Com o pé no Oeste e o mapa de Brasília no bolso

O Oeste do Paraná aprendeu cedo que colheita farta não viaja sozinha. Entre o grão que sai da lavoura e o navio atracado em Paranaguá existem trilhos por assentar, rodovias por duplicar, crédito por liberar e uma coleção de decisões que raramente são tomadas por aqui.
É nesse percurso, que começa no chão das pequenas cidades e termina nos gabinetes do Planalto Central, que se desenha a trajetória de Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa e candidato ao Senado.
A contabilidade do mandato na região começa pelos números miúdos, que são justamente os que mais pesam no dia a dia das prefeituras. A carteira de demandas acompanhadas soma R$ 22,9 milhões em 31 ações distribuídas por 17 municípios, dos quais R$ 4,8 milhões já foram liberados e outros R$ 18 milhões seguem em diferentes etapas de liberação, contratação ou execução.
A lista percorre Santa Lúcia, Nova Santa Rosa, Iracema do Oeste, Pato Bragado, Boa Vista da Aparecida, Campo Bonito, Céu Azul, Anahy, Iguatu, Capitão Leônidas Marques, Formosa do Oeste, Cafelândia e São José das Palmeiras, além de Toledo e Foz do Iguaçu, com projetos de habitação, pavimentação, estradas rurais, educação, equipamentos municipais, esporte e meio ambiente.
Em Toledo, R$ 1,99 milhão está reservado para uma nova creche do programa Infância Feliz Paraná, ainda em fase de licitação. Em Foz, R$ 580,3 mil já liberados custeiam reparos no Colégio Estadual Cívico-Militar Ipê Roxo.
Nova Santa Rosa oferece o retrato mais acabado desse trabalho. Ali, em dezembro de 2024, foi inaugurada a Escola Municipal Leonhard Pinz, no Loteamento Porto Seguro, com cerca de 1,7 mil metros quadrados para atender em período integral crianças da Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental. A obra custou R$ 3,485 milhões, dos quais R$ 1,2 milhão a fundo perdido veio com apoio do deputado, segundo a própria Prefeitura, e o restante combinou recursos federais, financiamento e contrapartida municipal. No mesmo município, desde 2022, uma escavadeira hidráulica de R$ 770 mil trabalha a serviço da Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Infraestrutura, com R$ 500 mil saídos de emenda de Curi.
O gesto de maior alcance, porém, talvez tenha sido tirar o Parlamento de Curitiba e plantá-lo no meio do principal palco do agronegócio regional. Desde 2023, o Show Rural Coopavel recebe anualmente uma edição da Assembleia Itinerante, que coloca deputados frente a frente com cooperativas, produtores, agroindústrias e entidades da sociedade organizada.
Mais de 100 reivindicações já chegaram por esse canal, foram analisadas uma a uma e várias se converteram em projetos, emendas ou indicações ao Executivo, em temas como infraestrutura rural, educação, logística, desenvolvimento econômico e empreendedorismo.
Numa região onde tributação, crédito e legislação ambiental decidem a competitividade, encurtar a distância entre quem produz e quem legisla deixa de ser cortesia institucional e passa a ser estratégia.
Foi dali que brotou uma das demandas mais simbólicas de Cascavel: um espaço à altura das feiras, exposições e grandes eventos corporativos que a cidade já atrai.
O Governo do Estado vinha estudando o projeto em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Cascavel, e em novembro de 2025, ao lado do governador Ratinho Junior, Curi participou do anúncio de R$ 200 milhões para o Centro de Eventos e Convenções do Oeste.
Serão aproximadamente 63 mil metros quadrados de área construída, auditório para 2.350 pessoas, pavilhões para grandes mostras e estacionamento para mais de 3,5 mil veículos, com potencial para atender mais de 30 municípios e movimentar R$ 90,2 milhões por ano em hotelaria, alimentação, transporte, comércio e serviços.
O recurso é estadual, repassado à Prefeitura de Cascavel, e por isso nem entra na conta do mandato, mas a digital da articulação institucional está ali.
A vocação econômica da região também ganhou tradução em lei. De autoria de Curi, a Lei Estadual 22.569/2025 fomenta a agroindústria paranaense, estimulando novos empreendimentos, a regularização de atividades e o ganho de competitividade.
Para um território onde soja, milho, aves, suínos e leite passam por cooperativas antes de chegar às gôndolas do Brasil e do exterior, agregar valor significa manter nos municípios uma fatia maior da renda, dos empregos e da arrecadação.
Na mesma trilha, o deputado é coautor do Projeto de Lei 61/2026, que incentiva o uso de inteligência artificial na logística do agronegócio, do campo à entrega final, para cortar desperdícios e custos de uma produção que percorre centenas de quilômetros até portos e indústrias.
Apresentou ainda o Projeto de Lei 609/2026, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, que ajusta a cobrança pelo uso da água no setor agropecuário às normas nacionais e dá segurança jurídica ao produtor, tema nada abstrato numa economia movida a lavoura, granja e frigorífico.
