Bloco de Notas

- Irineo, uma trajetória à altura do Barão
A mais alta distinção da Associação Comercial do Paraná vai atravessar o estado e chegar a Medianeira.
A ACP, pioneira entre as associações comerciais paranaenses, outorga todos os anos a Comenda Barão do Serro Azul a personalidades cujo perfil faça jus à história da entidade e ao legado de seu fundador.
Em 2026, o agraciado é Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial.
A comenda reconhece quem, no setor público ou privado, contribui de forma significativa para o fortalecimento do associativismo, da economia e da sociedade, com espírito empreendedor, participação sociopolítica relevante e conduta pautada pela ética e pelo compromisso com o bem comum.
Ao anunciar a escolha, a ACP destacou uma carreira marcada pela responsabilidade, pela transparência e pela independência, além da liderança à frente da Lar, cuja atuação impulsiona o desenvolvimento, a inovação e o progresso do Paraná e do Brasil.
O nome da comenda presta tributo a Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, fundador e primeiro presidente da ACP, em 1890.
Empresário visionário, foi o maior produtor e exportador de erva-mate do mundo em sua época. Na Revolução Federalista, quando os maragatos chegaram a Curitiba, liderou a junta que negociou com os revoltosos e poupou a cidade de saques e violência. A coragem custou-lhe a vida. Acusado de traição após o conflito, foi fuzilado em 20 de maio de 1894, aos 44 anos, no quilômetro 65 da ferrovia Curitiba–Paranaguá.
A história tratou de corrigir a injustiça, e em 2008 seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria.
Em sucessivas gestões sob o comando de Irineo, a Lar transformou-se numa das gigantes do agronegócio nacional, com mais de 27 mil funcionários, mais de 17 mil famílias associadas e presença com seus produtos em mais de 100 países.
A cerimônia de entrega da láurea está marcada para 12 de novembro, às 19 horas, no Graciosa Country Club, em Curitiba, em evento solene que reunirá diretores, conselheiros, associados e convidados.
Será a noite em que o legado de um pioneiro que deu a vida pelo Paraná se encontra com o de um líder que dedicou a sua a fazê-lo crescer.
- Descansa, Brasil, que a fatura chega na segunda
A marcha da insensatez chegou ao destino previsto. Por ampla margem, o Senado aprovou a PEC que sepulta a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.
O calendário não foi acaso: a votação foi encaixada entre o primeiro e o segundo turno, sob medida para turbinar a popularidade de Lula, pouco importando que contrarie tudo de que o país precisa para crescer.
O momento não poderia ser mais inoportuno. Segundo a Pnad Contínua do IBGE, o desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível da série. Os ocupados chegaram a 103,5 milhões, recorde histórico, e o rendimento médio bateu em R$ 3.777, a um passo do pico de março.
É o retrato de um mercado de trabalho superaquecido, em que sobram vagas abertas há meses em farmácias, supermercados, bares, restaurantes, canteiros de obras, hospitais e hotéis. Trabalhar menos e ganhar mais é o sonho de qualquer um. Pagar mais caro por tudo, nem tanto.
A oposição, com cerca de 30 senadores, tinha munição suficiente para ao menos atrasar o rolo compressor e não usou nenhuma das manobras que o regimento oferece.
As entidades empresariais também não saem bem da foto. Não foram ouvidas, e talvez não tenham gritado com a força que a encrenca exigia. As lideranças do setor produtivo emitiram seus alertas, e o plenário tratou todos eles como ruído de fundo.
A articulação que se espera de quem representa quem gera emprego simplesmente evaporou na hora decisiva.
A conta já está sendo feita nos escritórios das empresas, que sabem quanto custarão as horas extras e as novas contratações e quanto terão de remarcar nas prateleiras.
No curto prazo, o custo do trabalho sobe, a competitividade cai, a inflação ganha fôlego e uma produtividade que já é pífia encolhe ainda mais.
No médio prazo, quem puder vai trocar mão de obra pouco qualificada por máquina, e a informalidade agradece.
