O ocaso de um herói

Vai se consolidando, cada dia mais, a evidência de que Sergio Moro como político é um ótimo juiz.

Desde que largou a vitoriosa carreira na magistratura para aventurar-se na pantanosa selva da vida pública (que muita gente considera o maior de seus erros), o julgador implacável dos réus da Operação Lava Jato, que granjeou o reconhecimento do Brasil e do mundo ao botar na cadeia os ladrões de alto coturno envolvidos no esquema de corrupção que dilapidou a Petrobras e outras estatais durante os governos do PT, vem tomando decisões desastrosas que, inevitavelmente, imprimem em sua testa a marca do traidor.

Ganhou a desonrosa pecha, primeiramente, entre os bolsonaristas mais fiéis ao deixar o Ministério da Justiça fazendo acusações levianas contra o presidente; logo depois, a imagem de judas se difundiu também em outros grupos de admiradores que se decepcionaram quando ele aceitou o convite para trabalhar na consultoria norte-americana que defende a empreiteira Odebrecht, justamente a principal fonte de propinas que resultaram nas condenações da Lava Jato; e agora a degradante qualificação acaba de ser acentuada por sua abrupta atitude de desistir da candidatura presidencial e abandonar repentinamente o Podemos, que já investiu um bom dinheiro em sua pré-campanha, para filiar-se ao União Brasil.

Devemos a Moro, inegavelmente, o resgate da dignidade da pátria por sua exemplar coragem de quebrar o vergonhoso ciclo de impunidade que desde sempre protegeu os ricos e poderosos e mostrar que o Brasil pode ser um lugar onde as leis valem para todos.

Ainda que uma boa parte dessa conquista venha sendo desfeita pelo conluio armado entre o Congresso Nacional com o Supremo Tribunal Federal para livrar a bandidagem ilustre da prisão, o passo inicial foi dado.

Por mais que se tente destruir os feitos de Moro no campo jurídico, a história não esquecerá de seus méritos, pelos quais terá a nossa eterna gratidão.

Porém, é preciso admitir que sua trajetória na política é uma sucessão crescente de graves equívocos que já arruinaram profundamente sua popularidade e se revelam bem visíveis no teto que estancou seu crescimento nas pesquisas eleitorais.

Ao menos neste momento, o melhor que ele tem a fazer para salvar sua biografia é sair de cena e, se continuar nutrindo o desejo de servir o país, planejar uma nova retomada em um tempo futuro que lhe seja mais favorável.

Caso, porém, insista nessa caminhada tortuosa, provará apenas que o fracasso lhe subiu à cabeça.

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2 Comentários

  1. O futuro dele é incerto porque foi seduzido pela luz da popularidade ocasional. Sua estrela não tem luz própria. Seu brilho ocasional foi sustentado pela vontade popular que estava estancada e a brecha que ele proporcionou fez irromper uma união na luta contra a corrupção que grassava impune. Tem seu mérito mas não tem o apoio popular… deveria seguir rumo a uma vaga legislativa onde teria espaço para propagar e mostrar seu talento.

    1. Deveria contentar-se em ser candidato a Vereador daqui a 2 anos e então iniciar uma carreira política.
      Ótimo juiz, péssimo Ministro, traiu a todos que lhe confiaramalgum crédito.
      A vaidade subiu à cabeça e destruiu seu projeto político.

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