Opinião

Ocepar e Copel afinam a voltagem de um agro em expansão

Durante séculos, o campo viveu sob duas vontades: a do sol e a da chuva. O Paraná cooperativista acrescentou uma terceira, menos poética e igualmente decisiva, a do fio. Nos frigoríficos que trabalham madrugada adentro, nos secadores que roncam em plena safra e nas câmaras frias que guardam leite e carne a caminho do mundo, a colheita moderna começa na lavoura e termina no medidor de luz. Sem corrente estável, a indústria para. E sem indústria o grão parte cru, levando consigo a riqueza que poderia ficar por aqui.

Foi esse fio que esteve sobre a mesa nesta quinta-feira (24), em Curitiba. O presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, apresentou a diretores e superintendentes da Copel o plano de voo do cooperativismo paranaense: dobrar o faturamento até 2032, impulsionado pelo avanço da agroindustrialização e por novos aportes no campo. E foi direto às condições para a meta: “Sustentar esse ritmo de crescimento exigirá avanços em áreas como logística, conectividade e infraestrutura energética, consideradas fundamentais para a competitividade do setor”.

O encontro não partiu do zero. Nos últimos anos, a aproximação entre as duas instituições abriu um canal permanente com cooperativas e produtores rurais, materializado no Copel Agro, em fóruns regionais de discussão e em ações de reforço da rede elétrica nas regiões de maior atividade produtiva. Ricken pediu que essa agenda siga adiante, com atenção especial à ampliação do acesso à rede trifásica, capaz de sustentar motores e equipamentos de maior porte, e ao atendimento dos empreendimentos que avançam pelo interior.

O recado veio em tom de convite: “Queremos construir soluções em conjunto com a Copel e avançar nos temas que são importantes para o campo e para o Paraná”.

Do lado da companhia, o presidente Daniel Slaviero reconheceu que a pauta do agronegócio serve de bússola para as decisões da empresa: “O cooperativismo é uma das grandes forças econômicas do Paraná. Ouvir quem produz, investe e gera oportunidades em todas as regiões do Estado nos ajuda a planejar melhor a infraestrutura necessária para acompanhar esse avanço”.

A dimensão do interlocutor explica a atenção. As 255 cooperativas do sistema respondem por cerca de 65% da produção de grãos e 45% da produção de carnes e lácteos do Estado. Para Ricken, a transformação mais profunda das últimas décadas foi a agroindustrialização, que multiplicou o valor extraído de cada saca e de cada animal e irrigou as economias regionais.

Hoje, quase metade do faturamento das cooperativas agropecuárias sai de mais de 161 agroindústrias instaladas no Paraná. É nesse ponto que os interesses dos dois lados se cruzam, na leitura do dirigente: “O Paraná continua investindo, ampliando sua capacidade produtiva e agregando valor aos seus produtos. Para nós, energia é uma necessidade. Para a Copel, é uma oportunidade de acompanhar esse movimento e contribuir com a transformação econômica do Estado”.

Os números da Ocepar mostram o tamanho da encomenda. As 20 cooperativas mais agroindustrializadas do Paraná consomem hoje cerca de 2,3 mil GWh por ano, volume que deve crescer aproximadamente 33% até 2032. Ricken encerrou com a síntese do encontro: “Energia de qualidade gera oportunidade, mais renda e desenvolvimento econômico e social para o Paraná. Por isso, ter essa parceria com a Copel é tão fundamental”.

Sol e chuva seguem mandando na lavoura, como sempre mandaram. Mas o salto que o cooperativismo paranaense traçou para os próximos seis anos passa também pelos cabos que cortam o interior: sair de cerca de R$ 250 bilhões para R$ 500 bilhões de faturamento. Para colher o dobro, o Paraná precisa antes manter as luzes acesas.

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