O abacaxi ficará no colo do próximo presidente. Os troianos também acharam o cavalo um belo presente.
- Vorcaro ensaia a terceira, e Brasília perde o sono
O recado veio de dentro da família. Em áudio obtido pela VEJA, a advogada Natália Vorcaro Zettel, irmã de Daniel Vorcaro, resume em uma frase o estado do ex-dono do Banco Master: “Ele está em pânico”.
Preso desde março na Papudinha, no Complexo da Papuda, o ex-banqueiro trabalha com seus advogados na terceira versão de uma proposta de delação e repete a quem o visita que pretende contar tudo.
A transferência para a Papudinha veio depois do fracasso da segunda tentativa de acordo. Vorcaro ocupa uma cela individual de 54 metros quadrados, recebe advogados e familiares, puxa ferro na musculação e se dedica a jardinagem e manutenção de áreas verdes, atividades que podem abater tempo de pena.
Segundo quem esteve com ele, o nível de estresse disparou nos últimos dias. Natália está entre as visitas mais frequentes. O marido dela, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, também está atrás das grades por conta das investigações sobre o Master.
O cardápio prometido é indigesto para muita gente graúda. Vorcaro fala numa confissão completa, com os nomes das autoridades que diz ter corrompido com recursos do banco e o roteiro de propinas pagas a figuras do alto escalão da República em troca de negócios.
Curiosamente, as autoridades resistem a aceitar o material.
Para apimentar o enredo, a imprensa divulgou na quarta-feira, 14, um vídeo de pouco mais de dois minutos do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, promovido pelo Master em abril de 2024 no hotel The Peninsula London.
Desfilam pelas imagens autoridades do Judiciário e do Congresso, o ex-presidente Michel Temer e ex-ministros dos governos Dilma, Bolsonaro e Lula. Circulam entre champanhe, bailarinas e violinistas, e o jantar ainda teve show do cantor Seal, com o anfitrião no papel de mestre de cerimônias.
A irmã garante que o banqueiro está apavorado. Pode até ser, mas o medo de verdade anda mais contagioso do lado de fora da cela, onde cada convidado daquela noite londrina revisa a memória do celular e reza para não ter saído bem na foto.
- Tomou banho? Então pode pedir voto
A caça ao eleitor indeciso no segundo turno levou a militância lulista a um território até então inexplorado: a higiene pessoal.
Nas redes, perfis de apoiadores passaram a distribuir verdadeiras cartilhas de etiqueta para quem vai às ruas fazer campanha, e as publicações ganharam repercussão nacional.
Uma das mais comentadas saiu do perfil Magdiel (@Ramosal), que tem entre seus seguidores os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Tabata Amaral (PSB-SP) e o ministro da AGU, Jorge Messias. “Se vão pedir votos para o Lula, vão bem arrumados”, escreveu.
A lista inclui roupa limpa, tênis, desodorante e pouco perfume, e arremata: “Aparência conta. Chinelo, roupa suja, bafo ou mau cheiro espantam votos”.
Outro perfil, Athos profanos (@Piranhacomunist), administrado por um estudante de Ciências Sociais da UFBA que se apresenta como militante do PCBR, foi além do guarda-roupa.
Pediu que ninguém beba nem use qualquer droga durante as manifestações, recomendou evitar atos libidinosos e lembrou que o objetivo é dialogar com o trabalhador. A farra, segundo ele, fica para depois: terminado o ato, é só ir para o bar “se desgraçar”. O conselho passou de 670 mil visualizações em menos de um dia.
As recomendações, em si, são das mais sensatas. O problema é o que confessam nas entrelinhas, porque ninguém se dá ao trabalho de lembrar o óbvio a quem já pratica o óbvio.
Se alguém achou necessário avisar que pé de borracha, hálito de véspera e cabeça feita espantam o eleitor, é porque o diagnóstico foi feito de perto, e com o nariz.
Depois de anos prometendo picanha, o lulismo descobriu que o indeciso quer, antes de tudo, um cabo eleitoral cheiroso e sóbrio. Talvez seja a única promessa de campanha fácil de cumprir.
