado, Pazuello manteve-se leal ao comandante até o último instante, mesmo lhe custando um desprestígio que manchará para sempre sua carreira militar.
Quanto ao seu substituto, tudo leva a crer, aparentemente, que Bolsonaro fez uma boa escolha técnica.
Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o médico paraibano Marcelo Queiroga é muito respeitado na área.
A grande incógnita é saber se continuará valendo o mesmo entendimento que ele sempre teve em relação à Covid-19.
Suas posições são bem claras: considera essencial o uso de máscaras, defende o distanciamento social, incentiva a vacinação em massa e não apoia o uso de remédios sem comprovação científica para o tratamento precoce da doença.
Em contraponto, o presidente ignora as máscaras, promove aglomerações, faz pouco caso das vacinas e prega o tratamento precoce com um coquetel de medicamentos sem respaldo na ciência.
Um dos dois vai ter que mudar suas convicções.
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