E assina, como coautor, a Lei Estadual 22.765/2025, que proibiu no Paraná a reconstituição para consumo alimentar de leite em pó, composto lácteo, soro de leite em pó e outros derivados importados, resposta direta à enxurrada de importações que achatava o preço pago ao pecuarista, dos Campos Gerais ao Oeste.
O próprio parlamentar resume o espírito dessa atuação: “Conheço a força do Oeste e sei que ela vem tanto das grandes cooperativas e agroindústrias quanto do produtor e das pequenas cidades. Nosso trabalho foi aproximar a Assembleia da região, apoiar os municípios e ajudar a construir soluções para quem produz e gera emprego. O Centro de Convenções mostra também o tamanho que Cascavel e o Oeste alcançaram. É uma região que precisa de grandes projetos e de presença política para fazê-los avançar.”
Acontece que boa parte do que emperra ou destrava o desenvolvimento da região simplesmente não passa pela Assembleia. Ferrovia, rodovias federais, política agrícola, comércio exterior, defesa sanitária, segurança de fronteira e relações com Paraguai e Argentina são assuntos resolvidos na capital federal, e é para lá que Curi pretende levar a agenda construída no Paraná.
O primeiro compromisso é fazer da Nova Ferroeste uma prioridade permanente. O projeto amplia e moderniza a ligação ferroviária com Paranaguá, criando um corredor de grande capacidade para escoar a produção agropecuária e industrial, e Curi defende tratá-lo de forma integrada ao futuro da Malha Sul e às conexões entre Cascavel, Guarapuava e o litoral, além dos ramais rumo a Foz do Iguaçu, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, cobrando da União a participação efetiva que o empreendimento exige.
No asfalto, o desafio é de outra natureza: vigiar.
O Lote 6 das novas concessões reúne 662,1 quilômetros das BRs 163, 277 e 469, somados a trechos estaduais, com previsão da ANTT de R$ 20,11 bilhões em obras, incluindo 462 quilômetros de duplicações, 31 de faixas adicionais, 87 de vias marginais e 13 de contornos, até as ligações internacionais de Foz. Senador não executa obra, mas pode fiscalizar contratos federais junto à agência e ao Ministério dos Transportes, cobrando cronogramas e o cumprimento de cada obrigação assumida pelas concessionárias.
No campo, a proposta é dar previsibilidade ao orçamento federal para a subvenção do seguro rural, para que o produtor não planeje o plantio sem saber com quanto poderá contar. Entram no pacote a ampliação do crédito, o estímulo à armazenagem e à agroindustrialização e o acompanhamento da reforma tributária para preservar a competitividade das cooperativas.
Numa das maiores concentrações de aves e suínos do país, a defesa sanitária ganha peso de política econômica, já que um surto de influenza aviária ou de peste suína fecha mercados da noite para o dia, e daí a defesa de recursos federais para vigilância, fiscalização e resposta rápida a emergências.
A mesma concentração produtiva abre ainda uma janela rara: transformar resíduos orgânicos em biogás e biometano, com condições regulatórias e financeiras que gerem renda nova a produtores e cooperativas, reduzam custos com energia, aliviem passivos ambientais e ampliem a participação paranaense na matriz renovável.
Na fronteira, onde Foz do Iguaçu e os municípios vizinhos convivem com tráfico de drogas e armas, contrabando e facções transnacionais, a proposta é garantir financiamento federal permanente para a segurança pública e tratamento diferenciado aos estados fronteiriços, integrando as forças estaduais à Polícia Federal, à Polícia Rodoviária Federal e à Receita.
A lógica é direta: quem guarda a porta de entrada do país protege também quem está do lado de dentro, e a conta não pode recair apenas sobre o Paraná.
Itaipu completa o quadro. Tarifa, royalties, investimentos e o papel da binacional no desenvolvimento regional dependem das negociações entre Brasil e Paraguai e de eventuais mudanças no Tratado, que passam pelo Congresso, e Curi quer acompanhar essa mesa para que os interesses do Paraná e dos municípios diretamente afetados pela usina não fiquem de fora.
Há, por fim, uma preocupação menos visível e igualmente decisiva: a migração gradual da tributação do consumo da origem para o destino pode esvaziar os cofres de cidades que produzem muito além do que consomem, perfil típico do Oeste cooperativista, e por isso a promessa é acompanhar a regulamentação e defender mecanismos de transição e compensação que evitem perdas abruptas.
“Poucas regiões mostram tão claramente por que o Paraná precisa estar presente em Brasília. O Oeste produz alimentos para o Brasil e para o mundo, tem uma das maiores estruturas cooperativistas do país, está na fronteira e depende de decisões federais sobre ferrovia, rodovias, segurança, política agrícola e comércio exterior. Quero usar o Senado para defender essas pautas e fazer com que a força econômica do Oeste tenha voz permanente em Brasília”, afirma Curi.
Para uma região acostumada a encher silos, porões de navio e balanças comerciais, a safra que agora está em jogo é de outra natureza, e ela se colhe nas urnas.