- Paraná, o estado que não vive de fiado
Enquanto boa parte da federação passa o chapéu, o Paraná fecha o mês com as contas no azul e dinheiro sobrando na gaveta.
O estado registrou em agosto de 2026 a terceira maior disponibilidade de caixa do país e ficou atrás apenas de São Paulo, com R$ 69,5 bilhões, e de Minas Gerais, com R$ 39,5 bilhões.
Os números constam do relatório da Secretaria da Fazenda apresentado na terça-feira, 13, em audiência pública na Assembleia Legislativa, na prestação de contas do segundo quadrimestre.
O indicador não é dinheiro de faz de conta. Ele mede o que resta depois de descontadas todas as obrigações já assumidas, incluindo despesas contratadas e restos a pagar de exercícios anteriores.
É a régua que mostra se o estado tem fôlego para manter os pagamentos em dia e bancar novos investimentos. O secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, atribuiu o resultado ao planejamento fiscal dos últimos anos, que garante a continuidade dos serviços e investimentos em saúde, educação e segurança.
E o dinheiro não está parado. Os investimentos empenhados até agosto somaram R$ 7,6 bilhões, alta nominal de 73,4% sobre o mesmo período do ano passado, o que Budal classificou como o maior investimento da história.
As receitas totais chegaram a R$ 54,5 bilhões, crescimento de 4,4%. A saúde recebeu R$ 5,2 bilhões, ou 13,28% da receita líquida de impostos, acima do piso constitucional de 12%. A educação ficou com 33,95%, também acima dos 30% exigidos pela Constituição Estadual.
O mérito tem nome e sobrenome: a gestão de Ratinho Júnior, que fez da responsabilidade fiscal uma política de Estado e não um discurso de ocasião.
Num país em que a União gasta o que não tem e empurra a fatura para as próximas gerações, o Paraná prova que dá para investir recorde sem vender a alma ao endividamento. Saldo do quadrimestre: R$ 27,6 bilhões guardados e nenhuma conta pendurada.
- A bola de cristal trincou no primeiro turno
As urnas de 4 de outubro fizeram o que os institutos de pesquisa não conseguiram: mostraram onde estava o eleitor.
Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. Das seis sondagens divulgadas na véspera, apenas uma, a do instituto Gerp, cravava o senador numericamente à frente, por 46% a 44%.
Datafolha, PoderData e Quaest até admitiam essa possibilidade, mas só dentro da margem de erro e sempre com o petista na liderança numérica. No caso de Lula, as projeções acertaram com folga, com desvios abaixo de um ponto percentual. O tropeço foi todo do lado de Flávio.
O Datafolha errou o desempenho do candidato do PL por 5,03 pontos, enquanto a Gerp, a mais próxima, ficou a 1,03 ponto do resultado real.
O vexame maior foi da CNT/MDA, que chegou a desenhar a hipótese de Lula liquidar a fatura já no primeiro turno, com mais de cinco pontos de vantagem. O eleitor tratou de rasgar o roteiro.
O padrão se repete eleição após eleição, sempre subestimando o mesmo lado, e já não pode ser tratado como coincidência estatística.
Algo nos métodos deixou de captar o que vai na alma do brasileiro. Pode ser a amostragem, o eleitor que esconde o voto ou a desconfiança de quem atende o entrevistador.
O diagnóstico cabe aos especialistas, mas a consequência já está dada. Pesquisa que erra sempre para o mesmo lado deixa de ser retrato e vira cabo eleitoral, e o descrédito que tomou conta dos institutos foi conquistado ponto a ponto, com margem de erro e tudo.
- Indignado no sofá não derruba ninguém
O financista João Landau, fundador da Vista Capital, publicou no Brazil Journal um artigo que funciona como espelho incômodo.
Landau recorda o país da redemocratização, em que escândalos hoje considerados miúdos cobravam um preço político alto. Uma Fiat Elba levou os caras-pintadas às ruas. Uma gafe de Rubens Ricupero e uma quebra de sigilo derrubaram dois ministros da Fazenda.
