Recordar é viver

Com o reaparecimento de Roberto Requião na cena política, lançando-se, na flor de suas 80 primaveras, para buscar um quarto mandato no Palácio Iguaçu, surgem inevitavelmente as lembranças mais marcantes de suas administrações anteriores.

Uma delas, fruto de sua permanente briga com os empresários do agronegócio, foi o decreto assinado por ele em outubro de 2003 proibindo a exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá, causando enormes prejuízos não apenas aos agricultores paranaenses, mas principalmente aos paraguaios que não tinham outra opção para enviar sua produção ao exterior.

De uma hora para outra, centenas de caminhões vindos do país vizinho repletos de grãos ficaram, literalmente, a ver navios, sem ter onde despejar as cargas.

Em um primeiro momento, conta Juan Carlos Muñoz Menna, presidente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos do Paraguai, “foi um sufoco. Para resolver o problema emergencialmente, compramos dos americanos embarcações usadas no rio Mississipi e corremos para os rios Paraguai e Paraná. Ficamos com muita raiva do Requião, mas, ao final, aquilo foi a redenção. Se não tivesse acontecido o bloqueio, talvez o Paraguai ainda levasse muito tempo para descobrir sua vocação fluvial.”

Mas os hermanos pagaram caro pelo desatino de Requião: o episódio gerou uma devastadora onda de falências de empresas paraguaias que não conseguiram cumprir os contratos de entrega da leguminosa aos compradores estrangeiros.

Anos depois, o governador Beto Richa revogou a decisão e iniciou um trabalho para trazer os antigos clientes de volta, mas aí já era tarde.

Traumatizado pela medida autoritária de Requião, o Paraguai tratou de organizar sua logística para não depender mais de Paranaguá.

Atualmente, 96% do que o país produz é levado até os portos argentinos por hidrovia, um modal de transporte infinitamente mais econômico que o rodoviário. O serviço é feito por três mil barcaças, a terceira maior frota mundial.

Atraídos pelo baixo custo da alternativa, plantadores de soja do Mato Grosso do Sul, da região produtora localizada entre Dourados e Campo Grande, utilizam cada vez a operação fluvial paraguaia para exportar suas safras.

O pior de tudo é que a furiosa campanha movida pelo caudilho das araucárias contra os transgênicos, ao agrado de ONGs internacionais financiadas para impingir danos à agricultura brasileira, era uma guerra perdida desde o início.

Hoje, mais de 90% da soja paranaense é transgênica, com entrada sem restrições em todos os mercados do mundo.

Somando-se a isso o folclórico episódio em que Requião comeu uma semente de mamona oferecida por Lula e quase se engasgou ao saber da alta toxidade da planta, pode-se dizer que o ex-governador, definitivamente, não leva sorte com as oleaginosas.

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4 Comentários

  1. Pois e. Sem falar no prejuízo do lado de cá, pois prejudicou toda uma cadeia de serviços ao longo da 277, de borracharias a restaurantes e oficinas mecânicas, passando inclusive pela profissão mais antiga do mundo. Só mais um dos inúmeros desservicos prestados por esse cidadão ao Paraná.

  2. O Requião é como um filme do Mazzaropi em preto e branco. Foi bom, era o que tinha na época, muitos acharam graça, outros não. Mas passou. Hoje ele não passa de um disquete de 200 MB se achando um pen drive de 256 GB. Eu não gastaria 5 reais para assistir a um filme desses.

  3. Lembrar é sempre bom. E não podemos esquecer dos maus políticos que sempre trazem prejuízos para o povo. Muito boa lembrança esse artigo do Caio para que não caiamos na tentação de votar nesse tipo de políticos.

  4. Triste madrugada foi aquela / Que eu perdi meu violão!
    Alguns dirão:
    Triste feriado foi aquele / Que eu votei no Requião!
    Claro que pensamentos mudam, pois conveniências o obrigam, mas a essência dessas pessoas muda?
    Só pra refletirmos!

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