Opinião

E a estrada deu passagem a Isabela

As rodovias são as grandes artérias de um país continental como o Brasil. Por elas circulam riquezas, trabalho, alimentos, pessoas e sonhos.

São caminhos de partidas e chegadas, aproximam cidades, encurtam distâncias e ajudam a mover uma economia que ainda depende, em grande medida, de suas estradas.

Mas também é delas que chegam, com dolorosa frequência, algumas das notícias mais tristes do cotidiano.

Acidentes, vidas interrompidas, famílias enlutadas. Não por acaso, quando uma estrada ganha espaço no noticiário, quase sempre é porque alguma coisa deu errado.

Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, porém, a BR-277, em Cascavel, foi cenário de uma história na direção oposta. Ali, em vez de uma vida se perder, uma vida teve início.

E começou de uma maneira que Isabela certamente ouvirá muitas vezes quando crescer.

Já em trabalho de parto, sua mãe, Jhulyen, viajava com o marido, Anderson Vidaletti, e os outros dois filhos em uma carreta quando a família percebeu que talvez não houvesse tempo para alcançar o atendimento hospitalar.

Anderson buscou ajuda na base operacional da EPR Iguaçu, concessionária responsável pelo trecho. Eram aproximadamente 23 horas.

A equipe transferiu rapidamente a gestante para uma ambulância, iniciou a monitorização e seguiu em direção ao Hospital Universitário.

Mas Isabela tinha outros planos. Já nas proximidades do hospital, decidiu que sua viagem por este mundo começaria alguns minutos antes.

Nasceu dentro da ambulância da concessionária.

O parto transcorreu sem complicações. A médica Marian Hadame, o enfermeiro Gabriel Vieira da Silva e o socorrista Thiago Jonata Almeida da Silva Bocchi realizaram os primeiros cuidados com a recém-nascida — secagem, aquecimento e o primeiro e insubstituível contato pele a pele com a mãe. Depois, Jhulyen e Isabela deram entrada no HU. As duas passam bem.

A história, além de bonita, carrega uma mensagem importante.

Estradas precisam de asfalto, sinalização, engenharia e conservação. Mas precisam também de gente preparada para agir quando o inesperado acontece.

Serviços de socorro médico disponíveis ao longo das rodovias são normalmente lembrados quando chegam para enfrentar as consequências de um acidente.

Naquela noite, em Cascavel, uma equipe de emergência foi chamada para uma missão muito diferente: ajudar uma criança a chegar ao mundo.

Isabela foi o sexto bebê a nascer com o auxílio das equipes da EPR Iguaçu desde o início da operação da concessionária e o primeiro na região de Cascavel.

Entre tantas partidas e chegadas testemunhadas todos os dias por uma rodovia, esta certamente ficará na memória de quem estava lá.

Porque, naquela noite, pela BR-277 não passaram apenas cargas, veículos, viajantes, riquezas ou sonhos.

Passou a própria vida.

E ela se chama Isabela.

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Um Comentário

  1. A Isabela nasceu perfeita fisicamente, e esperamos que os exames de protocolo que serão realizados pelo HU indiquem que a saúde motora e mental dela também esteja perfeita.
    A gestação não foi tranquila, assim como o parto, ocasião em que ela e a mãe receberam tratamentos VIP da EPR. Sou muito grato por isso.
    Diferentemente de certos policiais da Polícia Militar do Estado do Paraná, que todos pensamos terem sido formados para, em nome do Estado do Paraná, proteger, cuidar e orientar as pessoas, além de fazer o trabalho que lhes compete.
    A mãe da Isabela estava em casa, já na cama, com os três irmãos da Isabela dormindo em seus respectivos leitos, quando dois policiais militares, no dia 20/04/2026, aproximadamente às 23h, sem mandado — e, mesmo que tivessem, não poderiam — invadiram a casa, danificaram o portão de entrada, arrombaram a porta da residência, agrediram-na, deram-lhe um mata-leão e a algemaram. Chamaram-na de “mãe de merda” e muito mais.
    Coincidência, será? Os dois acontecimentos envolvendo a Isabela ocorreram aproximadamente no mesmo horário, às 23h.
    A arbitrariedade acima citada aconteceu sem que houvesse protocolo ou qualquer procedimento da alçada da Polícia Militar, simplesmente porque a mãe da Isabela, tendo uma medida protetiva em desfavor de seu ex-marido, não podia, em hipótese alguma, devolver o filho mais velho e menor ao pai do jeito que ele queria. A guarda é compartilhada.
    A Isabela, portanto, sofreu dois impactos importantíssimos em sua vinda ao mundo: um antes de nascer, provocado por policiais que já deveriam ter sido afastados de suas atividades nas ruas; e outro ao nascer, nos braços de pessoas que não mediram esforços para retirar sua mãe da cabine do caminhão e conduzi-las ao hospital.
    Obs.: Por força de tudo o que ela, a Isabela e a mãe, bem como sua irmã Luísa — que até hoje não pode avistar um policial militar — passaram naquele dia 20/04/2026, foram realizadas as seguintes denúncias e registros: denúncia no nº 180; B.O. na Polícia Civil; B.O. na Delegacia da Mulher; B.O. na Polícia Militar; denúncia na Subprocuradoria da Polícia Militar; e denúncia no Ministério Público do Estado do Paraná.
    Eu sou pai da Jhulyen e avô da não menos amada neta Isabela.

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