Em 2003, Benedita da Silva perdeu o cargo por se hospedar num hotel de luxo em Buenos Aires, sem jatinho, uísque raro ou dinheiro vivo, apenas uma estrela a mais na fachada.
O Petrolão parecia ser o limite. As ruas gritavam contra a corrupção, e o próprio articulista lembra de ter marchado com amigos convictos de que o Brasil finalmente daria certo.
Uma década depois, a constatação é desoladora: o país vive o pior momento de degradação moral de sua história, e o silêncio tomou o lugar do grito.
Para Landau, o marco da virada foi a saída de Sergio Moro do governo Bolsonaro, que selou o fim da Lava Jato. A partir dali, o sistema fabricou falhas processuais para anular a condenação de Lula, e multas bilionárias de corruptos confessos evaporaram em canetadas monocráticas.
O diagnóstico central é que o partidarismo contaminou o debate moral e anestesiou a vigilância. De um lado, o argumento do risco democrático passou a relativizar todo o resto. Do outro, a tese de que não se podia criticar Bolsonaro para não ressuscitar Lula ruiu quando o petista voltou de qualquer forma.
Landau resgata Edmund Burke, segundo quem basta que os homens bons não façam nada para que o mal triunfe, e propõe vigilância e presença nas ruas desde o primeiro dia do próximo governo, seja qual for o vencedor.
O contraste com o que se vê lá fora é constrangedor. Na França, mais de 200 mil estudantes tomam as ruas diariamente por melhores condições nas escolas. Aqui, a roubalheira se renova a cada temporada, e a revolta se esgota num desabafo no grupo de WhatsApp.
A Constituição é cristalina ao dizer que todo o poder emana do povo, mas o dono da nação parece ter terceirizado a própria procuração.
Indignação que não sai de casa é só um jeito mais elegante de consentir.
- Do cafezinho ao tacape
O Supremo já fez as contas e não gostou do resultado. Com a eleição de uma bancada de senadores disposta a abrir processos de impeachment contra integrantes da corte, e Alexandre de Moraes no topo da lista de alvos, ministros passaram a discutir abertamente como reagir.
Segundo relato de quatro magistrados à imprensa, a estratégia tem duas frentes, uma de mão estendida e outra de dedo em riste.
A primeira aposta no diálogo com quadros do PL fora da ala mais radical. Mesmo admitindo que todos os eleitos da direita fizeram campanha atacando o tribunal, os ministros enxergam espaço para conversa com parte deles e citam nominalmente Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, do Tocantins.
A segunda frente dispensa sutileza. Mira parlamentares que já respondem a investigações da Polícia Federal sob relatoria do próprio STF, como Carlos Jordy, eleito senador pelo Rio de Janeiro e investigado por suposto desvio de cotas parlamentares, e o ex-governador Mauro Mendes, eleito por Mato Grosso e investigado por desvios envolvendo uma empresa de telefonia.
Os ministros avisam que os inquéritos podem ter desdobramentos antes mesmo da posse. A lógica é que quem tem pendências na Justiça vai pensar duas vezes antes de dobrar a aposta no impeachment. Um dos magistrados resumiu o espírito da coisa numa frase: “A valentia vai até a página dois”.
A frase diz mais do que pretendia. Um tribunal que deveria julgar com isenção admite tratar inquéritos como ficha de negociação política, guardados na gaveta e sacados conforme a conveniência.
O que se desenha é um embate institucional de proporções inéditas entre um Congresso com mandato renovado nas urnas e uma corte que já não esconde o arsenal.
Se a valentia de alguns senadores vai só até a página dois, a do Supremo parece começar justamente na página do inquérito.
- Seis desmentidos que não desmentem nada
A capa da VEJA sobre as revelações de Daniel Vorcaro provocou um terremoto político.
Segundo a reportagem, o banqueiro fez pagamentos ao documentário de Lula e ao Instituto Lula como uma espécie de pedágio para ter acesso, dentro do governo, aos fundos de pensão das estatais.
