Opinião

Ponte de Guaratuba: a dívida histórica finalmente paga

Por décadas, o Paraná foi, na prática, dois Paranás.

Uma baía de pouco mais de quatro quilômetros de largura — distância irrisória no mapa, eternidade na vida de quem dependia de cruzá-la — manteve Guaratuba e Matinhos separadas não apenas pela água, mas pelo peso acumulado de estudos engavetados, promessas evaporadas e governos que chegavam e partiam sem jamais tocar o fundo daquelas águas com nenhuma fundação.

Na noite desta sexta-feira, 1º de maio, a baía foi finalmente vencida.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior inaugurou oficialmente a estrutura de 1.240 metros sobre a baía — agora eternizada, com a solenidade que o momento merecia, como Ponte da Vitória — em uma cerimônia que ganhou o céu noturno com um show de luzes percorrendo toda a extensão da ponte, com destaque para os elegantes trechos estaiados.

A travessia de ferry boat entre os dois municípios, iniciada nos anos 1960 como solução provisória e cristalizada pela inércia política, consumia trinta minutos em dias normais e podia chegar a quatro horas nas temporadas de verão.

Gerações cruzaram aquelas águas no ritmo lento das barcas, enquanto o projeto da ponte alternava entre o discurso e o esquecimento. A partir de agora, a travessia passa a ser feita em cerca de dois minutos.

Com investimento superior a R$ 400 milhões, a Ponte da Vitória é uma das maiores obras de infraestrutura já realizadas no estado. Aliás, é a terceira maior ponte do Brasil construída sobre o mar.

Quatro faixas de tráfego, ciclovia, área para pedestres e acessos que totalizam mais de três quilômetros de extensão. O projeto saiu do papel em 2019, com a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, e as obras tiveram início em outubro de 2023 — com frentes operando 24 horas por dia, sete dias por semana, mil operários no canteiro.

O prazo previsto era de três anos. A entrega ocorreu em um ano, onze meses e vinte e nove dias. “É fruto de planejamento, organização e vontade”, sintetizou o governador.

Além disso, a ponte integra um pacote de mais de R$ 2 bilhões em investimentos no Litoral do Paraná, que inclui a duplicação de trechos da PR-412, a revitalização da orla de Matinhos, intervenções em Pontal do Paraná e melhorias estruturais em Guaratuba, entre elas a modernização da orla histórica e a ampliação do aeródromo municipal.

É um projeto de reposicionamento do litoral paranaense — não como apêndice sazonal do estado, mas como vetor permanente de desenvolvimento.

O 1º de maio, porém, não começou à beira da baía.

Antes da inauguração histórica, Ratinho Junior esteve em Cascavel, na tradicional Festa do Costelão do Dia do Trabalhador — evento que reúne anualmente dezenas de milhares de pessoas em torno do maior assado a céu aberto do mundo, e que em 2026, ano eleitoral, assumiu também a envergadura de um palco político.

Foi lá que o governador apresentou formalmente o ex-secretário de Infraestrutura Sandro Alex como seu candidato à sucessão, numa demonstração de que o capital político acumulado ao longo de dois mandatos tem endereço e nome.

Com 80% de aprovação na mais recente pesquisa Genial/Quaest, Ratinho Junior chega ao final de oito anos de governo com uma posição que poucos gestores públicos do país alcançam.

O Paraná tornou-se a quarta economia do Brasil nesse período, com indicadores avançando nas áreas de saúde, segurança e educação — e com o estado figurando entre os primeiros do país em várias métricas de desenvolvimento humano e institucional.

“Conseguimos colocar o Paraná em outro patamar”, disse o governador em Cascavel. A Ponte da Vitória, inaugurada horas depois, era, naquele 1º de maio, a imagem mais acabada dessa frase.

Na festa, o governador dividiu as atenções com o próprio Sandro Alex e com outros dois pré-candidatos ao Palácio Iguaçu: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e o senador Sergio Moro. A concorrência no palanque — ou melhor, ao redor do fogo — diz tudo sobre o peso simbólico do evento e sobre o que está em jogo em 2026.

Mas a noite pertenceu à ponte. Àquela estrutura de aço e concreto que, erguida sobre as águas da baía em menos de dois anos, fez o que repetidas e incontáveis promessas não conseguiram: unir, de vez e de forma permanente, as duas margens do Paraná.

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