Opinião

O troféu do atraso

Não poderia haver símbolo mais deprimente da era petista do que a cena que correu o Brasil nesta semana: a primeira-dama, Janja, erguendo um botijão de gás como se fosse a taça de uma Copa do Mundo.

O objeto, em vez de representar avanço e desenvolvimento, acabou se transformando em um verdadeiro emblema da infame exploração política da vulnerabilidade social.

Cinco mandatos depois — dois de Lula, dois de Dilma e agora o terceiro de Lula — o Brasil continua na mesma ladainha: governos que juram tirar o povo da pobreza, mas perpetuam sua dependência. O resultado? Uma enxurrada de programas sociais embalados como vitórias históricas: Bolsa Família, Pé-de-meia para estudantes, Pé-de-meia Licenciaturas para professores, Benefício de Prestação Continuada, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Tarifa Social de Energia e Água, Luz para Todos e, agora, o Auxílio Gás devidamente turbinado.

Não se discute que parte dessas políticas ajude, de fato, quem mais precisa.

Mas o problema está na engrenagem: não funcionam como instrumentos de emancipação, e sim de escravidão. São bancados por quem produz e apresentados como dádivas de um governo que, ano após ano, vende esmolas como se fossem grandes conquistas nacionais. E sempre com o mesmo pano de fundo: o voto cativo dos pobres.

Porque, sejamos francos, se o eleitorado que sustenta a permanência do PT no poder é justamente o dos mais carentes, qual seria a lógica de acabar com a indigência? Melhor mantê-la — controlada, administrada, subvencionada — do que correr o risco de perder o curral eleitoral.

É um projeto de poder baseado na dependência permanente, não na libertação.

Ao mesmo tempo em que nações sérias inauguram ferrovias, portos, rodovias, universidades de ponta e centros de tecnologia, o Brasil do PT festeja o fato de que milhões de famílias ainda não conseguem comprar um botijão de gás.

E a primeira-dama ostenta o cilindro metálico como prova de que a pátria prospera.

Lamento dizer — sobretudo aos pobres que ainda acreditam nesse discurso — que votar nessa turma é votar para permanecer no mesmo lugar.

Um país não se liberta com esmolas oficiais, mas com educação de qualidade, empregos de verdade, oportunidades para que cada cidadão possa comprar seu próprio gás e pagar suas contas de água e luz.

Enquanto isso não acontecer, estaremos condenados à miséria eterna.

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