A revista apresentou um áudio do próprio Vorcaro, documentos com informações discutidas por seus advogados na Procuradoria-Geral da República e mensagens do celular dele.
Os prints relatam encontros com Alexandre Padilha, conversas com assessores do ministro e agendas com a diretoria do Postalis, o fundo de previdência dos Correios.
A reação veio em bloco: campanha de Lula, governo federal, Polícia Federal e aliados do petismo. Diante da ofensiva para lançar dúvidas sobre a reportagem, a VEJA publicou uma resposta ponto a ponto.
O áudio seria falso, mas o próprio advogado de Vorcaro confirmou em nota que a gravação é verdadeira e a voz é dele. O áudio teria sido editado, mas a revista explica que apenas a voz do interlocutor foi suprimida, em cinco falas curtas que somam 15 segundos, para proteger o sigilo da fonte, um direito assegurado pela Constituição.
As demais versões desmontam-se sozinhas. A reportagem nunca disse que o áudio consta da delação. O que chegou à PGR, pelas mãos dos advogados, foi o relato de Vorcaro sobre o financiamento do documentário, o pagamento ao instituto e o objetivo de alcançar os fundos de pensão.
A matéria tampouco afirmou que a confissão foi feita à PF. Quanto à PGR, a revista sustenta que Vorcaro, por meio da defesa, apresentou a história e prometeu entregar documentos e provas caso a delação fosse aceita, o que não ocorreu por decisão da própria procuradoria.
Por fim, a VEJA aponta que as manchetes sobre “juristas” pedindo à PF que investigue a revista escondem quem de fato puxa o coro: a coordenação da campanha presidencial de Lula.
O que não se discute mais é o que Vorcaro disse. Se fala a verdade, ninguém sabe, e é exatamente por isso que caberia às autoridades interrogá-lo, checar as provas que afirma ter e responsabilizar quem tiver culpa, sejam os citados, seja o próprio banqueiro, se estiver mentindo.
Curioso é o empenho em desacreditar o mensageiro em vez de examinar a mensagem. Quem não deve, costuma pedir investigação, não silêncio. Como fecha a própria revista: doa a quem doer.
- Moraes segue atravessado na garganta de Washington
O governo Trump voltou a deixar claro que não engoliu o ministro. Em carta assinada na quinta-feira, 15, o Departamento de Estado defendeu as sanções aplicadas a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky e afirmou que a medida se apoiou em evidências documentadas de graves violações de direitos humanos.
Segundo o texto, Moraes abusou de sua posição ao autorizar prisões preventivas injustas e ao minar a liberdade de expressão.
A acusação vai além. Washington afirma que o ministro tentou silenciar críticos políticos com ordens sigilosas que obrigavam plataformas digitais, inclusive redes sociais americanas, a suspender contas por publicações protegidas pela liberdade de expressão.
Moraes entrou na lista de sancionados em julho de 2025 e teve o nome retirado em dezembro daquele ano. Nos últimos dias, circularam rumores de que novas medidas poderiam vir, embora a carta não detalhe nenhuma.
O documento responde a uma manifestação enviada em 24 de setembro ao secretário de Estado, Marco Rubio, por 31 deputados americanos. Eles questionavam a postura do governo em relação ao Brasil e queriam saber se Washington reconheceria o resultado da eleição presidencial.
A resposta contornou o ponto. Limitou-se a defender o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo e a prometer diálogo com a sociedade, o setor privado e o governo eleito, em nome da segurança, do comércio recíproco e da prosperidade dos dois países.
De quebra, o Departamento de Estado reafirmou a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas. O argumento é que são facções altamente violentas, com ataques a forças de segurança, autoridades e civis, e redes criminosas que alcançam o território americano.
No mesmo papel, a maior potência do planeta enquadra as duas principais facções criminosas do país e um ministro da mais alta corte brasileira. A companhia é eloquente, e diz sobre o Brasil de hoje mais do que qualquer editorial.



