O rei ficou nu

Sem disfarçar os objetivos político-eleitoreiros que movem todos os seus gestos, o governador João Doria, com a cumplicidade irresponsável da grande mídia, vem tentando coagir o presidente Jair Bolsonaro a autorizar o Ministério da Saúde a comprar a vacina Coronavac, que está em produção no Instituto Butantan, mesmo sem que os estudos de eficácia do imunizante desenvolvido contra a Covid-19 por um laboratório chinês tenham sido até agora sequer apresentados para avaliação da Anvisa.

Para aumentar ainda mais a pressão, Doria confirmou o dia 25 de janeiro como data do início da vacinação em São Paulo e anunciou que encaminharia nesta terça-feira (15) ao órgão regulatório brasileiro o pedido para uso emergencial da Coronavac no país.

Mas o feitiço parece ter virado contra o feiticeiro.

Em comunicado divulgado hoje (14), o Butantan, que é vinculado ao governo paulista, informou que atrasará em cerca de dez dias a entrega da análise completa dos dados após perceber que o total de infectados no grupo de participantes da pesquisa havia crescido e ultrapassado a marca de 151 contaminações, número mínimo estabelecido no protocolo do estudo para a verificação final de eficácia.

Além de demonstrar que em se tratando de vacinas, por mais urgente que seja a necessidade de sua utilização, convém não queimar etapas para disponibilizá-las à população, o fato levantou dúvidas sobre a segurança e a efetividade do composto.

Resumo da ópera: o empolado Doria estava trucando Bolsonaro sem carta.

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