“Censura promovida por Moraes tem que acabar”


Muito embora as ilegalidades cometidas às pencas por integrantes do Supremo Tribunal Federal, notadamente pelo ministro Alexandre de Moraes, formulando sentenças que restringem a liberdade de imprensa e de opinião, venham sendo, há tempos, frequentemente denunciadas neste blog, a conclamação que dá título a esta nota não é minha.
Também não é de autoria de nenhum “radical de direita, inimigo da democracia”, como Moraes costuma se referir a todos aqueles que ousam contestar seus atos arbitrários, que estabeleceram no país, com a conivência dos demais membros da Corte, um autêntico estado de exceção.
Em uma incisiva exortação, a frase abre o editorial deste domingo (14) do jornal Folha de S. Paulo, que, em artigo demolidor, expõe sua insatisfação com a conduta despótica de Xandão, que expande seu autoritarismo também na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Diz o influente diário paulista que “é inconstitucional impedir alguém de se expressar nas redes sociais” e que o certo é punir o que foi publicado apenas “após o devido processo legal”.
Em um dos trechos mais contundentes, a opinião da Folha não deixa pedra sobre pedra: “Um ministro do STF, com decisões solitárias em inquéritos anômalos – conduzidos pelo magistrado e não pelo Ministério Público, o órgão competente –, reinstituiu a censura prévia no Brasil. Ordens secretas de Alexandre de Moraes proíbem cidadãos de se expressarem em redes sociais. O secretismo dessas decisões impede a sociedade de escrutinar a leitura muito particular do texto constitucional que as embasa. Nem sequer aos advogados dos banidos é facultado acesso aos éditos do Grande Censor. As contas se apagam sem o exercício do contraditório nem razão conhecida”.
Outro tradicional jornalão, o centenário O Estado de S. Paulo, igualmente no mesmo dia, também divulgou um editorial relacionado ao tema, com o título “A legítima crítica ao Supremo”, onde escreve que “ao contrário do que parecem pensar alguns ministros do STF, criticar instituições democráticas não é necessariamente atacá-las ou ameaçá-las. Tampouco exigir sua autocontenção é ser extremista, e demandar que atuem conforme a lei não é deslegitimá-las. Ao contrário, quem faz tudo isso de boa-fé quer aperfeiçoá-las, isto é, quer instituições que não sejam ativistas, partidárias, arbitrárias, corporativistas ou pessoais”.
Aliás, nas palavras finais do último parágrafo, o Estadão faz a descrição exata do que é hoje o Supremo Tribunal Federal.
Seja como for, devemos dar aos barões da grande mídia as boas-vindas à verdadeira luta pela preservação da democracia brasileira, que exige, sobretudo, colocar o STF novamente nos trilhos da Constituição.
Antes tarde do que nunca. Mas que não parem por aí.










Por mais que alguém faça parte do sistema, este jamais permitirá que aquele se torne maior que o próprio sistema. Xandão em breve será expurgado por quem o criou.