Não precisava


Com tantas possibilidades – e certamente inúmeros convites tentadores – para empregar seu talento na iniciativa privada, o ex-ministro Sergio Moro abraçou, inegavelmente, a pior das opções ao tornar-se sócio da consultoria americana Alvarez & Marsal, que tem entre seus clientes ninguém menos que a Odebrecht, empreiteira que esteve no centro do esquema de roubalheira na Petrobras desvendado pela Operação Lava Jato.
O grande problema está no fato de que os processos gerados pela investigação resultaram na prisão do ex-presidente Lula e de dezenas de políticos e empresários, todos condenados justamente por Moro quando ocupava a função de juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba.
Ainda que nada o impeça de atuar profissionalmente aonde quer que seja, a escolha, do ponto de vista ético, é desastrosa, deslustra a sua imagem de magistrado sério e imparcial e, o que é pior, abre caminho para o STF acatar o recurso em que Lula o acusa de suspeição e pede a anulação da sentença que o colocou na cadeia por mais de um ano.
Se isso acontecer, será um retrocesso histórico e devastador na luta do país contra a corrupção e a impunidade dos poderosos, que tem no ex-juiz da Lava Jato o seu maior símbolo.
Para além disso, é uma decisão que não só afasta Moro do debate político, área em que já vinha atuando com desenvoltura, mas também compromete suas pretensões – se é que existem – de concorrer à presidência da República em 2022, mas isso ainda é assunto para discussões futuras.
Para amenizar a decepção de seus admiradores, resta o consolo de que ele vai ganhar dinheiro trabalhando honestamente e não assaltando os cofres públicos como fazem muitos dos que o difamam.
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De fato, não me pareceu uma decisão acertada. Como também não me pareceu correta a maneira como ele deixou o ministério. Tenho a impressão de que, como político, o nosso Moro é um ótimo magistrado!
Não vejo a questão sob essa ótica. Só buscar a finalidade do trabalho da empresa Alvarez & Marçal, para se ver que não há incompatibilidade com a presença do ex juiz em seus quadros. Embora, a meu ver não houvesse necessidade, há tambem a cláusula contratual, exaustivamente citada, que veda sua atuação junto a empresas envolvidas em processos que julgou na Lava Jato.
A situação seria tratada como plenamente normal se o Sr. Sérgio Moro não possuísse a dimensão expressiva que tem.
Não basta ser honesto. É necessário parecer honesto. Não aparentando honestidade, tudo vai pelo ralo.
Existe aquele momento em que honestidade e ética se distanciam muito….